BEM VINDOS AO BLOG DO SÃO ROCK


Nossa História

Em junho de 2005, seis amigos se reuniram para comemorar seus aniversários, que por coincidência dos deuses do rock, eram todos na mesma semana. Resolveram chamar a banda de um amigo de Crato (Michel Macêdo, da Glory Fate). Também chamaram duas bandas locais (SKP e ET Heads), e fizeram a trilha sonora desta festa, que a princípio era exclusiva a aniversariantes e seus amigos. Sem querer, nascia ali o festival SÃO ROCK – o dia em que o rock foi pro brejo!
O sucesso da primeira edição obrigou uma continuação. Dois anos depois, já em 2007, veio a segunda edição, agora com a participação de bandas de Fortaleza, e aberto ao público. O sucesso consolidou o evento, e perpetuou essa data no calendário do rock cearense.
Pelo festival já passaram nomes de peso no cenário cearense, como Artur Menezes, Felipe Cazaux, Caco de Vidro, banda One, Killer Queen, Glory Fate, Zeppelin Blues, Renegados, banda Void e tantos outros que abrilhantaram noites inesquecíveis, regadas à amizade, alegria e o bom e velho rock´n´roll.
Hoje, o que se iniciou com um simples aniversário, tomou enormes proporções, estendendo seus ramos, diversificando os estilos e abrindo espaço para mais e mais bandas que querem mostrar seu talento em nossa terra. Agora são duas noites de festival, além da Caldeira do Rock, que leva bandas alternativas para a praça pública, numa celebração maravilhosa, onde congregamos amigos de todas as cidades circunvizinhas e de outros estados, irmanados pelo amor ao rock.
Não para por aí. Queremos tornar o São Rock uma marca que não promova apenas um festival anual, mas que seja um verdadeiro tablado que promova eventos de rock durante todo o ano! Assim, poderemos desfrutar do convívio saudável e também marcar nossa presença, dizer que temos voz e vez, numa cultura tão massificada por músicas desprezíveis e por gêneros impostos ao povo! Fomos, somos e sempre seremos roqueiros!
Portanto, venha participar dessa irmandade, apóie, divulgue, patrocine essa idéia, e seja mais um que ajuda a construir esse espaço!

Esse é o BLOG oficial do festival SÃO ROCK, que ocorre todo ano em Brejo Santo - Ceará. Criado "acidentalmente" por aniversariantes que comemoram na mesma semana e que se uniram para fazer uma única celebração voltada ao nosso gosto músical o ROCK. Além disso o blog divulga noticias e eventos nacionais e internacionais, além de ajudar na promoção cultural da região. Sobre tudo é uma apologia a amizade.




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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Rush: A simbologia do álbum Clockwork Angels - via RUSH fã clube


Em breve conheceremos a história de Clockwork Angels. Assim como nos álbuns Caress of Steel (1975), 2112 (1976) e Hemispheres (1978), o próximo trabalho do Rush contará uma história dividida em várias canções, um verdadeiro retorno às raízes setentistas da banda. E que tal começar a entender um pouco dos elementos utilizados neste novo trabalho conceitual?

Desde o lançamento do primeiro single Caravan/BU2B e da turnê Time Machine em 2010, fomos apresentados ao conceito artístico escolhido pelo Rush para seu mais novo álbum, com a banda contando mais uma vez com a genial parceria de seu artista plástico e amigo de longa data Hugh Syme. Em Clockwork Angels, a atmosfera steampunk e a alquimia desenham o cenário da história de um jovem em busca de seus sonhos, preso entre forças grandiosas da ordem e do caos. Ele viaja por um mundo exuberante e cheio de cores, constituído por cidades perdidas, piratas, arnaquistas, festas exóticas e um rígido Relojoeiro que impõe precisão sobre cada aspecto de sua vida cotidiana.

"Falei com os rapazes sobre uma idéia de um mundo imaginário no qual havia me interessado recentemente, pensando em fazer um grande cenário para uma suite de canções que contaria uma história", diz Peart. "Um gênero de ficção científica iniciado por alguns autores (incluindo meu amigo Kevin J. Anderson) veio a ser chamado de 'steampunk', visto como uma reação contra futuristas 'cyberpunk' com seus cenários desumanizados de alienação em sociedades distópicas. Nossas próprias viagens anteriores para o futuro, "2112" e "Red Barchetta", haviam sido fixadas num tipo obscuro de imaginação, para efeitos dramáticos e alegóricos, mas eu pensava agora numa definição para steampunk como "o futuro como deveria ter sido" ou "o futuro visto do passado", conforme imaginado por Júlio Verne em 1866 enquanto escrevia suas 20000 Léguas Submarinas. Quando eu tinha nove ou dez anos, meu pai me levou junto com meu irmão e minha irmã para assistirmos esse filme numa matinê de sábado, e aquelas imagens sempre ficaram comigo. O poder destrutivo do terrível Nautilus tinha uma beleza monstruosa, contrastada com a opulência cultivada pelas instalações do Capitão Nemo e seu órgão de tubos maciço que ele tocava em um louco êxtase. O capitão pode ter sido louco, mas era romântico, idealista, e sua loucura era apenas a de destruir navios de guerra pois sua amada família havia sido morta em tempos de guerra".

