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BEM VINDOS AO BLOG DO SÃO ROCK


Nossa História

Em junho de 2005, seis amigos se reuniram para comemorar seus aniversários, que por coincidência dos deuses do rock, eram todos na mesma semana. Resolveram chamar a banda de um amigo de Crato (Michel Macêdo, da Glory Fate). Também chamaram duas bandas locais (SKP e ET Heads), e fizeram a trilha sonora desta festa, que a princípio era exclusiva a aniversariantes e seus amigos. Sem querer, nascia ali o festival SÃO ROCK – o dia em que o rock foi pro brejo!
O sucesso da primeira edição obrigou uma continuação. Dois anos depois, já em 2007, veio a segunda edição, agora com a participação de bandas de Fortaleza, e aberto ao público. O sucesso consolidou o evento, e perpetuou essa data no calendário do rock cearense.
Pelo festival já passaram nomes de peso no cenário cearense, como Artur Menezes, Felipe Cazaux, Caco de Vidro, banda One, Killer Queen, Glory Fate, Zeppelin Blues, Renegados, banda Void e tantos outros que abrilhantaram noites inesquecíveis, regadas à amizade, alegria e o bom e velho rock´n´roll.
Hoje, o que se iniciou com um simples aniversário, tomou enormes proporções, estendendo seus ramos, diversificando os estilos e abrindo espaço para mais e mais bandas que querem mostrar seu talento em nossa terra. Agora são duas noites de festival, além da Caldeira do Rock, que leva bandas alternativas para a praça pública, numa celebração maravilhosa, onde congregamos amigos de todas as cidades circunvizinhas e de outros estados, irmanados pelo amor ao rock.
Não para por aí. Queremos tornar o São Rock uma marca que não promova apenas um festival anual, mas que seja um verdadeiro tablado que promova eventos de rock durante todo o ano! Assim, poderemos desfrutar do convívio saudável e também marcar nossa presença, dizer que temos voz e vez, numa cultura tão massificada por músicas desprezíveis e por gêneros impostos ao povo! Fomos, somos e sempre seremos roqueiros!
Portanto, venha participar dessa irmandade, apóie, divulgue, patrocine essa idéia, e seja mais um que ajuda a construir esse espaço!

Esse é o BLOG oficial do festival SÃO ROCK, que ocorre todo ano em Brejo Santo - Ceará. Criado "acidentalmente" por aniversariantes que comemoram na mesma semana e que se uniram para fazer uma única celebração voltada ao nosso gosto músical o ROCK. Além disso o blog divulga noticias e eventos nacionais e internacionais, além de ajudar na promoção cultural da região. Sobre tudo é uma apologia a amizade.




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sábado, 15 de outubro de 2011

ROCK EM GERAL: U2: assistimos à premiere do documentário e contamos pra você


Do quase fim, o início

Com bom humor, documentário mostra como, há 20 anos, o U2 teve que zerar o passado de sucesso para continuar como uma das maiores bandas do planeta. Fotos: Divulgação.

u2filmeSe existiu um momento em que o U2 quase acabou de verdade, foi durante a preparação e gravação do álbum “Achtung Baby”, cujo lançamento completa 20 anos agora. É o que diz o líder do grupo, Bono Vox, no documentário “From The Sky Down”, de Davis Guggenheim (“Uma Verdade Inconveniente”). O filme teve pré-estreia nessa madrugada (15/10), no Festival do Rio. O longa tenta explicar como, para superar as dificuldades de uma banda que se tornou gigante, global e americanizada, Bono e seus acólitos tiveram que por um fim numa trajetória para iniciar outra, o que resultou na mudança radical que o mundo conheceu através do irregular – hoje clássico - “Achtung Baby”. O artifício certamente foi usado ao menos uma vez mais pelo U2, entre os álbuns “Pop” (1997) e “All That You Can’t Leave Behind” (2000). Mas isso já é outra história.
O filme foi feito a partir do convite para o U2 se apresentar este ano no Glastonbury, o mamútico festival britânico, o que levou a banda a tocar num evento desse tipo (deixando de lado a parafernália própria que o Brasil viu emtrês shows em abril) pela primeira vez desde quando era uma iniciante, na década de 80. Na verdade, o U2 só não tocou no Glasto em 2010 porque as costas de Bono travaram e ele teve que ser operado às pressas. O filme começa e termina com os quatro U2s se preparando para entrar no palco do festival, e é composto, basicamente, por depoimentos tomados de cada um deles, que, em off, se transformam numa narração para as imagens, inéditas e/ou recuperadas. O que, às vezes, pode confundir o espectador que não conseguir diferenciar as vozes de um e de outro; Bono e The Edge – claro – são os que falam mais.
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Convidados pelo diretor, o grupo volta ao Hansa Studios, em Berlim, onde se malocou, seguindo exemplo de David Bowie e Iggy Pop, para parir o novo álbum. As imagens recuperadas da cidade na época, pós-queda do muro, junto com a narração, dão um contorno próprio à história, recheada de bom humor pelo diretor, o que garante certa leveza a temas nem sempre atraentes. Animações quase rascunhadas são inseridas, por exemplo, quando Bono explica que, dependendo do estado emocional, a guitarra de The Edge, nos ensaios, pode soar terrivelmente estridente, arrancando gargalhadas do público. Participam da empreitada produtores de longa da do U2, como Brian Eno e Daniel Lanois, e Flood, convocado para “desamericanizar” e “dar uma cara moderna” ao U2, além do perene empresário Paul McGuiness.
O documentário não é focado somente na gravação do disco, tampouco se prende fielmente a detalhes técnicos, como acontece na fantástica série “Classic Albums”, que, inclusive, empresta cenas ao filme. Mas mostra uma banda, em princípio sem rumo, que, curiosamente, se reencontra na feitura de “One”, uma das melhores músicas do U2 em todos os tempos. A canção nasceu de outra música, uma sequência repetitiva de acordes da qual The Edge se tornara prisioneiro e de onde só conseguiu sair com a ajuda de Bono. O vocalista, no início da fita, exagera ao se considerar um gênio que, já aos sete, oito anos, tinha a noção de que guardava na caixola todas as melodias que usaria no U2. Será?
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A gravação do disco é contextualizada com histórias do início da banda, com um espetáculo de imagens recuperadas dos integrantes bem novinhos. E ainda com os exageros que resultaram na turnê anterior e no filme “Rattle And Hum”, quando o U2 se transformou na maior banda do mundo. No último show da turnê, na noite de Ano-novo, Bono se despede da plateia como quem dá adeus à banda. O auge do bom humor acontece quando a separação de várias bandas clássicas, incluindo PolicePink FloydJudas Priest e Rolling Stones, é tomada como espelho para o iminente fim do U2. Fotos das bandas têm os integrantes que saíram (ou foram “saídos”) “rasgados” na tela, revelando o motivo da separação. O público delira, mesmo que as legendas não consigam acompanhar a velocidade da boa edição.
“From The Sky Down” é um filme sobre banda, feito para quem gosta de histórias de banda, mas, por conta da leveza e do bom humor de Davis Guggenheim, e mesmo dos U2s, pode sem atraente para qualquer não iniciado. Mesmo porque, a essa altura, não há, na face da terra, quem nunca tenha ouvido falar do U2 nos últimos 35 anos.
Não há informações sobre a entrada do filme em circuito ou sobre novas exibições no Brasil, mas a expectativa é de que ele faça parte da 35ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que acontece a partir do próximo dia 21. “From The Sky Down” também deve ser inserido na programação de canais à cabo, logo, logo. Clique aqui para assistir ao trailer.
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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Megadeth lança single do novo álbum: “Public Enemy No. 1″ está em “Th1rt3en”


