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BEM VINDOS AO BLOG DO SÃO ROCK


Nossa História

Em junho de 2005, seis amigos se reuniram para comemorar seus aniversários, que por coincidência dos deuses do rock, eram todos na mesma semana. Resolveram chamar a banda de um amigo de Crato (Michel Macêdo, da Glory Fate). Também chamaram duas bandas locais (SKP e ET Heads), e fizeram a trilha sonora desta festa, que a princípio era exclusiva a aniversariantes e seus amigos. Sem querer, nascia ali o festival SÃO ROCK – o dia em que o rock foi pro brejo!
O sucesso da primeira edição obrigou uma continuação. Dois anos depois, já em 2007, veio a segunda edição, agora com a participação de bandas de Fortaleza, e aberto ao público. O sucesso consolidou o evento, e perpetuou essa data no calendário do rock cearense.
Pelo festival já passaram nomes de peso no cenário cearense, como Artur Menezes, Felipe Cazaux, Caco de Vidro, banda One, Killer Queen, Glory Fate, Zeppelin Blues, Renegados, banda Void e tantos outros que abrilhantaram noites inesquecíveis, regadas à amizade, alegria e o bom e velho rock´n´roll.
Hoje, o que se iniciou com um simples aniversário, tomou enormes proporções, estendendo seus ramos, diversificando os estilos e abrindo espaço para mais e mais bandas que querem mostrar seu talento em nossa terra. Agora são duas noites de festival, além da Caldeira do Rock, que leva bandas alternativas para a praça pública, numa celebração maravilhosa, onde congregamos amigos de todas as cidades circunvizinhas e de outros estados, irmanados pelo amor ao rock.
Não para por aí. Queremos tornar o São Rock uma marca que não promova apenas um festival anual, mas que seja um verdadeiro tablado que promova eventos de rock durante todo o ano! Assim, poderemos desfrutar do convívio saudável e também marcar nossa presença, dizer que temos voz e vez, numa cultura tão massificada por músicas desprezíveis e por gêneros impostos ao povo! Fomos, somos e sempre seremos roqueiros!
Portanto, venha participar dessa irmandade, apóie, divulgue, patrocine essa idéia, e seja mais um que ajuda a construir esse espaço!

Esse é o BLOG oficial do festival SÃO ROCK, que ocorre todo ano em Brejo Santo - Ceará. Criado "acidentalmente" por aniversariantes que comemoram na mesma semana e que se uniram para fazer uma única celebração voltada ao nosso gosto músical o ROCK. Além disso o blog divulga noticias e eventos nacionais e internacionais, além de ajudar na promoção cultural da região. Sobre tudo é uma apologia a amizade.




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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Jeff Beck vai receber prêmio de ‘Lenda Viva do Rock

Acontece no dia 9 de novembro, em Londres, a cerimônia que irá elevar o guitarrista Jeff Beck ao status de “Lenda Viva do Rock”. Beck se juntará a Jimmy Page, Lemmy, Alice Cooper, Iggy Pop e Ozzy Osbourne, ao receber o prêmio da revista britânica “Classic Rock”. A cerimônia, que é anual, distribuirá prêmios em outras castegorias, cujos vencedores só serão revelados na hora. A apresentação será do baixista/vocalista do Kiss, Gene Simmons.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Rod Stewart e Jeff Beck vão se reunir para gravação de material novo

Rod Stewart vai se reunir com Jeff Beck para gravar "coisas espetaculares".

O cantor veterano e o guitarrista se encontraram antes do Natal para discutir a composição de músicas pela primeira vez desde os anos 60, quando Rod fazia parte da banda de apoio de Jeff Beck, gravando os discos "Truth" e "Beck-Ola".

Rod disse à revista Rolling Stone: "Jeff e eu almoçamos juntos antes do Natal. Ele vai gravar algumas faixas com sua banda em fevereiro em São Francisco e mandá-las pra mim, então estamos fazendo progresso".