Uma das artes steampunk presentes no encarte de Clockwork Angels

O Gênero Steampunk

O steampunk é um sub-gênero da Ficção Científica, ambientado numa realidade alternativa cuja proposta estética remete ao Século XIX. Baseado em um universo criado por autores consagrados como Júlio Verne, o steampunk mostra uma realidade espaço-temporal na qual a tecnologia mecânica a vapor teria evoluído até níveis impossíveis (ou pelo menos improváveis) produzindo máquinas capazes do impensável, como automóveis, aviões e até mesmo robôs já naquela época. Trata-se de uma realidade retrofuturista, marcada por conquistas tecnológicas magníficas a partir da eficiência da mecânica. O fascínio pelo progresso tecnológico e por tudo que o homem conseguiu alcançar, contudo, convive no steampunk com profundas diferenças sociais, constante degradação ambiental e com a iminência da desgraça que vai se tornando cada vez mais difícil de ser evitada.

É interessante observar que a sociedade retratada no gênero steampunk é uma caricatura do mundo em que vivemos, onde a tecnologia convive grotesca e intrusivamente com interesses a partir de um progresso desmedido, tortuoso, mal planejado e orientado por motivações que têm muito mais relação com corporativismo do que com as necessidades humanas.

As origens do Steampunk remontam às obras pioneiras de ficção científica de autores como H.G. Wells, Mark Twain e Mary Shelley, entre outros. Cada um deles escreveu suas obras apresentando essa tecnologia avançada e ambientada no século XIX ou início do século XX. Já a utilização do termo é recente, tendo surgido em meados da década de 1980 quando o escritor norte-americano K.W. Jeter tentava rotular seus trabalhos e os de seus colegas Tim Powers e James Blaylock, que escreveram uma série de romances entre 1979 e 1986 cuja característica mais marcante eram as histórias de Ficção Científica passadas na Era Vitoriana, com tecnologia 'retrô' e claras influências de clássicos da literatura do gênero.

O steam (vapor em inglês) há muito vem se popularizando, tendo sido utilizado em séries como O Mundo Perdido e em filmes como As Aventuras de James West, De Volta Para o Futuro III, A Máquina do Tempo, Guerra dos Mundos, As Aventuras do Barão de Munchausen, O Grande Truque, O Ilusionista, e nos anime Steamboy e Full Metal Alchemist, entre outros. Os filmes A Liga Extraordinária e Van Helsing são outros exemplos que trabalham exatamente com este estilo. Viagens sobre trilhos, hotéis flutuantes vagando em zeppelins e máquinas extravagantes de funcionamento complicado são sempre marcantes em tal atmosfera.

A Alquimia

"A transmutação de qualquer metal em ouro e o elixir da longa vida são, na realidade, coisas minúsculas diante da compreensão do que somos. A alquimia é a busca do entendimento da natureza, a busca da sabedoria e a busca dos grandes conhecimentos. O alquimista é um andarilho a percorrer as estradas da vida".

A alquimia é uma prática antiga que combina elementos da Química, Antropologia, Astrologia, Magia, Filosofia, Metalurgia, Matemática, Misticismo e Religião. Seus segredos se constituem em adquirir conhecimentos das leis universais, penetrando numa dimensão espaço-tempo sagrada diferente do cotidiano materialista. Tem como principal objetivo compreender a natureza e reproduzir seus fenômenos em busca de uma ascensão a um estado superior de consciência. Um dos principais objetivos dos alquimistas em suas práticas de laboratório era reproduzir uma pedra filosofal (Lapis Philosophorum) com a qual poderiam transmutar qualquer metal inferior em ouro, criar a vida humana artificial a partir de materiais inanimados (os homúnculos) e obter o Elixir da Imortalidade, uma panacéia universal que curaria todas as doenças, prolongando a vida indefinidamente.