megadethpublicO single “Public Enemy No. 1″, do Megadeth, foi lançado  e pode ser escutado nesse endereço. A música já é conhecida, por causa de uma versão gravada ao vivo em um show realizado em julho, em Hamburgo, na Alemanha. Outra música conhecida é “Sudden Death”, composta para um videogame, que cuja íntegra está nesse outro endereço. As duas fazem parte do novo álbum do grupo, “Th1rt3en”, produzido por Johnny K e que vai ser lançado no dia 31 de outubro. Veja abaixo o track list do CD:


1- Sudden Death
2- Public Enemy No. 1
3- Whose Life (Is It Anyways?)
4- We the People
5- Guns, Drugs & Money
6- Never Dead
7- New World Order
8- Fast Lane
9- Black Swan
10- Wrecker
11- Millennium of the Blind
12- Deadly Nightshade
13- 13

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Rock In Rio: esquema de vendas de ingressos vai mudar

 

Vice-presidente do festival vai optar postos de vendas diferentes em 2013

O esquema de venda de ingressos para o Rock In Rio causou longas filas e não agradou à produção do festival. Tanto que a Vice-presidente Roberta Medina já admite mudanças para a próxima edição. “Sem dúvida alguma mudaremos muito para 2013. Trabalharemos com locais de venda com vários pontos de atendimento e vamos optar por locais mais amplos e preparados para grandes vendas, como foi o caso das bilheterias do Engenhão”, declarou Medina, em entrevista exclusiva a este Rock em Geral.
O Rock In Rio tem capacidade para receber 100 mil pessoas por dia e acontece nos dias 23, 24, 25 e 30 de setembro e 1 e 2 de outubro de 2011, no Parque Olímpico Cidade do Rock, na Barra da Tijuca (Av. Salvador Allende, s/n). Todos os ingressos estão esgotados.

 

Fundadores da Plebe Rude são condecorados em Brasília

Philippe Seabra e André X agora são “Cidadãos Honorários” da cidade


O guitarrista/vocalista Philippe Seabra e o baixista André X, da Plebe Rude, foram condecorados em Brasília, no mês de abril. Ambos, que chegaram a ser presos na década de 80, por conta das letras de caráter político (no famoso episódio de Patos de Minas), ganharam o título de “Cidadãos Honorários de Brasília”, na Câmara Legislativa da cidade.
“(O título) foi dado numa homenagem aos 30 anos da banda e aos 25 anos do “Concreto Já Rachou” (que foi o primeiro disco de ouro do rock de Brasília). E isso vindo do governo que criticamos tanto”, comenta Phillipe Seabra, em entrevistas exclusiva ao site Rock em Geral. “O Deputado Professor Israel nos confidenciou que ficou com medo de a gente recusar, mas o reconhecimento pela obra e o posicionamento nos deixaram muito orgulhosos”, completou. Leia a entrevista completa, incluindo a íntegra do disrcurso lido na cerimônia.

Sem os dramas do passado

Com formação estável, Plebe Rude lança primeiro DVD, incluindo a íntegra do clássico “O Concreto Já Rachou”; membros fundadores são condecorados como “Cidadãos Honorários de Brasília”. Fotos: Nicolau El Moor/Divulgação (1, 2 e 3) e Camila Maxi/Reprodução internet (4).