Arnold Stiefel, empresário de Rod, disse: "eles tem coisas realmente inteligentes planejadas. Coisas espetaculares".

Este será o primeiro material novo de Rod desde a série de covers "American Songbook", que começou a ser lançada em 2002, e as primeiras faixas inéditas desde o disco "When We Were the New Boys", de 1998.

Enquanto isso, Rod também se reuniu com outro ex-membro da banda de apoio de Jeff, Ronnie Wood, que também deixou o grupo na mesma época para formar o Faces em 1969.

Os dois jantaram juntos na segunda-feira (31), com Rod dando um beijo amistoso em Ronnie na saída, aumentando os rumores de que eles também podem tocar juntos novamente. Ronnie reformou o Faces para se apresentar ao vivo no ano passado, substituindo Rod pelo vocalista do Simply Red Mick Hucknall.

Rod também anunciou que fará este ano a turnê "The Heart and Soul" com Stevie Nicks, que acontece nos Estados Unidos e começa no dia 20 de março na Flórida.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Jeff Beck nos ensina a manter a juventude por RegisTadeu

Regis Tadeu

Por Regis Tadeu 




O ótimo escritor Nick Hornby –sim, aquele mesmo, o autor do livro Alta Fidelidade – disse certa vez que “a juventude é uma qualidade não muito diferente de saúde: é encontrada em maior abundância entre os jovens, mas todos nós precisamos ter acesso a ela”. Também são inegáveis os inúmeros casos de excelentes músicos que acabaram se tornando retratos contundentes do modo como certos artistas se tornam pálidas e patéticas autocaricaturas. É duro perceber que o sentimento que temos por pessoas que admiramos no passado podem se transformar não em raiva, mas em tédio e, pior, em vergonha. E a questão da “juventude” não me sai da cabeça…
Tal reflexão me veio à mente depois de presenciar uma das mais impressionantes experiências que tive até hoje: o show que Jeff Beck fez semana passada na Via Funchal, em São Paulo.
Confesso que minha expectativa não era lá muito alta, já que Beck vinha ao Brasil com a turnê que promove seu mais recente e fraquíssimo disco, Emotion & Commotion. Em compensação, tinha ainda na memória a arrasadora apresentação que ele havia feito doze anos atrás em uma das edições do finado festival Free Jazz.
Primeiro, a surpresa em ver o batera Narada Michael Walden substituindo o lendário Vinnie Colaiuta e a baixista Rhonda Smith no lugar da jovem Tal Wilkenfeld, ambos ao lado do tímido e eficiente tecladista Jason Rebello. Depois, surgindo no palco com a tranqüilidade e descontração que só os veteranos que nada mais tem a provar possuem, Beck logo de cara deixou todo mundo com o queixo batendo nos sapatos com a pureza cristalina do timbre de seu instrumento – uma sensação que se estendeu ao longo de toda a apresentação. Todo mundo na platéia que tocava algum instrumento – qualquer um – fez a mesma pergunta: como ele consegue tirar este som com dois pedaizinhos e um wah-wah?
A linguagem musical de Beck inclui tudo aquilo que faz um músico receber o adjetivo de “perfeito”. Seu senso rítmico ao solar beira o espantoso, como em “Led Boots”, “Big Block” 
 e “Stratus” ,
 a sensacional composição do extraordinário baterista Billy Cobham. Já a maneira como constrói melodias belíssimas com precisão cirúrgica e velocidades jamais exageradas em seus solos deveria ser estudada por paranormais – os exemplos mais absurdos disto estão em “You Never Know There” e na ótima versão de “Rollin’ and Tumblin’”. Para nos embasbacar ainda mais, o guitarrista simplesmente arrasa nas maravilhosas versões de “People Get Ready” – de Curtis Mayfield, que Beck gravou com Rod Stewart no horrendo disco Flash nos anos 80 – e “A Day in the Life”, dos Beatles.
 Quando a banda entra em “I Want to Take You Higher”, do Sly & The Family Stone, o público já está entregue aos pulos de alegria.
Até mesmo algumas canções de Emotion & Commotion incluídas no show ganharam força e, o que é mais importante, passaram a fazer sentido ao vivo. Foi o caso da união entre “Corpus Christi Carol” e “Hammerhead,
 com Beck fazendo desta última o veículo perfeito para a demonstração de sua exuberante e peculiaríssima técnica.