A alquimia possui mais atributos ligados à religião do que à ciência. Assim, ao contrário da ciência moderna (que busca descobrir o novo), a alquimia preocupa-se com os segredos do passado e em preservar um suposto conhecimento antigo. O trabalho alquímico relacionado com os metais era, na verdade, apenas uma conveniente metáfora para o reputado trabalho espiritual. Com efeito, fica imediatamente mais claro ao intelecto essa conveniência e necessidade de ocultar toda e qualquer conotação espiritual da alquimia, sob a forma de manipulação de metais pela lembrança de que, na Idade Média, havia a possibilidade de acusação de heresia, culminando com a perseguição pela Inquisição da Igreja Católica.

Como ciência oculta, a alquimia reveste-se de um aspecto desconhecido, oculto e místico. A própria transmutação dos metais é um exemplo. Para o alquimista, o universo todo tendia a um estado de perfeição. Como, tradicionalmente, o ouro era considerado o metal mais nobre, ele acabava por representar de fato essa condição. Assim, a transmutação dos metais inferiores em ouro representava o desejo do alquimista de auxiliar a natureza em sua obra, levando-a a um estado de maior perfeição. Trata-se de uma arte filosófica que busca ver o universo de uma outra forma, encontrando nele seu aspecto espiritual e superior.

No laboratório, com experimentos e constantes leituras e releituras nas várias etapas da transformação da matéria, os alquimistas vão gradativamente transformando a própria consciência. Antes do ouro metal, o alquimista buscava encontrar o ouro espiritual dentro de si. Para eles, encontrar a pedra filosofal significa descobrir o segredo da existência, um estado de perfeita harmonia física, mental e espiritual, a felicidade perfeita, descobrir os processos da natureza, da vida, e com isso recuperar a pureza primordial do homem que tanto se degradou na Terra. Portanto, a Grande Obra eleva o ser a mais alta perfeição: purifica o corpo, ilumina o espírito, desenvolve a inteligência a um ponto extraordinário e repara o temperamento. A pedra filosofal era gerada a partir da matéria prima primordial (além de outros compostos) no Ovo Filosófico, um recipiente redondo de cristal onde todos estes compostos vão sendo transformados, em várias etapas, sempre utilizando o forno. Este processo é freqüentemente definido como a gestação da pedra filosofal. Isto seria como reproduzir o que a natureza fez no princípio, quando só existia o caos, porém de maneira mais rápida, dando melhores condições para que ocorram as transformações. Portanto, a conclusão da Grande Obra, ou seja, o entendimento dos segredos alquímicos, significa adquirir os conhecimentos das leis universais penetrando numa dimensão espaço-tempo sagrada, diferente do cotidiano de todos.

A alquimia, além do aspecto espiritual, constituí claramente uma verdadeira ciência que tem como finalidade compreender a matéria e o cosmo, ou seja, o microcosmo e o macrocosmo, tentando reproduzir de forma mais rápida o que a natureza levou milênios para conseguir. Como qualquer área de conhecimento, a alquimia possuía uma linguagem própria. Para tentar transmitir conhecimentos que ainda não possuíam palavras específicas para serem expressados, os alquimistas acabavam utilizando termos conhecidos que indicavam uma idéia rudimentar sobre algum evento. Assim, utilizavam os termos Água, Terra, Ar e Fogo para explicar os quatro principais elementos, correlacionando-os respectivamente com o estados líquido, sólido, gasoso e a energia. O fogo simbolizava todos os tipos de energia, inclusive a energia imaterial dos corpos. O conceito de estado gasoso não era conhecido pelo ocidente até o século XVIII, com as pesquisas de Lavoisier. Isto demonstra o quanto os alquimistas estavam adiantados em relação aos sábios de seu tempo.

Os quatro elementos porém não eram suficientes para expressar todas as características, e assim os alquimistas adotaram os termos Enxofre, Mercúrio e o Sal para expressar os três princípios que, da mesma maneira que os quatro elementos, não representavam as substâncias mencionadas em si, mas sim suas propriedades materiais que poderiam ser retiradas ou acrescentadas às substâncias, possivelmente por reações químicas ou transmutações. Na natureza, a terra possuía 'sementes' que davam origem aos metais por um processo de evolução e aperfeiçoamento. Para a alquimia, todos os metais, com o tempo, iriam se transformar em ouro, este que traria o equilíbrio perfeito dos quatro elementos. Para eles, a Terra não teria matéria morta e todas as substâncias, animal, vegetal ou mineral, eram dotadas de vida e movimento, ou seja, possuíam suas energias características.