Philippe Seabra, André X, Txotxa e Clemente: a renovada Plebe rude na velha e inseparável Brasília
Philippe Seabra, André X, Txotxa e Clemente: a renovada Plebe Rude na velha e inseparável Brasília
O tempo passa, o tempo voa e a Plebe Rude - quem diria – foi condecorada numa das casas do poder de Brasília, alvo principal (até no logotipo) das letras ácidas que ajudaram a moldar o punk nacional na década de 80. A cidade, título de uma das músicas do lapidar álbum “O Concreto Já Rachou”, um ícone da época, é pano de fundo para a gravação do primeiro DVD do grupo, “Rachando Concreto – Ao Vivo em Brasília”. O vídeo consolida a nova formação, com Clemente (ele mesmo, líder de outro símbolo punk, o Inocentes), numa das guitarras, e o baterista Txotxa, além dos “honorários” Philippe Seabra, na outra guitarra, e André X, no baixo. Embora tenha andado um pouco sumida dos palcos – a banda fez poucos shows para divulgar o bom “R ao Contrário”, lançado em 2006, encartado na Revista Outracoisa – a Plebe parece sair de um congelamento voluntário em grande forma. O que não chega a ser surpresa, uma vez que o grupo sempre fez do palco sua morada principal; quem já viu o quarteto tocando ao vivo, não esquece jamais. Quem viu há 25 anos, então, quando “O Concreto Já Rachou” foi lançado, tem a oportunidade de rever o grupo tocando todas as sete músicas do EP, que pela pecha de coletivo de sucessos podemos chamar de primeiro álbum nesse jubileu de prata. Você pode não se dar conta, mas se viveu a década de 80, sabe cantar todas as sete músicas do disco, mesmo sem querer.
Não é só isso. As belas imagens registradas em alta definição às margens do Lago Paranoá, as seis faixas de “R ao Contrário” e uma inédita incluídas no repertório do show apontam para uma Plebe crescida, madura e - mais do que isso - necessária ao rock nacional, numa época em que há carência de forma e conteúdo. E nessa entrevista exclusiva feita por e-mail com Philippe Seabra, as notícias são boas. O grupo pretende lançar um novo álbum no ano que vem, com material inédito da “boa e velha Plebe”; está previsto o resgate de imagens para o lançamento de um DVD histórico; e a volta ao mercado de “O Concreto Já Rachou” e do jovem “R ao Contrário”. De quebra, O líder do grupo avalia a atual geração do rock nacional, sempre mantendo uma atitude questionadora, e fala do trabalho como produtor em Brasília. Com vocês, “Sir Philippe”:
Rock em Geral: Como veio à tona a ideia de gravar esse DVD num lugar aberto, e às margens do Lago Paranoá? Fale mais sobre o evento “Sonho de Dom Bosco”, no qual o show foi gravado e da viabilização das condições técnicas para a gravação do DVD:
Philippe Seabra: Sempre quisemos fazer o show do DVD ao ar livre. Adoro shows assim e Brasília tem um fenômeno climático bastante típico do cerrado, uma estiagem que dura meses. Aí ficaria fácil, sem ter que se preocupar com chuva ou mau tempo atrapalhando a filmagem. Mas todo o levante da produção, que não foi pouco trabalho, estava começando a demorar. Logística, patrocínio, autorizações, ensaios, repertório, produção musical, direção, cenário, pirotecnia… e a janela da seca estava começando fechar. Mas conseguimos marcar a gravação antes que as chuvas viessem e deu tudo certo. Em termos do cenário, afinal seria o primeiro DVD da banda, não queríamos um telão led atrás. Em todo festival em que tocamos, mainstream ou independente, há um bendito telão atrás e, cá pra nós, fica tudo igual. E todo DVD lançado no mercado também. Queríamos algo simples, porém deslumbrante; então resolvemos usar apenas o por do sol de Brasília. Barato, eficiente, e ecologicamente correto. O palco seria completamente vazado, e sem a ameaça de chuva, a logística seria bem mais fácil. A ideia era também mostrar como Brasília influenciou a banda, com o Lago Paranoá e o Congresso Nacional, mas de costas, no fundo. Convenhamos: muita coisa que saiu daquele prédio serviu de inspiração pra gente, então nada mais adequado. O “Sonho de Dom Bosco” era um evento esportivo gratuito que riria rolar justamente na época prevista para a filmagem. Longe de a Plebe ter sido algo com o que o Dom Bosco tivesse sonhado, provavelmente fossemos mais para o lado do seu pior pesadelo. Mas juntamos forças e a produção local atendeu todas as nossas exigências. O design do palco foi meu, grande o suficiente para dar espaço para a movimentação da banda (ainda mais para o “tô com formiga nas calças” Clemente), mas íntimo o suficiente para manter a banda próxima do público. Tinha três passarelas a uma altura perfeita para que pudéssemos andar por entre “os plebeus”, que não atrapalharia a visão deles, mas que ficassem escondidas das câmeras, nove delas captando em Full HD. Vieram fãs de vários lugares do Brasil os presenteamos com o acesso ao “snake pit”, nos dois fossos entre as passarelas. Esses fãs aparecem bastante no DVD e tenho certeza que eles ficaram contentes.
REG: É possível estabelecer um paralelo entre “Rachando Concreto” com o disco “Enquanto a Trégua Não Vem”, que é o último registro ao vivo da Plebe, lançado em 2000? Como você avalia as diferenças desses dois períodos?
Philippe: Sempre nos perguntam isso, mas é muito difícil comparar as duas eras. Entre todas as bandas da década de 80 que conseguiram disco de ouro, que chegaram a um patamar estável e conhecido, a Plebe foi a única que realmente acabou. Nós vimos vários colegas passando por altos e baixos, boas e más marés, mas não acabaram. Só a Legião, claro, mas este já estava meio parado antes da morte do Renato, que estava mais focado nos discos solos. Em 2000, quando tentamos juntar a formação original (o disco foi gravado no final de 1999) para a excursão do “Enquanto a Trégua Não Vem”, muitos dos problemas do passado voltaram. Mas curiosamente não eram “diferenças musicais”, era coisa de personalidade mesmo. E um bocado de intransigência. Acho que o CD retrata a banda naquele momento no espaço/tempo, mas é bom, apesar de não gostar muito da qualidade de áudio. Também não foi gravado com muita atenção pela EMI… De novo a EMI na jogada. O Herbert (Vianna, que produziu o disco) fez o que pôde, mas o clima interno na banda não ajudou muito. Ele quase largou o projeto. Chegamos a fazer vários shows na formação original, mas resolvemos parar de novo lá para 2002, fazendo apresentações bem esporádicas, mas com outro baterista. Foi só em 2004, quando o Jander nos falou que não queria mais ficar na banda (coisa que já sabia há tempos), é que pintou a ideia de chamar o Clemente para um show no Circo Voador. A banda estava num hiato quando rolou o convite (com o The Queers abrindo) e resolvemos aceitar só para ver o que acontecia. Mandei as cifras e um CD com os arranjos para o Clemente, que morava em São Paulo, e nos encontramos na passagem de som. Não estou brincando, praticamente foi sem ensaio! Na hora do show, na primeira música, “Brasília”, não sabíamos exatamente o que esperar, mas o ânimo e pique do Clemente contagiou a todos e estamos até hoje, felizes da vida, com um clima de banda que lembra o dos primórdios da Plebe em Brasília. Estou cansado de drama, e o que não faltou a essa banda foi drama. Mas quem assistir ao DVD vai ver a banda do jeito que sempre deveria ter sido. Sinto que merecemos isso… Esse é o meu lema hoje em dia, “Chega de drama!”
REG: Embora a força da Plebe Rude esteja no palco, vocês não fizeram muitos shows depois do lançamento do disco mais recente, o “R ao Contrário”. A que se deve essa parada?
Philippe: Sem comentários.
Clemente, Txotxa e André: a força da Plebe Rude ao vivo e um barquinho passando no lago, ao fundo
Clemente, Txotxa e André: a força da Plebe Rude ao vivo e um barquinho passando no lago, ao fundo
REG: Mesmo assim, há várias músicas desse disco no repertório do DVD, que ficaram muito boas ao vivo. Seria um disco ainda a ser mais trabalhado ou já deu o que tinha que dar? Philippe: No DVD, talvez um pouco em virtude do disco não ter sido divulgado como deveria, resolvemos incluir seis faixas do “R”. Mas na verdade também fizemos essa questão para salientar ainda mais essa fase mais recente com o Clemente. Estamos negociando para relançar o “R ao Contrário” também. Gostamos muito do disco e representa muito bem essa fase nova da banda. A música “Tudo Que Poderia Ser”, no DVD, poderia ter sido do “R ao Contrário” sem destoar.
REG: Essa música é única inédita no DVD. É do tempo do “R ao Contrário” ou mais recente?