Infelizmente, nem tudo é perfeito. O momento em que Beck empunha uma Gibson Les Paul a fim de homenagear seu criador, Les Paul, em uma espécie de dixieland chamado “How High the Moon” se mostra disperso e artificial, com vocais pré-gravados e arranjo preguiçoso, um verdadeiro “corpo estranho” dentro de um show memorável. Da mesma forma, a inclusão de “Somewhere Over the Rainbow” e “Nessun Dorma” fazem o show se transformar em uma pieguice digna de uma apresentação da mocréia Susan Boyle. Como Beck nunca dá bola para o que pensam dele, se deu ao luxo de omitir criminosamente a antológica “Cause We’ve Ended as Lovers”, de Stevie Wonder, e qualquer outra música do disco Blow by Blow, além de deixar de fora as não menos belas “Beck’s Bolero” e “Where Were You”.
Depois de assistir a um show desse naipe, voltei para casa relembrando as inúmeras ocasiões em que li e ouvi gente tecendo loas e elogios monstruosos a guitarristas não mais que medianos, como Jack White (White Stripes), Billy Corgan (Smashing Pumpkins) – quem diz que ambos são “guitar heroes” deveria ser condenado à cadeira elétrica embaixo de um chuveiro.
E aí a história da “juventude” voltou com outro significado depois de ver um “jovem” de 66 anos como Jeff Beck em cima de um palco. Sim, eu sei que a maioria das músicas de rock é feita por jovens, para jovens, e que falam a respeito de como é ser jovem. Só que mesmo eu, no alto dos meus 50 anos, ainda não perdi a capacidade de me emputecer quando ouço a velha ladainha “como você ainda ouve rock ser não tem mais idade para isso?” Ah, é? Quer dizer então que Neil Young e Bruce Springsteen deveriam “tomar tenência” e se resignar com a vida de fazendeiro no interior do Alabama? Sei… O pior é que nem todos os jovens são realmente jovens. Você já reparou quantas pessoas ainda nem chegaram aos 30 anos e sonham com uma carreira política ou como advogados de grandes multinacionais?
É por isso que, a cada ano que passa, fica mais difícil eu aceitar que certas coisas não fazem mais sentido. Não estou dizendo que, com o passar dos anos, devemos fazer como a maioria das pessoas, ou seja, acalmar o espírito, se resignar com a adrenalina que se esvai como vinho por entre os dedos e passar a ouvir jazz de restaurante. Ver Jeff Beck em ação, tocando de modo monstruoso, abrindo espaço para que seus ótimos companheiros de palco possam solar com sorrisos nos rostos, reforçou minha crença de que é possível perpetuar a juventude naquilo que a gente faz mantendo uma energia espontânea e mesmo uma inebriante euforia, aquela mesma que, aos seus olhos, tornava seus ídolos quase indestrutíveis no passado. E o rock sempre jogou na nossa cara a face suja/sacana/experimental/rebelde/ do mundo, mesmo que em momentos extremamente complexos e até mesmo mutantes, virando de cabeça para baixo todos os conceitos musicais, sociais e políticos do que era “natural”, do que era “correto”.
Em termos “guitarrísticos”, a exuberância técnica e musical de Beck é diametralmente oposta àquela propagada por caras como Yngwie Malmsteen, que tudo o que podem fazer é estuprar os sentimentos originalmente propiciados pelo rock ‘n’ roll, só para mostrarem que ainda são importantes, que ainda estão “acima” de nós, como que tentando nos humilhar com uma realidade artística muito distante daquela que acontece nas ruas ou nos ensaios em garagens empoeiradas. Essa babaquice domesticada nada mais é do que fazer exatamente aquilo que os jovens sempre abominam em seus pais ou nas “autoridades competentes”.
Não, a salvação da música em tempos de “rock colorido”, do hip hop americano domesticado/inofensivo e das “Lady Gagas da vida” não está na indigência musical estudada e pretensiosa das bandas indies com integrantes barbudos, muito menos na última banda “descoberta” pela imprensa inglesa. A benção redentora está em quem ainda se importa em tocar algo que irradie calor, ambição, exuberância, rebeldia e que estimule a capacidade de ampliar nossos olhos, ouvidos e mentes. A salvação está em quem nos faça ter vontade de viver.
Pode apostar que um show tem esta capacidade. Está aí o Jeff Beck, que não me deixa mentir…