A prática alquímica, resumidamente, consiste em fazer com que a prima materia (matéria-prima primordial) elimine todas as suas impurezas (morte e renascimento), separando seus componentes (mercúrio e enxofre) e reunindo-os novamente por intermédio do sal, fixando os elementos voláteis que formarão a pedra filosofal. Seria como 'libertar o espírito por meio da matéria e a própria matéria por meio do espírito', ou ainda, fazer do fixo o volátil e do volátil o fixo.

O alquimista é uma peça fundamental nos experimentos, e não somente um simples observador. O experimento e o experimentador constituem algo único. Este ponto de vista do experimentador como participante está agora sendo retomado pela física quântica, alterando o termo observador para participante. Portanto, mesmo tendo o conhecimento prático do processo, se tiver perdido a pureza do espírito, a Grande Obra não poderá ser concluída.

Vários alquimistas relatam doze processos, em três etapas ou três obras, para a realização da Grande Obra que, contudo, não correspondem literalmente aos nomes conhecidos. São eles: Calcinação, Solução, Separação, Conjunção, Putrefação, Congelamento, Cibação, Sublimação, Fermentação, Exaltação, Multiplicação e Projeção.

A influência da alquimia fez com que Neil Peart designasse um símbolo alquímico para cada canção que conta a história de Clockwork Angels. São doze peças representadas em um relógio através de tais símbolos, e decidimos pesquisar o significado de cada um deles dentro do universo místico dessa antiga ciência:

12) Caravan - 5:40 (Cobre)

A canção Caravan abre o álbum Clockwork Angels. Ela traz o símbolo do elemento Cobre, que é um dos sete metais de alquimia e que surge na posição 12 do relógio da capa do álbum. O Cobre (e às vezes bronze ou latão) é associado com a operação de Conjunção e ao elemento terra. O símbolo para este elemento é também o símbolo planetário para Vênus, a Afrodite grega. Como tal, ele encarna características como amor, equilíbrio, beleza feminina e criação artística. O cobre é um metal avermelhado, com uma elevada condutividade elétrica e térmica. Entre os metais puros, à temperatura ambiente, apenas a prata tem maior condutividade elétrica. Ele pode ser o mais antigo metal em uso.

1) BU2B - 5:10 (Enxofre)

O Enxofre é uma das três substâncias divinas na alquimia. Representa paixão e é associado com a operação de fermentação. Durante a Idade Média, muitos alquimistas foram julgados pela Inquisição, e condenados à fogueira por alegado pacto com o diabo. Por isto, até os dias de hoje, este é associado ao demônio. O Enxofre é princípio ou elemento fundamental do processo alquímico, imprescindível para o alcance da sublimação da 'obra'. Ele recebeu inúmeros nomes alegóricos como Rei, Macho, Leão, Sapo, Fogo da Natureza, Graça do Solo, Sol dos Corpos, Banho da Sabedoria, Selo de Hermes, entre outros. É também reconhecido como 'espírito fétido', pelo cheiro que produz durante sua sublimação. Para um alquimista, a matéria é composta por três princípios fundamentais, Enxofre, Mercúrio e Sal, os quais poderão ser combinados em diversas proporções, para formar novos corpos.

2) Clockwork Angels - 7:31 (Recozimento - Purificação pelo fogo)

O recozimento, praticado na alquimia, é uma técnica que consiste no aquecimento ao qual os metais são sujeitos para se tornarem maleáveis e mais fáceis de serem trabalhados. Os metais são submetidos às mais diversas formas de pressão, o que os faz endurecer substancialmente, tornando-se bastante rígidos. Para que este se torne maleável é realizada sua exposição a uma temperatura elevadíssima, o chamado 'ponto de recozimento', no qual o mesmo recupera sua ordenação molecular inicial voltando ser possível trabalhá-lo e moldá-lo com facilidade.

3) The Anarchist - 6:52 (Mercúrio)

Ao lado do enxofre e do sal, o mercúrio era considerado na alquimia como um dos três elementos fundamentais. Numa alusão à obra divina da criação e ao projeto de redenção nela contido, o processo alquímico foi designado por 'Grande Obra'. Nesse processo, uma matéria inicial, misteriosa e caótica, chamada matéria prima, em que os opostos se encontram ainda inconciliáveis num conflito violento, deve ser transformada progressivamente num estado de libertação de harmonia perfeita, a 'Pedra Filosofal' redentora ou o Lapis Philosophorum: Primeiro, combinamos, em seguida decompomos, dissolvemos o decomposto, depuramos o dividido, juntamos o purificado e solidificamos.