Philippe: Ela é Plebe zerada, de 2009, e deve apontar o caminho da nova leva de músicas, já com o Clemente na banda, que temos na manga. Tínhamos várias canções para escolher para ser a “inédita” do DVD, mas “Tudo Que Poderia Ser” pareceu o mais adequado. Não foi escolhida por causa do refrão, ou pelo potencial radiofônico. Nada disso. Não pensamos desse jeito, nem a acho “comercial”, muito ao contrário. Mas representa essa fase da banda. Lembra que o Clem - do qual chamo o “Clem de la Clem”- entrou quando o “R ao Contrário” estava praticamente todo pronto, mas ainda deu para ele imprimir sua cara. Ele até sola no disco. Mas com essa música, estamos relembrando as pessoas que ainda valem a pena ter princípios nesse país. As coisas são o que são, e nós somos desse jeito mesmo. Temos um certo romantismo em relação à coerência. Coerência nos atos, nos pensamentos, na história e, consequentemente, na música. Por mais que alguns “colegas” nossos falem para a gente facilitar uma música para rádio e que deveríamos nos reinventar, não os damos ouvidos - não vou poder citar nomes, mas acho que você não ficaria tão surpreso se citasse. Aliás, que bom que ainda existem bandas que não abaixam a cabeça para o mercado. Sim, a banda já sofreu muito com isso, pois não é fácil ser artista coerente no Brasil. Brigas com gravadora, boicote de radio, desprezo pelo catálogo… Brasília, nos primórdios do rock candango, nos forçou a ser assim e não vai ser mudança de governo, moeda, tendência nem formato que vai mudar isso. Sim, passamos por muito. Mas eu não troco por nada. Por isso que a banda tem o respeito das pessoas.
REG: É a primeira vez, desde a época em que o disco foi lançado, que vocês tocam todas as músicas do “O Concreto Já Rachou” num show, mas optaram por não executá-las na ordem em que elas aparecem no disco. Pensam em fazer dessa forma para um registro futuro?
Philippe: É claro no começo da carreira o disco era tocada na íntegra. Mas com o acúmulo do repertório, “Seu Jogo” aparecia raramente, e eventualmente a paramos de tocar. Mas com o aniversário de 25 anos do disco, e como muitos fãs pediam a música, por que não? Acho que eu posso cantá-la com mais propriedade, já que sou careta (a música trata de drogas). Estamos negociando o relançamento de “O Concreto Já Rachou” num pacote comemorativo, incluindo um DVD do making of, no estilo do “Classic Albums”. Em qualquer país sério esse disco estaria disponível. Foram decisões como essa que ajudaram a afundar de vez a indústria fonográfica. Se não tivesse vendido ou se não houvesse demanda, tudo bem, mas…
REG: Havia a expectativa de os extras do DVD trazerem imagens históricas como a do filme “Ascensão e Queda de Quatro Rudes Plebeus” ou mesmo gravações de músicas do início do grupo, como “Dança do Semáforo”. Isso chegou a ser cogitado ou vocês pensam em resgatar a memória da Plebe em outro DVD?
Philippe: Estamos juntando material antigo, jamais visto, para fazer um documentário. O Zé Eduardo, premiado cineasta dos longas “A Concepção” e “Se Nada Mais Der Certo”, foi bastante gentil em nos ceder muito material que foi gravado, e em película, na volta da banda, em 2000. Cenas de show e entrevistas. Isso, mais o nosso acervo, e depoimentos de pessoas chaves que participaram e/ou acompanharam de perto a evolução da banda, e depoimentos nossos, darão um baita DVD. Curiosamente o riff de “Dança do Semáforo” está sendo aproveitada numa música nova. Bem no estilo de rock inglês, posso adiantar… Não tem jeito, o pós punk inglês ainda esta na veia!
REG: A versão em inglês para “A Ida” (“The Wake”) aparece nos extras, no clipe da música. Por que ficou de fora da gravação do dia do show, já que aparecem imagens ao vivo no clipe?
Philippe: Aquilo foi feito para divulgar o filme “Federal”, de Erik de Castro. O Erik sabia do meu envolvimento passado com produção de trilha de cinema e entrou em contato querendo uma música para por no seu filme. Lhe mostrei várias coisas, mas quando ele ouviu essa versão de “The Wake” ele pirou e imediatamente a colocou no filme. Acabei virando o produtor musical do filme também. Para “The Wake”, usamos as imagens somente para o clipe. É um presente a mais para os Plebeus nos “extras”.
REG: Que narração é aquela que aparece em “Seu Jogo”?
Philippe: É a nossa homenagem ao Alborghetti, repórter policial e deputado paranaense, já falecido. Ele ficou famoso descendo o cassetete (literalmente) na mesa enquanto expressava sua raiva por causa das tragédias que relatava. Ele tinha perdido um filho para o vício, e como a música “Seu Jogo” foi feita em homenagem ao grande amigo e fundador do Aborto (Elétrico, banda pré-Legião Urbana), André Pretorius, que também faleceu vitima de overdose, achamos bastante apropriado.
REG: Todas as músicas que vocês gravaram no show entraram no DVD ou ficou alguma de fora? Há muitas, digamos, sobras?
Philippe: Não. Por causa do formato do show, seguindo o anoitecer do por do sol, cada música foi posicionada no repertório para corresponder ao clima do “cenário”. Tanto que um dos momentos mais lindos é quando o sol está quase desaparecido, em “Este Ano”. Foi tudo cronometrado e o diretor teve que parar a filmagem entre várias músicas para acompanhar o por do sol. Mas isso não esfriou o ânimo dos Plebeus no “snake pit”.
REG: Foi cogitada a participação, como convidados, dos ex-integrantes Jander Bilaphra e Gutje? A relação entre vocês é boa?
Philippe: Não queríamos nenhum convidado. É o nosso primeiro DVD e queríamos mostrar a banda sem artifícios, sem nada. Só a boa e velha Plebe. Com o Gutje não temos contato, pois esta morando no sul, mas o Jander, outro dia, num show que fizemos com Nando Reis (ele é da equipe técnica) foi ao camarim e estava bem tranquilo, batendo papo com todo mundo da equipe da Plebe. Uma vez, há uns quatro anos, no interior da Bahia, num outro festival com o Nando, até convidei-o para cantar uma música conosco, mas foi mais por gentileza, pois sabíamos que não toparia. Ele continua a tocar aquela viola elétrica, e de vez em quando até aparece em cima do palco tocando com o Nando.
Para Philippe Seabra, à direita, o por do sol do Lago Paranoá substitui a mesmice dos telões de led
Para Philippe Seabra, à direita, o por do sol do Lago Paranoá substitui a mesmice dos telões de led
REG: Além de “Medo”, do Cólera; “Luzes”, do Escola de Escândalos; e “Pátria Amada”, do Inocentes, há outras bandas da época em que vocês surgiram das quais que você pretende gravar outras músicas? Philippe: A inclusão de “Medo” e “Pátria Amada” foi a nossa homenagem ao punk paulista do Cólera e dos Inocentes. Apesar de a mensagem dos punks paulistas sempre ter sido mais direta, e às vezes mais didática do que o punk de Brasília, nunca perdeu a força. Mas pelo visto só a gente mesmo que também transita no “mainstream” lembra disso. A gente faz tudo ao contrário mesmo, sempre são as bandas menos conhecidas em que a gente se encosta… E uma banda que mereceu mais espaço, e bem que tentamos, mas as gravadoras não se interessaram, a Escola de Escândalo, também é lembrado no clássico “Luzes”. O resto do repertório é a velha e boa Plebe, mas com uns arranjos inusitados em algumas instâncias. O importante para a gente (apesar de não gostar da palavra “conceito”) era mostrar o “punch” da banda, mas também as melodias e harmônicas rebuscadas (palavra tua, Bragatto!), algumas vezes até suaves, como em “Remota Possibilidade” e “A Ida”, esta última com violão. Dentre as bandas de Brasília, era a Plebe que tinha o instrumental mais elaborado. Como músico, acho importante passar isso também, aliado - é claro - à mensagem sempre forte da banda. E uns “riffs” de tirar o fôlego. Sem riff não se tem nada…
REG: Vai ter turnê de lançamento? Aqui no Rio vocês estão devendo uma daquelas noitadas punk rock com Plebe Rude e Cólera no Circo Voador, hein?
Philippe: Sim, a agenda já está pintando no pleberude.com.br. Esses shows do Circo Voador realmente foram marcantes. Tem gente que fala disso até hoje… Engraçado que em muitos deles os Inocentes também participavam. Quem diria…
REG: Há outras músicas inéditas sendo encaixadas nos shows?