domingo, 28 de novembro de 2010

Jeff Beck em São Paulo: resenha e fotos no Coredump

domingo, 28 de novembro de 2010

Jeff Beck em São Paulo - Via Funchal - 25/11/2010 - Eu estava lá !


Esta semana está demais. Primeiro foram 2 shows de Paul McCartney e agora é a vez de um dos maiores guitarristas de todos os tempos se apresentar na cidade de São Paulo. Ao contrário do que foi anunciado esta não é a primeira vez que Jeff Beck toca no Brasil. Ele já havia feito shows por aqui em 1988 no extinto Free Jazz Festival.

Acompanhado de uma ótima banda formada por Jason Rebello (Teclados), Narada Michael Walden (Bateria) e Rhonda Smith (Baixo e Vocais) o guitarrista veio ao País desta vez como parte da divulgação de seu mais novo CD "Emotion and Commotion"  lançado este ano.


O show começou com a música "Plan B" seguida de "Stratus", cover de Billy Cobham. Depois foi a vez de "Led Boots" que possui uma levada à la Satriani. Na sequência duas faixas do disco novo. A sutil "Corpus Christi Carol" e "Hammerhead" cujo ritmo impregina na mente, pricipalmente as linhas do baixo, tocado de forma magnifíca por Rhonda Smith. 

A próxima  é a linda "Mna Na Eireann" (pronuncia-se "Women of Ireland") que deixa todo mundo com os olhos vidrados no guitarrista. O palco nessa hora ficou com um jogo de luzes muito lindo. Depois é a vez de Rhonda Smith brilhar novamente com seu solo de baixo com uma levada funk e varios "slaps". 


Um dos melhores momentos do show foi quando Jeff Beck tocou  "People Get Ready", cover de Curtis Mayfield, que nos anos 80 ficou famosa num dueto dele com Rod Stewart. Seguem-se a jazzistica "You Never Know" e um dos clássicássos do Blues, "Rollin' & Tumblin" do mestre Muddy Waters e que foi cantada com muito feeling por Rhonda Smith.

Jeff Beck ainda fez uma versão magnifica de "Over The Raibow" (do filme "O Magico de Oz") mostrando  todo seu virtuosismo na guitarra. À seguir ainda tocaram "Blast From The East", "Angels", a pesada "Dirty Mind", "Brush With The Blues" e finalizando o set normal com "A Day in the Life" dos Beatles, que depois dos shows  de Paul McCartney esta semana, ganhou um sabor ainda mais especial.


Para o Bis  ele executou o bluesão "Higher". Depois veio "How High" de Les Paul , tocada com uma guitarra  Gibson Les Paul (óbivo) preta que substituiu a sua tradicional Stratocaster branca.  Para finalizar o show ele executa "Nessun Dorma", clássico italiano de Puccini, e que ficou muito linda em sua interpretação na guitarra.

É fato que Jeff fala pouco com o público, mas sua guitarra o faz o tempo todo. A platéia passou a maior parte do show vidrada no palco (talvez por isso ele tenha mandado desligar os telões antes do show). 

E com este showzaço Beck provou que é possível fazer shows instrumentais (este foi 95% instrumental) sem ser monótono. Nos mostrou ainda que é e sempre será um dos grandes "Guitar Heroes" da história da música e apesar de estar com 66 anos ainda está em plena forma. Vida longa ao mestre Jeff Beck !