Alquimistas buscavam aquecer o mercúrio com ácido nítrico para preparar o óxido de mercúrio. A reação produz um vapor vermelho espesso que paira sobre a superfície da solução, enquanto o óxido precipitava e caía para o fundo do líquido na forma de cristais vermelhos brilhantes. Acreditava-se que o mercúrio transcendia os estados líquido e sólido. Tal ação levava à crença sobre transitar em outras áreas, como transcender a vida e a morte, o céu e a terra.

4) Carnies - 4:52 (Inverno)

Temos aqui um símbolo antigo germânico para o inverno, segundo o calígrafo e artista tipográfico alemão Rudolf Koch. Muito similar ao utilizado para esta estação na alquimia, representa o tempo do descanso, da quietude, quando a energia é poupada, recolhida, condensada, conservada e armazenada. A água é um elemento muito concentrado, contendo um grande potencial, um grande poder esperando para ser liberado. No corpo humano esta está associada aos fluidos essenciais como os hormônios, os líquidos linfáticos, a medula, as enzimas, todos com grande potencial de energia. Para os alquimistas, sua cor é o preto ou o azul noite, a cor que contêm todas as outras cores de forma concentrada. Na natureza, a água evapora com o excesso de calor; nos seres humanos a energia da água dispersa pelo excesso de estresse e de emoções fortes. A forma de se conservar a energia da água é através da quietude e do repouso, é se manter 'frio'.

5) Halo Effect - 3:14 (Zinco)

As ligas metálicas de zinco têm sido utilizadas durante séculos - peças de latão datadas de 1000-1400 a.C. foram encontrados na Palestina , e outros objetos com até 87% de zinco foram encontrados na antiga região da Transilvânia. A principal aplicação do zinco - cerca de 50% do consumo anual - é na galvanização do aço ou ferro para protegê-los da corrosão, isto é, o zinco é utilizado como metal de sacrifício (tornando-se o ânodo de uma célula, ou seja, somente ele se oxidará). Ele também pode ser usado em protetores solares, em forma de óxido, pois tem a capacidade de barrar a radiação solar.

O zinco é um elemento químico essencial para a vida: intervém no metabolismo de proteínas e ácidos nucléicos, estimula a atividade de mais de 100 enzimas, colabora no bom funcionamento do sistema imunológico, é necessário para cicatrização dos ferimentos, intervém nas percepções do sabor e olfato e na síntese do ADN. Devido ao seu baixo ponto de fusão e reatividade química, este metal tende a evaporar-se, motivo pelo qual a verdadeira natureza do zinco não foi compreendida pelos antigos. Paracelso, condiscípulo de Agrippa, do alquimista Tritêmius, identificou o mesmo, sendo o pioneiro na utilização medicinal de seus compostos químicos.

6) Seven Cities of Gold - 6:32 (Sol)

O Sol é muito freqüente no uso de símbolos da astrologia na linguagem alquímica, sempre sendo associado ao ouro. Na alquimia, o Sol simboliza o princípio fixo da matéria, o enxofre macho que se encontra com mercúrio, fêmea lua. Os alquimistas denominam o Sol como a força invisível que favorece o fogo nativo do ser humano, a fonte de energia calórica que condiciona a temperatura do homem. O Sol alquímico está diretamente associado ao princípio ativo e fecundante do Universo. O doador da luz é também o princípio da vida, a energia vital. Esta obra realça, simbolicamente, a função iluminadora e curativa dos seus raios. Ideal para energizar ambientes que carecem de luz natural ou que necessitem de equilíbrio, harmonia e vitalidade.

7) The Wreckers - 5:01 (Aquário)

Os 12 Processos Alquímicos são considerados as bases nos Processos Químicos modernos. Cada um destes processos é 'dominado' ou 'regido' por um dos doze signos do Zodíaco Ocidental e, neste caso, Aquário refere-se a União através da Multiplicação.Os alquimistas acreditavam que o mundo material é composto por matéria-prima sob várias formas, sendo as primeiras classificadas como os quatro elementos (água, fogo, terra e ar) divididos entre as qualidades Úmido (representada principalmente pelo orvalho), Seco, Frio ou Quente. As qualidades dos elementos e suas eminentes proporções determinavam a forma de um objeto. Por isso, os alquimistas acreditavam ser possível a transmutação: transformar uma forma ou matéria em outra alterando as proporções dos elementos através dos processos de destilação, combustão, aquecimento e evaporação.

A alquimia está intimamente ligada com a astrologia de tradição sumério-grega, ambas se complementam na busca pelo conhecimento do oculto. A alquimia chinesa por sua vez, está associada com a astrologia deste país. Tradicionalmente, cada um dos sete planetas do sistema solar rege certo signo e se associa com certo metal. Isaac Newton foi um notável alquimista e, a seu tempo, sabia-se que a alquimia era impossível sem o conhecimento profundo da astrologia. O extenso De occulta Philosophia, do intelectual polemista e influente escritor do esoterismo da Renascença Heinrich Cornelius Agrippa (1486 - 1535), é baseado nesta profunda interligação e na visão do mundo como um todo integrado, onde a alquimia é a transformação interior à luz da astrologia.