Philippe: No show novo, dessa turnê, por enquanto só a faixa “Tudo Que Poderia Ser” será inclusa. Talvez mais para o fim do ano uma ou outra nova entra, já preparando o caminho de um inédito para o ano que vem. Mas a temática provavelmente será como a Plebe sempre fez. Mas não de “protesto”. Acho que abordamos mais problemas sócio/políticos, mas fica difícil eu tentar definir. Agora, da “nova geração” que está aparecendo na mídia, acho injusto tentar traçar comparações com a nossa geração em termos de enredo, temática e “approach”. Sim, acho que música tem que ser um veículo para expressar frustrações e traçar soluções. O problema é que para usar música como arma contra o que está errado, você tem que primeiro perceber que tem algo de errado. O que vejo mesmo dos artistas novos é uma grande apatia. Apatia essa que entra nas ondas do rádio, gerando ainda mais apatia. E por aí vai “desinspirando” as pessoas. É claro que protesto por protesto também não surte muito efeito. Tem que ter propriedade, embasamento, tem que vir de um lugar sincero. Mas, cá pra nós, um pouco de questionamento não faria mal. Mas isso não é de hoje. No final da década de 90, parece que as músicas só falavam de cu e maconha (referências à Raimundos e Planet Hemp, respectivamente)… Acho que é uma coisa de geração. Em Brasília, quando éramos adolescentes, nossas opções de diversão eram limitadas à saída com pessoas da turma, cinema e leitura. Hoje em dia, na era digital, creio que a atenção das pessoas está sendo desviada. E não por um big brother manipulando o sistema. Mas pelo excesso de informações pelo qual somos bombardeados o dia inteiro. E agora então com twitter… Realmente acredito que o ser humano não foi feito para processar todo essa informação - ao mesmo tempo e agora. Adiciona a isso mais videogame, redes sociais, texting de celular, lan house, DVD caseiro, cinema 3D, videoclipe, fora o corre-corre da vida… O efeito colateral dessa sobrecarga dos cinco sentidos é a apatia. Triste, muito triste. E isso não vai melhorar.
REG: Recentemente você e o André X foram condecorados como “Cidadãos Honorários de Brasília”, na Câmara Legislativa da cidade. Como é receber esse título para uma banda punk, com músicas tão combativas como a Plebe Rude?
Philippe: Pois é, rapaz. Foi dado numa homenagem aos 30 anos da banda e aos 25 anos do “Concreto Já Rachou” (que foi o primeiro disco de ouro do rock de Brasília). E isso vindo do governo que criticamos tanto. O Deputado Professor Israel nos confidenciou que ficou com medo de a gente recusar, mas o reconhecimento pela obra e o posicionamento nos deixaram muito orgulhosos. Creio que agora posso ser chamado de “Sir Philippe” agora (risos).
REG: Quais os planos para lançar um novo álbum de inéditas, ou, ao menos, músicas avulsas na internet?
Philippe: Meio para o final de 2012, isso é se o mundo ainda existir até lá… Já estamos trabalhando duro. E o show será completamente novo, com mais uso de violão e pads eletrônicos de bateria. Só vendo mesmo, para saber do que estou falando. Mas continuará a ser a “boa e velha Plebe”.
REG: Você circula bem nesse cenário virtual pós internet?
Philippe: Enquanto todo mundo se pergunta como seria o novo cenário de música quando a poeira assentasse, ele chegou. Essa é a nova realidade, e é um desafio para artistas novos. Muitas bandas da “nova geração” passam por meu estúdio e vejo muitas promessas. Agora, existe uma grande diferença entre artistas da nova geração, pois depende da definição de “nova geração”. Se for a que tem acesso a mídia, as bandas novas que conseguiram penetrar na rádio, o negócio tá russo. O rock “pop”, como foi profetizado nos anos 80, realmente virou anuncio de refrigerante. Oco e pobre. Às vezes numa inarticulação que me dá pena. Mas se você estiver falando da cena independente, aí sim, é o verdadeiro futuro do rock brasileiro. Mas será difícil a maioria dessas bandas ganharem alguma notoriedade, o que me entristece muito, você não imagina. E os que conseguem entrar um pouco na onda do hype, não conseguem manter, pois por definição, hype é uma coisa passageira. É como se fosse um “Tetrus” humano, só que ao contrário. As bandas indicadas a prêmios de revelação na MTV todo ano vão se afastando aos poucos do palco até nem serem mais convidados. É brutal, e muitas bandas não conseguem recuperar disso, entrando em crise quando o telefone para de tocar. Mas o verdadeiro artista é aquele que não abaixa a cabeça diante da adversidade. Todos os meus heróis vivos e mortos, teatrólogos, escritores, diretores de cinema, bandas… todos fizeram o que tinham que fazer, e mudaram o mundo. Nunca abaixaram a cabeça.
REG: Como anda seu trabalho como produtor? Com quais bandas tem trabalhado?
Philippe: Sempre trabalhei com artistas novos, desde que montei meu estúdio particular em Brasília, há nove anos. Recentemente produzi 10zer04, Vitrine, Distintos Filhos, Live Wire e Beto Só. Com a exceção do 10zer04, todos estão lançando disco esse ano. Mas tirei os próximos dois meses “off” pra mim, para poder me concentrar no lançamento do DVD. Agora vou me concentrar na Plebe. O pleberude.com.br esta voltando ao ar e estamos no twitter no /plebeoficial. É isso ai…
Discurso do Deputado Professor Israel na cerimônia em que Philippe Seabra e André X foram condecorados como “Cidadãos Honorários de Brasília”, na Câmara Legislativa, dia 19/4/2011:
'Cidadãos Honorários': André X e Philippe Seabra mostram os diplomas, entre participantes da cerimônia
'Cidadãos Honorários': André X e Philippe Seabra mostram os diplomas, entre participantes da cerimônia
“Estamos aqui hoje para homenagear a Plebe Rude pelos seus 30 anos e por seu disco de estreia “O Concreto Já Rachou”, que completa 25 anos. Para isso, recebemos aqui, esta noite, os músicos Philippe Seabra e Andre X, membros fundadores da banda Plebe Rude. A obra deflagrada por grupos como a Plebe, surgiu da necessidade de protestar contra um regime militar que podava a criatividade e a liberdade de seus jovens, e contra o sistema de exclusão social em vigor no País.
O rock do Brasil nos anos 80 tomava as rádios, representado por artistas como a Blitz, que divulgavam a música com uma estética lúdica. A cidade de Brasília foi a responsável por, digamos assim, meter o pé na porta. As composições de grupos como a Legião Urbana e a Plebe Rude, nossa homenageada, contestava através de suas letras, todo um sistema que tinha a função de tolher o senso crítico.
Em 1985, com o fim do Regime Militar, a Plebe Rude lançou seu primeiro álbum, o EP “O Concreto Já Rachou”, aclamado pelo público e pela crítica. Charles Gavin, apresentador e ex-baterista do Titãs, disse que o “O Concreto Já Rachou” está entre os 300 melhores discos da Música Popular Brasileira de todos os tempos.
Ao completar 25 anos, “O Concreto Já Rachou” simboliza a luta do jovem naquele momento de transição. Quem foi adolescente naquela década, sabe que os resquícios da ditadura militar ainda assombraram nossa sociedade por muitos anos.
O rock ao possuir essa pulsante veia politizada, contribuiu para moldar questionadores, que se tornaram hoje, líderes em vários segmentos.
As letras da Plebe Rude possuem uma qualidade única, mesmo escritas há 25 anos, continuam atuais, sinal de que falhamos na tarefa de transformar nossa sociedade. E se estas letras nos tocam, é sinal de que ainda temos esperança nesta transformação.
O grupo inclusive já se preocupava com problemas que ultrapassavam as barreiras das casas políticas. A Plebe tinha um discurso reto, defendendo bandeiras como a da distribuição de renda. Como podemos ver em um trecho da canção hino “Até Quando Esperar”.
‘Sei
Não é nossa culpa
Nascemos já com uma bênção
Mas isso não é desculpa
Pela má distribuição
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração’
Creio que grupos como a Plebe Rude, ao tomar para si a responsabilidade de enfrentar o regime, e divulgar letras pensantes na década de 80, contribuíram para a criação de movimentos importantíssimos, como os cara pintadas, que em 1992 derrubaram o presidente Collor.
Brasília se orgulha de ser o berço de tantos artistas que despontaram no cenário nacional, como a Plebe Rude, nossa homenageada com propriedade. A cidade sem esquinas descobriu que através da arte, podemos moldar melhor uma sociedade.
E a Plebe Rude manteve sua atitude, mesmo pagando o alto preço por não se render à indústria fonográfica. Foi relegada, por não compactuar com as facilidades, como as criticadas na canção “Minha Renda”.
‘Você me comprou, pôs meu talento a venda
você me ensinou que o importante é a renda
contrato milionário, grana, fama e mulheres
a música não importa, o importante é a renda!
Ambição - grana, fama e você’.
Por fim, agradeço a atenção de todos, reitero que admiro a proposta e postura da Plebe Rude, e torço para que no futuro, possamos comemorar mais 30 anos de boa música. Obrigado!”