Set list:

1. Plan B
2. Stratus (Billy Cobham cover)
3. Led Boots
4. Corpus Christi Carol
5. Hammerhead
6. Mna Na Eireann
7. Bass solo
8. People Get Ready (Curtis Mayfield cover)
9. You Never Know
10.Rollin' & Tumblin' (Muddy Waters cover)
11.Big Block
12.Over The Rainbow
13.Blast From The East
14.Angels
15.Dirty Mind
16.Brush With The Blues
17.A Day in the Life (The Beatles cover)

Bis:
18.Higher
19.How High
20.Nessun Dorma

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O guitarrista Jeff Beck não economizou notas e acordes em São Paulo, nesta quinta, 25

O guitarrista Jeff Beck se apresentou em São Paulo, nesta quinta, 25

Jeff Beck toca o que quer e como quer. Como sua carreira-solo não tem nada que pareça com um hit radiofônico, Beck pode se dar ao luxo de montar um repertório a seu bel prazer. Foi o que aconteceu nessa segunda passagem pelo Brasil. Beck nunca foi um showman. Muito concentrado, não fala com a plateia, grunhindo vez ou outra um "thank you". Foi um show para quem gosta de virtuosismo musical. Ao ouvir as conversas na pista, dava para perceber que a quantidade de músicos profissionais e amadores presentes na quinta-feira, 25, na Via Funchal era considerável.

A apresentação, que durou cerca de uma hora e meia, foi basicamente instrumental e o jazz rock funqueado do músico às vezes cedia espaço para uma ou outra faixa mais atmosférica, resvalando na new age, mas sem cair na breguice. A banda de Beck, constituída por Rhonda Smith (baixo), Jason Rebello (teclado) e Narada Michael Walden (bateria), também brilhou e esbanjou técnica e precisão, mas sem roubar a cena do seu patrão e o dono da noite.

Beck abriu com "Plan B" (de Jeff, disco de 2003), mas aproveitou a ocasião para tocar várias faixas de Emotion & Commotion, seu mais recente CD, como "Corpus Christi Carol", "Over The Rainbow' (a canção clássica de Judy Garland), "Hammerhead" e a peça erudita "Nessun Dorma" (de Giacomo Puccini, que, por sinal, encerrou o show). Beck compensa a falta de interação com o público com o seu jeito hipnótico de tocar. Ninguém tirava os olhos dos dedos do músico enquanto ele entortava e manipulava as cordas de seu instrumento, criando notas e acordes rápidos, fluidos e melódicos.

Na apresentação em São Paulo, Beck e sua banda também tocaram de forma muito pessoal vários covers como "A Day in the Life" (Beatles), "People Get Ready" (The Impressions), "I Want To Take You Higher" (Sly and The Family Stone, com a baixista Rhonda e o tecladista Rebello cuidando dos vocais) e "How High the Moon" (Les Paul e Mary Ford). Nessa última, Beck prestou tributo a Les Paul, um de seu heróis e inventor da marca de guitarra que é uma de suas favoritas.
http://www.rollingstone.com.br/secoes/novas/noticias/pura-tecnica/

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Power-Trios: Hard é o gênero "onde o bicho mais pega" matéria da Poeira Zine

Literalmente, o Hard é o gênero "onde o bicho mais pega" em termos de Power Trios. Nada como um vigoroso Hardão tocado por um trio competente.