8) Headlong Flight - 7:20 (Espagíria)

O símbolo aqui utilizado refere-se à espagíria, termo utilizado para fitoterapia, o estudo das plantas medicinais e suas aplicações na cura das doenças que utiliza técnicas alquimistas. Este processo envolve fermentações, destilações e extrações de componentes minerais de madeiras e plantas. A espagíria é a aplicação da arte da alquimia na preparação de tinturas vegetais e metálicas, assim como nos compostos minerais. Ela consiste em provocar uma evolução da matéria para a purificar e exaltar o que não é possível fazer sem longas e sutis operações que alguns autores antigos nunca revelaram claramente.

Espagíria, na terminologia grega, significa separar, dividir e coligar ou unir. A arte espagírica foi praticada desde os mais recuados tempos, florescendo nos principais núcleos de civilização conhecidos. As preparações espagíricas são baseadas em obras naturais da Geração Universal, pelas quais se pode extrair da matéria a sua quinta-essência, cuja constituição seria enobrecida de forma que pudessem ser assimiladas pelo ser humano. A tintura é uma simples maceração de uma planta medicinal num meio alcoólico, normalmente a 60 graus. A preparação espagírica abre a planta, isto é, separa alquimicamente os seus componentes primordiais, Mercúrio, Enxofre e Sal e, depois, volta a uni-los numa combinação íntima na Circulação. Mas, o grande Arcano vegetal é o Primeiro Ser vegetal ou a volatilização do Sal. Este é um dos segredos da espagíria vegetal que poucos artistas conhecem e os que a conhecem, conforme a tradição, nunca o revelam em linguagem clara.

9) BU2B2 - 1:28 (Netuno)

Isaac Newton foi um notável alquimista e, a seu tempo, sabia-se que a alquimia seria impossível sem o conhecimento profundo da astrologia. O extenso De occulta Philosophia, de Agrippa, é baseado nesta profunda interligação, e na visão do mundo como um todo integrado, onde a alquimia é a transformação interior à luz da astrologia. Urano, Netuno e Plutão ainda não foram descobertos sobre suas associações na alquimia, já que a descoberta dos planetas é relativamente recente.

Segundo a astrologia, Netuno, o planeta da ilusão e da iluminação espiritual, governa os oprimidos e abandonados, os desajustados da sociedade. Em um nível mais alto ele governa visionários, e aqueles que são glamourosos e carismáticos. Netuno representa a espiritualidade, misticismo e ideais. É, tal como a Terra, conhecido como o 'Planeta Azul', mas não devido à presença de água. Netuno recebeu o nome do deus romano dos mares.

Na mitologia grega, Netuno é conhecido como Posseidon, um dos principais deuses do Olimpo e o senhor do mar, dos rios e das fontes. Filho de Cronos (Saturno) e Cibele (Rea), em seu nascimento a mãe o escondeu na Arcádia, e fez o pai acreditar que teria dado a luz a um potro, que foi prontamente devorado por ele. Como comandava o movimento das águas salgadas e doces, os terremotos e as tempestades, ele promovia a segurança dos marinheiros, ou a destruição dos navios que os transportavam, de acordo com a sua vontade. Irmão de Hera (Juno), Hades (Plutão), Zeus (ou Júpiter, para os romanos), deus supremo dos helenos, Posseidon morava em um palácio de ouro construído no fundo do mar, costumando percorrer os seus domínios em uma carruagem também de ouro, atrelada a cavalos que corriam velozmente pela superfície dos mares e oceanos, levando consigo o tridente - uma lança terminada em três pontas -, com a qual podia provocar terremotos na terra.

Violento e irascível, ele vivia em constante discussão com os demais deuses, e às vezes, ao irritar-se além do que lhe era normal, sacudia o mundo de forma tão violenta que Plutão, governador de Hades, o domínio da morte, chegava a abandonar seu trono receoso de que tudo caísse sobre ele. Segundo a tradição, Posseidon pretendia para si a cidade de Atenas, mas esse também era o desejo da deusa Atena (Minerva). Diante do impasse, os deuses decidiram que o lugar pertenceria a quem oferecesse aos mortais o presente de maior utilidade: Posseidon criou o cavalo, Atena, a oliveira, e com isso ela ganhou a posse da famosa cidade. Outras disputas suas foi com o Sol, por Corinto, com Juno, por Micenas, mas também perdendo as duas acabou sendo patrono de Tróia, cujos muros teria levantado.