 Fonte: http://www.rockemgeral.com.br

Alice Cooper mostra circo de horrores em Porto Alegre

Músicou usou camisa da Seleção Brasileira e agitou bandeira do Brasil. Foto: Jean Schwarz/Zero Hora.

alice11poaAcabou agora há pouco (pouco antes das 23h), no Pepsi On Stage, em Porto Alegre, o primeiro show da turnê que Alice Cooper faz no Brasil. Durante quase duas horas o músico mostrou o tradicional circo de horrores que o consagrou. Cerca de 700 pessoas (de acordo com o @segundocaderno, do diário “Zero Hora”) estiveram no local e viram a banda de Tia Alice tocar o mesmo repertório do show do último sábado, em Buenos Aires. No bis, Alice Cooper vestiu a camisa da Seleção Brasileira e agitou uma bandeira do Brasil. A abertura ficou por conta da banda local Rosa Tatooada.
Na quinta, Alice Cooper se apresenta em São Paulo, e, na sexta, no Rio. Nessa quarta vinda ao País, Cooper tem na banda três guitarristas, Tommy Henrik, Damon Johnson e Steve Hunter (ex-Lou Reed), além de Chuck Garrick (ex-Dio, baixo) e Glen Sobel (bateria). Veja abaixo quais músicas foram tocadas em Porto Alegre:
1- The Black Widow
2- Brutal Planet
3- I’m Eighteen
4- Under My Wheels
5- Billion Dollar Babies
6- No More Mr. Nice Guy
7- Hey Stoopid
8- Is It My Body
9- Halo of Flies
10- I’ll Bite Your Face Off
11- Muscle of Love
12- Only Women Bleed
13- Cold Ethyl
14- Feed My Frankenstein
15- Clones (We’re All)
16- Poison
17- Wicked Young Man
18- Killer
19- I Love the Dead
20- School’s Out
Bis
21- Elected
22- Fire

Fonte: http://www.rockemgeral.com.br

 

quarta-feira, 25 de maio de 2011

ROCK EM GERAL: Raimundos lança DVD; assista a trecho

“Roda Viva” é o título do DVD que o Raimundos lança esta semana. O vídeo traz o show gravado pela banda no ano passado, no Kazebre Rock Bar, em São Paulo. Além de clássicos do passado, há uma música inédita, “Jaws”. O áudio do DVD sai em CD duplo.
veja abaixo a relação das músicas:
1- Fique Fique
2- Esporrei na Manivela
3- Jaws
4- Marujo
5- Rapante
6- Opa Perai Caceta
7- Pompem
8- Pão da minha prima
9- Mulher de fases
10- Palhas do coqueiro
11- Beabá
12- Macaxera
13- Kombão
14- Aquela
15- I Saw You Saying
16- Me lambe
17- A mais pedida
18- Mas Vò
19- Reggae do Manero
20- Tora Tora
21- Eu quero ver o oco
22- Deixa eu falar
23- KavooKavala
24- Baixo Calão
25- Puteiro em João Pessoa

Confira a performance ao vivo da múisca "Me Lambe", do show Roda Viva, do Raimundos.

ROCK EM GERAL: SWU anuncia primeiras atrações no início de junho


A produção do SWU Music and Arts Festival vai anunciar as primeiras atrações do festival no próximo dia 8 de junho, em uma coletiva de imprensa, a ser realizada em São Paulo. A confirmação veio através de um post no twitter oficial do festival, lançado agora há pouco (25/5, 12h). “Começaremos a divulgar informações dia 8 de junho na coletiva de imprensa oficial!”, diz o texto no microblog. Na última segunda, a produção frustrou as expectativas dos fãs de rock ao anunciar uma gincana, em vez das atrações do festival.