No Hard, existem centenas de bandas com essas características, como o Blue Cheer,

que vinha da ensolarada São Francisco (a "meca" da Psicodelia Norte-Americana). A banda era formada por Dickie Peterson (Bx, V), Leigh Stephens (G) e o monstruoso Paul Whaley (Bt). O disco de estréia do grupo, "Vincebus Eruptum", lançado nos primeiros dias do ano de 1968, foi um verdadeiro divisor de águas no Rock. Tudo graças a uma pesadíssima versão para "Summertime Blues" de Eddie Cochram. A partir do terceiro álbum, o Blue Cheer se torna um quarteto com a inclusão de um tecladista chamado Ralph Burns Kellogg, e foi perdendo a potência peculiar de antes. Depois de fracassadas "voltas" no decorrer dos anos, a banda encerrou as atividades depois da morte do batera Paul Whaley, vítima de um fulminante ataque cardíaco em 1995.
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O Dust é um dos mais idolatrados Power Trios dos anos 70. E não é pra menos, o grupo realmente mostrava muita propriedade e competência nos seus dois registros de estúdio - "Dust" e "Hard Attack" de 1971 e 1972 respectivamente. Richie Wise (G,V), Kenny Aaronson (Bx) e Marc Bell (Bt) tinham uma sonoridade diferente dos demais trios. Isso pode ser sentido no segundo disco do trio, que mostrava uma evolução perante o anterior - arranjos mais elaborados, solos caprichados, e uma performance inacreditável de baixo/bateria - mostrando que a cozinha do Dust era de se invejar. Marc virou punk e foi tocar com Richard Hell nos seus Voidoids, e mais tarde se tornou batera dos Ramones mudando seu nome para Marky Ramone. Alguns fãs do Dust se inflamam ao dizer que Marc "desaprendeu" a tocar bateria, pois no Ramones ele não demonstra nem um terço de sua "sabedoria rítmica".
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Obra prima do Hard Rock Setentista é o disco "Medusa" do Trapeze, lançado originalmente em 1970. Apesar de ter começado como quinteto, o Trapeze "acertou" a mão nesse seu segundo registro já totalmente convertido para o Hard. Glenn Hughes, Mel Galley e Dave Holland, conseguiram criar melodias pesadas e depressivas ao mesmo tempo de grooves e levadas puramente "blacks". Essa veia "black" amadureceu no disco seguinte, o igualmente genial "You Are the Music We're Just The Band", de 1972. Nesse disco, apesar de se manterem fiel ao formato Power Trio, contavam com uma série de convidados como Rod Argent no piano elétrico e B.J. Cole na steel guitar por exemplo. Depois de tais feitos, Glenn foi chamado para assumir a vaga deixada por Roger Glover no Purple. Mel tocou com inúmeras bandas, dentre elas o Whitesnake e o Phenomena II. Dave Holland, por sua vez, passou nove anos de sua carreira como baterista do Judas Priest, até ser substituído em 1990 pelo Scott Travis.