Entre as suas aventuras amorosas incluem-se o relacionamento com Medusa, então uma bela donzela, mas que por causa desse romance fugaz foi transformada na horrível criatura morta por Perseu, e de cujo sangue surgiu Pégaso, o cavalo alado; e também a conquista da divindade Deméter (Ceres), que para escapar do conquistador transformou-se em égua. Mas este a descobriu, disfarçou-se em garanhão e fez com que a deusa gerasse Arion, o maravilhoso cavalo falante. Além dessas aventuras amorosas, nas quais geralmente se metamorfoseava em algo para alcançar seus objetivos, ele se transformou em rio, o Enipeu, para conquistar Ifiomédia, de quem teve Ifiaktes e Oto; em carneiro, para amar Bisaltis. Outros descendentes de Posseidon foram Tritão, o gigante Orion, Polifemo e Ciclope.

Sua esposa era a deusa do mar Anfitrite, filha de Nereu e de Doris, que tendo se recusado a desposá-lo foi convencida por um golfinho a concordar com o casamento. Ela não sofria passivamente com as infidelidades de seu marido, causando muitos dissabores às amantes que ele arranjava. Um exemplo foi Cila, filha de Fórcis, que pela simples adição de ervas em um banho foi por ela transformada num monstro horrível, com seis cabeças e doze patas. Mãe de Tritão e de inúmeras ninfas, ela normalmente é representada num carro em forma de concha, sobre as ondas, puxado por golfinhos, ou cavalos-marinhos.

Os romanos o identificavam como Netuno, e as Netunálias, festas celebradas em sua honra, estão registradas nos calendários mais antigos. A data escolhida para essas comemorações era o dia 23 de julho, no templo existente no Circo Flaminio, em Roma, onde o deus era representado como um velho forte e barbado, com o tridente na mão, e acompanhado também por golfinhos ou cavalos-marinhos.

Ele é representando geralmente nu, com uma longa barba e um tridente na mão, ora sentado, ora em pé sobre as ondas, muitas vezes em uma biga puxada por cavalos-marinhos, cuja parte inferior do corpo termina numa cauda de peixe.

10) Wish Them Well - 5:25 (Ouro)

Essa canção é representada por um dos símbolos utilizados para designar o ouro alquímico. A ideia da transformação de metais em ouro na alquimia está diretamente ligada a uma metáfora de mudança de consicência. A pedra seria a mente 'ignorante' que é transformada em 'ouro', ou seja, sabedoria.

Existem três objetivos principais na prática alquímica. Um deles seria a transmutação dos metais inferiores ao ouro, o outro a obtenção do Elixir da Longa Vida, um remédio que curaria todas as coisas e daria vida longa àqueles que o ingerissem, e o terceiro objetivo era criar vida humana artificial, os homunculus.

O ouro é um dos sete metais alquímicos, ao lado da prata, mercúrio, cobre, chumbo, ferro e estanho. Para o alquimista, ele representa a perfeição de toda a matéria em qualquer nível, seja da mente, do espírito e da alma. Este símbolo também representa o Sol na astrologia.

A própria transmutação dos metais é um exemplo deste aspecto místico da alquimia. Para o alquimista, o universo todo tendia a um estado de perfeição. Como, tradicionalmente, o ouro era considerado o metal mais nobre, ele representava esta perfeição. Assim, a transmutação dos metais inferiores em ouro representava o desejo do alquimista de auxiliar a natureza em sua obra, levando-a a um estado de maior perfeição.

Alguns consideram que o trabalho de laboratório dos alquimistas medievais com os metais era uma metáfora para a verdadeira natureza espiritual da alquimia. Assim, a transformação dos metais em ouro pode ser interpretada como uma transformação de si próprio, de um estado inferior para um estado espiritual superior. Outros consideram que as operações alquímicas e a transmutação do operador ocorrem em paralelo.

11 – The Garden - 6:59 (Terra)

A Terra, ao lado do Ar, do Fogo e da água é classificada como um dos quatro elementos alquímicos básicos. O mundo é como um grande organismo (macrocosmo), enquanto o homem é um pequeno mundo (microcosmo). Esta é uma das interpretações de uma das mais famosas frases alquimistas: "O que está em cima é como o que está em baixo". O próprio laboratório do alquimista é um microcosmo onde ele tenta reproduzir, de maneira mais acelerada, um processo semelhante ao da criação do mundo.