Até agora, especulações na web dão conta de que o festival deve acontecer durante o feriado de 15 de novembro, não mais em Itu, mas em Paulínia, a cerca de 126 km de São Paulo, e num local urbano. Entre os nomes que aparecem nos blogs estão Black Eyed Peas, Bob Dylan, Justin Bieber, Soundgarden (ou, ao menos, o vocalista Chris Cornell, solo), MGMT, Cold War Kids e Simple Plan.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Grama do Rock in Rio será sintética; veja outros detalhes

Tirolesa passa por sobre o público do Palco Muindo

Na entrevista coletiva realizada hoje (3/5) no Estádio de Remo da Lagoa, zona sul do Rio, além dos detalhes da venda de ingressos e dos esquemas de transporte para o Rock in Rio, foram detalhadas outras informações sobre o festival, incluindo o leiaute geral da Cidade do Rock, que mudou de local em relação às edições de 1985 e 2001 - em 1991 o festival aconteceu no Maracanã. Clique na figura para ampliar e acompanhar os detalhes.
rockinrioleiaute
Uma das inovações é que a grama utilizada na área do festival será sintética, de modo a reduzir, segundo a produção, os transtornos causados por eventuais chuvas. O Parque Olímpico Cidade do Rock está sendo montado em uma área de 150 mil m2, na Avenida Salvador Allende, s/ nº, em Jacarepaguá. O Rock in Rio acontece nos dias 23, 24, 25 e 30 de setembro e 1 e 2 de outubro de 2011.
Palco Mundo
É o palco principal do festival, que funciona entre 19h e 2h. O espaço está localizado no centro do parque e vai abrigar cinco grandes shows por noite. O palco tem 90 X 30m, com aproximadamente 2.700 m2 e 26 metros de altura. O revestimento cenográfico será feito em elementos metálicos, que ampliam os efeitos da iluminação durante a noite. A estrutura do palco, incluindo cenário, som, luz, vídeo e som, pesa 420 mil quilos.
Palco Sunset
É o palco secundário, reservado para encontros de dois ou mais artistas. Funciona entre 14h40 e 19h, de modo que não haja shows acontecendo ao mesmo tempo nele e no Palco Mundo. São cerca de oito artistas por dia, em quatro shows diários exclusivos.
Eletrônica
É um espaço a céu aberto que receberá DJs nacionais e internacionais, cinco por noite. Funciona entre 22h às 4h
Rock Street
É a estreia do Rock in Rio 2011. Trata-se de um rua inspirada em Nova Orleans que funcionará desde a abertura dos portões até o fechamento, às 4h. A previsão é de 20 lojas, shows de jazz e arte de rua – caricaturista, sapateador, estátua viva, mágico – para entreter o público.
Tirolesa
Passando de lado a lado, a poucos metros do Palco Mundo, sobre o público, terá capacidade diária para cerca de 1500 pessoas. Será controlada por operadores especializados.
Roda-gigante
É um dos brinquedos do parque temático da música que se transformou a Cidade do Rock. A máxima é de 35 metros, o que proporciona uma vista panorâmica de todo o evento.
Montanha-russa
Com capacidade para 36 pessoas por vez.
Kabum
É um brinquedo de queda livre de 17 metros de altura e capacidade para 12 pessoas por vez.
Área Vip
É o espaço destinado a convidados dos patrocinadores e parceiros do evento, com capacidade para 4 mil pessoas por dia. O local fica a cerca de 100 metros do Palco Mundo, e terá decoração especial, ambiente climatizado e buffet.
Área para pessoas de mobilidade reduzida
É o espaço destinado, em cada palco, a pessoas com mobilidade reduzida para que possam ter visão dos shows. Estes espaços estarão preparados com banheiros especiais, e cada portador de mobilidade reduzida poderá permanecer nesta área com um acompanhante.
Village
Funcionará como um shopping com 28 lojas comerciais, com decoração própria, ao longo de 200 metros lineares na Cidade do Rock.
Hospital e Postos de Saúde
Uma empresa de assistência médica prestará todos os serviços para atender possíveis incidentes nos dias de evento. Estarão disponíveis quatro postos médicos, um mini hospital, ambulâncias, médicos, enfermeiros e cerca de 100 maqueiros/brigadistas por dia.

 

terça-feira, 3 de maio de 2011

Veja quais músicas estão em ‘Kairos’, o novo do Sepultura

Disco sai em junho/julho

O novo álbum do Sepultura, “Kairos”, vai ser lançado no dia 24 de junho, na Europa, e no dia 12 de julho, nos Estados Unidos. O título é uma palavra grega cujo significado é “um determinado momento em que algo especial acontece”. “Kairos” foi gravado no início do ano no estúdios da Trama, com a produção de Roy Z - leia abaixo, entrevista exclusiva com Andreas Kisser. Abaixo, segue a lista de músicas das versões padrão e deluxe:
Padrão
1- Spectrum
2- Kairos
3- Relentless
(2011)
4- Just One Fix
5- Dialog
6- Mask
(1433)
7- Seethe
8- Born Strong
9- Embrace The Storm
(5772)
10- No One Will Stand
11- Structure Violence (Azzes)
(4648)
Deluxe
1- Spectrum
2- Kairos
3- Relentless
(2011)
4- Just One Fix
5- Dialog
6- Mask
(1433)
7- Seethe
8- Born Strong
9- Embrace The Storm
(5772)
10- No One Will Stand
11- Structure Violence (Azzes)
(4648)
Bônus
12- Firestarter
13- Point Of No Return

 
No Mundo do Rock

Retomada

Contrato com gravadora alemã e turnê gigante por Estados Unidos/Europa recolocam o Sepultura mais próximo do primeiro mundo e longe da reunião da formação clássica acalentada por boa parte dos fãs. Fotos: Estevam Romera/Divulgação.