O Grand Funk Railroad também teve seus dias de glória como um trio. Mark Farner, Mel Schacher e Don Brewer formavam o trio de Hard mais respeitado da América no ínicio da década de 70. Do disco de estréia "On Time" de 1969 até "E Pluribus Funk" de 1971, eles se mantiveram fiéis ao formato de Trio. Em 1972 "convidam" Craig Frost para os teclados, o que mudou a sonoridade do grupo, como pode ser conferido no disco "Phoenix". Em 1973 já "efetivam" de vez o novo integrante, se transformando num quarteto.
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Outro que também foi trio no início de carreira é o Thin Lizzy. Formado na Irlanda em 1970, o Lizzy lançou 3 discos como trio: "Thin Lizzy" de 1970, "Shades of Blue Orphanage" de 1971 e "Vagabonds of Western World" de 1973. Se por um lado nos dois primeiros eles traziam muita influência Folk, no "Vagabonds" o Hard corria solto, com muita sonzeira de Baixo-Guitarra e Batera, com na faixa "The Rocker". Com a saída do guitarrista Eric Bell, o Lizzy (leia-se Phil Lynott e Brian Downey) ainda segurou a onda como um Trio ao convocar Gary Moore para as guitarras. Infelizmente durou pouco e Moore nem chegou a gravar um disco com o Lizzy nessa altura do campeonato (1974), apenas alguns compactos (somente em 1979 ele voltaria para o grupo e gravaria o sensacional Black Rose). Ainda em 74, com a saída de Moore, Lynott chama Brian Robertson e Scott Gorham para as guitarras, transformando o Lizzy num quinteto.
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Já que geograficamente estamos falando da Irlanda, vamos dar um "pulinho" até o País de Galês, onde nasceu mais um poderoso trio da época - o Budgie. A formação da banda data de 1968, mas o primeiro registro vinílico surgiu em 1971, com um álbum simplesmente intitulado "Budgie". No ano seguinte lançam "Squawk", que até chegou a ser lançado aqui no Brasil na mesma época. Depois veio a melhor fase do trio de 1973 até 1975, quando lançaram os seguintes discos: "Never Turn You Back to A Friend", "In For the Kill" e "Bandolier". Além de um som peculiar, um tanto potente e único - graças a voz aguda do vocalista/baixista e líder Burke Shelley, O Budgie também tinha lindas capas desenhadas por ninguém menos que Roger Dean, o mago que criava capas para o Yes, Greenslade, Uriah Heep e muitos outros. Nos anos 80, o grupo virou um quarteto com a inclusão de um tecladista. Até hoje continuam na estrada, sempre realizando shows memoráveis no Velho Continente.
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Outro grupo que também teve sua fase áurea como um trio, e depois "ampliou o time" foi o James Gang, que veio da cidade de Cleveland, nos EUA. Poucos sabem, mas o "cabeça" e fundador do grupo foi o batera Jimmy Fox, que em 1967 recrutou Tom Kriss para o baixo, logo substituído por Dale Peters e Joe Walsh para a guitarra e vocais. Walsh acabou tomando a frente do grupo, pelo menos em popularidade, tanto que chamou a atenção de Pete Towshend, que, impressionado, convidou o James Gang para abrir a tour européia do Who, promovendo então seu disco "Who's Next". Como trio, lançaram 3 discos de estúdio e um genial ao vivo - "Live in Concert". Depois Walsh larga o grupo, que virou um quinteto com a entrada de Dominic Troiano na guitarra, e Roy Kenner nos vocais. Dois álbuns depois, Troiano cede sua vaga para um jovem talento - Tommy Bolin - indicado justamente por Walsh, para assumir as 6 cordas. E a carreira do Gang continuou, só que infelizmente temos que parar por aqui, pois eles já não eram mais trio, certo?
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Voltando a falar de trios, um dos mais bem sucedidos dos anos 70 foi o West Bruce & Laing. Também pudera, a formação era um "baque" para quem acompanhava o Hard Rock da época, um super grupo, como desde os tempos do Cream, não se via: Jack Bruce, ainda louco pra fazer um barulho bem no estilo trio, Leslie West e Corky Laing, ambos órfãos do Mountain, que embora fosse um quarteto, tinha um som bem típico do Cream, cortesia de seu genial baixista e compositor - Felix Pappalardi. O WB&L lançou três álbuns: "Why Don'tcha", "Whatever Turns You On" e o ao vivo "Live n' Kickin". Infelizmente, assim como no Cream, o clima foi ficando feio, dessa vez entre Bruce e West. Com um ano e meio de banda tudo acaba.Como dizem os pessimistas: "Tudo o que é bom dura pouco", outro trio que teve vida breve foi o Bang. Foram apenas 3 discos: Bang, Mother/Bow to the King e Bang Music. Esse pesadíssimo trio norte-americano era formado por Frank Gilcken nas guitarras e vocais, Frank Ferrara no baixo e vocal e Tony D'Iorio na bateria. Muita influência de Black Sabbath no som do grupo.