Toda matéria (por matéria fica entendido tudo que existe no universo, até mesmo a energia pode estar revestida pela matéria) é constituída de uma mesma unidade comum a todas as substâncias. A partir desta 'semente' pode-se produzir infinitas combinações e infinitas substâncias. O símbolo alquímico do ouroboros, que é a figura de uma serpente mordendo a própria calda formando um círculo (marcante no álbum Snakes & Arrows, de 2007), representa estas constantes transformações em que nada desaparece nem é criado, tudo é transformado como o princípio da conservação de energia, ou primeira lei da termodinâmica, postulado muito tempo depois.

Os alquimistas procuram reduzir a matéria à unidade comum, que não são os átomos, para assim poderem reestruturá-la, tornando possível a transmutação. Esta unidade da matéria constitui tudo que existe, desde os átomos que se combinam para formar as moléculas e estas irão formar outras substâncias mais complexas, os organismos até os planetas que formam os sistemas e galáxias. Portanto, todas as coisas possuem a mesma unidade fundamental, este é o postulado fundamental da alquimia "Omnia in unum" (Tudo em Um).

O caos primordial que deu origem ao universo é comparado no reino mineral à matéria-prima, que é uma massa em estado de desordem que dará origem à pedra filosofal.

Para os alquimistas, a partir das operações que se efetuavam com os quatro elementos conseguia-se destilar o quinto elemento, a Quinta-essência, ou seja, o objetivo da Obra, a Pedra Filosofal. Esta teria a propriedade de transmutar os metais comuns no metal nobre, o Ouro. Fazendo um paralelo com o trabalho de individuação de Jung podemos dizer que através do processo de desenvolvimento da personalidade, vamos refinando o uso de nossas funções psíquicas com o objetivo de atingir a integração com a totalidade, representada pelo Self, a nossa Pedra Filosofal, o Ouro interior.

Aqui temos o símbolo do elemento Terra, a função psíquica sensação e a operação alquímica Coagulatio. A Coagulatio é o terreno da Ação, da Praxis, do concreto e objetivo. Coagular é concretizar, tornar matéria. Falamos aqui da estrutura firme e sólida que dá fundamento à personalidade, aquilo que possibilita a construção do ego. O ego saudável tem raízes firmes na sua vida instintiva, não nega suas necessidades básicas de fome, sexo, ação (agressividade adequada), tem uma conexão viva com seu desejo e busca sua realização efetiva no mundo.

A função sensação diz respeito ao mundo dos sentidos e à possibilidade de desfrutá-los (sensualidade): sentir todos os odores, cores, texturas, paladares e com isso aprofundar a vivência do mundo interno e externo. Isso quer dizer, estar na vida com os pés no chão, sem evitar a realidade com todas as suas alegrias e tristezas, aceitar o desafio de estar no mundo e agir em conseqüência.

A possibilidade de expressar a si mesmo através das ações concretas no mundo é muito importante para o desenvolvimento do ego. Esse aprendizado se dá também através da aceitação dos limites que toda concretização proporciona. Para transmutar e transcender a condição material transitória devemos primeiro conhecê-la e realizá-la completamente.

Assim, a Coagulatio se liga também ao princípio feminino, a Terra, que como útero acolhedor propicia a encarnação e concretização de nossas energias vitais e dos valores e ideais abstratos. A Sabedoria, a Verdade, a Justiça, o Belo, a Compaixão, etc., são arquétipos que precisam ser encarnados na nossa vida cotidiana.

Outras considerações

O símbolo que substitui a letra 'U' no logo do Rush para Clockwork Angels refere-se a almagamação, um processo que consiste numa liga metálica formada pela reação do mercúrio com outro metal. Praticamente todos os metais formam amálgamas com mercúrio, sendo exceções o ferro e a platina. Amalgama, na Alquimia tradicional, é mistura da Prima Materia com Sal (corpo), Enxofre (espírito) e Mercúrio (o mensageiro), para a sublimação dos metais pobres na Pedra Filosofal.

E ainda:

Se observarmos, o relógio da capa do álbum aponta 9:12 (ou 21:12). Somando a extensão das canções de 9 a 12, encontraremos o seguinte:

9. Headlong Flight (7:20) + 10. BU2B2 (1:28) + 11. Wish Them Well (5:25) + 12. The Garden (6:59) = 21:12

O símbolo no local do '9' no relógio refere-se a Netuno (Neptune), justamente o escolhido por Peart para integrar seu site oficial. A motivação: NEP (Neil Ellwood Peart) + TUNE (melodia, música).

http://rushfaclubebr.blogspot.com.br/2012/04/os-simbolismos-de-clockwork-angels.html

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