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Já que o assunto é peso em formato de trio, nada melhor do que trazer à tona, um dos mais poderosos e pesados trios da América - o Sir Lord Baltimore. O "Sir Lordão", como é carinhosamente chamado por aqui, lançou dois registros, "Kingdom Come" em 1970 e o homônimo "Sir Lord Baltimore" em 1971. Basta dizer que eram considerados o grupo mais pesado do mundo até então. O alucinado John Garner, ou "The Garn" para os íntimos, era o baterista e vocalista do Sir Lord. O time ainda contava com Louis Dambra na guitarra e Gary Justin no baixo.
O Freedom foi formado pelo guitarrista Ray Royer e pelo baterista Bobby Harrison, que por mais incrível que possa parecer, eram integrantes do Procol Harum, na época do lançamento do single de "A Whiter Shade of Pale". Eles não chegaram a gravar um disco inteiro com o grupo, pois o chefão Gary Brooker resolveu dispensá-los e convocou seus ex-parceiros da época dos Paramonts - Robin Trower e B.J. Wilson para os respectivos postos. Os revoltados Bobby e Ray convocam então Peter Dennis para o baixo e Roger Saunders também na guitarra, partindo para o ataque das platéias britânicas como um quarteto. Como a fórmula não surtiu muito efeito, o líder Bobby Harrison resolve apostar todas as fichas no formato trio e partem para a América como banda de abertura do Black Sabbath e Jethro Tull. Quatro álbuns no curriculum e tudo acaba, com Bobby abandonando a bateria e se tornando vocalista da banda Snafu, que trazia o ex- Juicy Lucy e futuro Whitesnake, Micky Moody nas guitarras.
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Outro importante trio britânico foi o Gun, também considerado a primeira "peripécia" musical dos irmãos Gurvitz. Formado em 1968, o trio trazia além dos irmãos, o batera Lois Farrell. Emplacaram o hit "Race With the Devil" do disco de estréia, e ainda lançaram um segundo disco, intitulado "Gun 2 (Gun Sight)", em 1970. Logo após esse lançamento, a banda se dissolve, e os incansáveis irmãos formam outro grandioso power trio - o Three Man Army - com o experiente Mike Kelly (ex Spooky Tooth) na bateria. Esse foi depois substituído por Tony Newman, que tinha gravado o disco "Beck-Ola" com Jeff Beck.
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E talvez o mais virtuoso Power Trio tenha sido o Beck, Bogert & Appice. Também pudera, com três astros desse porte reunidos num mesmo grupo, o resultado não poderia ser outro. Beck vinha de uma fase mais soul com o Jeff Beck Group, que tinha em suas fileiras o grande Cozy Powell na bateria (esse também tocara num trio nessa época - o Big Bertha). Depois de dois discos nessa fase, Beck estava doidinho para cair de boca no som pesado, e como no início dos anos 70 - o negócio era formar um trio - não deu outra. Beck como não é bobo nem nada, convidou a cozinha do Cactus, Tim Bogert no baixo e Carmine Appice na bateria para sua nova empreitada. Vale lembrar que essa era também a cozinha do Vanilla Fudge, que foi um dos grupos pioneiros no Rock Pesado norte-americano. Um acidente automobilístico sofrido por Beck acaba atrasando o projeto, que veio se realizar somente no final de 1972. No ano seguinte lançaram sua impecável e homônima estréia. Turnês mundo afora e shows concorridíssimos, como aquele realizado no Koseinenkin Hall em Osaka no Japão, de onde foi extraído o maravilhoso registro duplo "Live In Japan". Poucos sabem, mas o grupo chegou a gravar um segundo disco de estúdio, que foi arquivado e nunca lançado oficialmente. São na verdade oito temas que até hoje permanecem inéditos. Apesar de toda balbúrdia em cima dos três, tudo acaba em janeiro de 1974, com um irritado Beck dando declarações que nunca mais iviria a tocar Rock Pesado e que tinha se sentido um palhaço nesse pouco mais de um ano ao lado de Bogert e Appice.Imagem
Quem quiser continuar essa "viagem" no mundo dos trios de Rock dos anos 70, basta adquirir a nova edição da Poeira Zine. Além dos trios de Hard, estão lá também os trios de Progressivo, os Trios Canadenses, e os Argentinos. Ainda tem um super especial com o Cream e com o Experience de Jimi Hendrix.
Imperdível!

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