Andreas Kisser, Paulo Jr, Derrick Green e Jean Dolabella fazem pose dentro do estúdio de gravação
Andreas Kisser, Paulo Jr, Derrick Green e Jean Dolabella fazem pose dentro do estúdio de gravação
Esse ano não tem pra ninguém. O Sepultura está concluindo um novo álbum, o primeiro a ser lançado dentro do contrato com a gravadora alemã Nuclear Blast, a número um entre as independentes segmentadas no heavy metal. A partir de abril o grupo embarca numa turnê com mais de 40 datas nos Estados Unidos e Canadá, passando por cidades onde nunca esteve, e segue depois para os festivais europeus, incluindo a estreia no Wacken Open Air, na Alemanha, hoje o maior evento de heavy metal do mundo.
É certo que o Sepultura nunca jogou a tolha, mas não é um exagero reconhecer que o momento é de retomada na fase pós Max Cavalera, que já dura 14 anos. Enquanto Max desanda a clamar por uma sonhada turnê de reunião, incluindo farpas aqui e acolá em diversos veículos da imprensa em todo o mundo, a formação atual, liderada por Andreas Kisser dá de ombros. Porque, a bem da verdade, a banda está “fazendo outras coisas”, embora o guitarrista admita que “abriu uma porta que estava fechada”. Completam o time Derrick Green (vocais), Paulo Jr. (baixo) e Jean Dolabela (bateria).
Andreas descolou um tempinho entre uma gravação de guitarra e outra para falar do novo álbum, cujas gravações se encerram na segunda (28/2). O título não pôde ser revelado, mas, segundo Andreas, o disco é uma espécie de autobiografia do Sepultura e busca um formato “old school”. São 11 músicas inéditas e dois covers que talvez só entrem como bônus em versões especiais. O lançamento do CD deve acontecer antes de a turnê americana começar, mas os brasileiros só vão ver as músicas novas, ao vivo, no Rock In Rio, onde o Sepultura, dessa vez, toca junto com o grupo de percussão francês Tambours du Bronx (dia 25/9). Veja tudo isso e muito mais nessa entrevista exclusiva com Andreas Kisser:
Rock em Geral: Vocês estão terminando a gravação do novo disco, qual é a avaliação do trabalho?
Andreas Kisser: Eu tô super feliz com o resultado, estamos trabalhando desde 20 de janeiro, fizemos umas demos de pré produção no ano passado. A participação do Roy Z. (produtor) está sendo fundamental, ele tá conseguindo traduzir a sonoridade que a banda estava querendo, aquela coisa de trazer o som do palco para o estúdio, deixar o mais ao vivo possível. Estamos super felizes com o resultado, tá ficado muito foda.
REG: O Roy Z. não tinha experiência com bandas mais pesadas, mais thrash. Houve algum problema, em princípio?
Andreas: Não, nada a ver, ele tem a sensibilidade de perceber aquilo que a banda precisa. Ele tem muito know-how dos sons em geral, de utilizar microfones, de fazer testes, de pedais. Ele tá no mundo do metal, apesar de não ter trabalhado com nada tão extremo, mas tá funcionando bem pra caralho.
REG: Como rolou de chamá-lo para produzir o disco?
Andreas: Nós conhecemos o Roy há um tempo, eu conheço o trabalho dele com o Bruce Dickinson, com o Rob Halford, com o Judas e outras bandas, principalmente tocando. Nós já tínhamos conversado, ele sempre curtiu a banda e agora rolou essa oportunidade, porque ele vem bastante ao Brasil, tem mulher aqui, e arranha o português bem. Tudo facilitou para ele vir trabalhar conosco. O estúdio da Trama tem uma condição muito boa, ele curtiu pra caralho a mesa, toda a situação. A gente tava a procura de um cara com um know-how de fora. Nos últimos discos trabalhamos com o Stanley Soares, que é o nosso técnico de PA, que viaja com a banda, fez um puta trabalho no “Dante” (“Dante XXI”, de 2006) e no “A-Lex” (de 2009). Mas resolvemos mudar, trazer um cara de fora, com outro ponto de vista, outras idéias, e o Roy foi o cara perfeito para o que tínhamos para fazer.
REG: O disco já tem título, tá com as faixas definidas?
Andreas: O disco tem nome, mas não estamos anunciando ainda. Estamos segurando, mas tá tudo definido. Alguns nomes de algumas músicas ainda têm que acertar, mas tá 80, 90% definido.
REG: São quantas faixas?
Andreas: Gravamos 13 faixas, incluindo dois covers, um do Ministry e outro do Prodigy. Do Ministry é “Just One Fix” e do Prodigy é “Firestarter”. As músicas ficaram boas pra caralho, fizemos para ficar de bônus, fazer lançamento de “box set”, se o Japão precisar de coisas extras, mas tá rolando a pressão da gente mesmo para colocar tudo no disco. Talvez vamos guardar essas faixas para um lançamento oficial. Fora elas, são onze faixas, que foi nosso objetivo fazer um disco tipo o “Arise”, que tem nove faixas, o “Master Of Puppets” (do Metallica), que tem oito, nove (tem oito).
REG: Tipo LP…
Andreas: É, old school mesmo, não tinha espaço para fazer nessa época e se focava dentro daquele espaço, com criatividade. No “Roots” chegamos a fazer 16 faixas, era aquela coisa do CD, “ah, agora cabe”. Nós fechamos nesse limite, eram 10, mas aí acabamos fazendo mais uma e foi 11, mais esses dois covers. Ao mixar tudo vamos ter uma ideia melhor de todas as músicas, como elas vão se assentando, e vamos escolher a ordem, se vamos cortar alguma ou não.
REG: Então não é um disco temático, que obedece a uma ordem previamente estabelecida entre as músicas…
Andreas: Não é como foi o “Dante” e o “A-Lex”, mas é um disco inspirado em nós mesmos, como se fosse um livro, uma biografia do Sepultura. Nossas próprias experiências, as mudanças, as viagens, as turnês que fizemos com tantas bandas, essa carreira que a gente tem. Então pode se considerar temático, mas uma coisa não tão fechada dentro de uma história, mas a nossa própria história.
REG: As letras devem ser todas bem pessoais…
Andreas: Acho que as letras são mais pessoais, íntimas, porque não tem uma história permeando a mensagem que queremos passar. É uma coisa mais das nossas experiências. Por exemplo, tem uma música que se chama “Born Strong”, em que falamos da nossa família, de pai, mãe, mulher, filho, da paciência, da força e do equilíbrio de estar na estrada e voltar para a casa. Aquela coisa de ter a educação do berço, coisas nossas que foram fundamentais para que a banda fosse possível. Também falamos da experiência de palco, das nossas relações com gravadoras, empresários. São as nossas experiências como banda, como músicos e como pessoas. Ficou uma coisa mais pessoal, mais íntima.
Reunido entre uma gravação e outra, o Sepultura discute detalhes do novo álbum, cujo título é segredo
Reunido entre uma gravação e outra, o Sepultura discute detalhes do novo álbum, cujo título é segredo
REG: E em termos de som, tá mais old school também ou tem coisas novas?
Andreas: Acho que tá os dois, tem esse espírito de old school, de ter tocado o “Arise” inteiro no Manifesto (show realizado no bar/casa de shows paulistano, em que a banda tocou a íntegra do álbum “Arise”, em dezembro de 2010). No começo da turnê do “A-Lex” nós colocamos as opções no site, para a galera escolher uma fase da banda para nós tocarmos. Nos preparamos bastante para isso e tocamos muita coisa velha. E ao mesmo tempo é uma coisa nova, é o Sepultura novo com as influências que escutamos desde sempre, com as coisas mais recentes, e com essa pegada de hoje. Não importa se estamos tocando música de 15, 30 anos atrás, estamos tocando hoje. Então eu acho que tem esse clima de coisa nova, mas dá para sentir a influência da história da banda nas músicas.
REG: Você pode citar mais alguns títulos, falar de uma música ou outra?
Andreas: Deixa eu ver… tem a “Born Strong”, que fala da família… Por exemplo, essa que eu falei de estarmos no palco. Fazendo uma analogia, é como se estivéssemos na frente de batalha mesmo, porque todo dia é uma batalha, sair e encarar o mundo. Então tem uma música que se chama “No One Will Stand”. É tipo isso, depois de um show do Sepultura, cabeças rolam… Damos o máximo, é aquela coisa de passar o sentimento de estar no palco, a coisa mais espetacular na vida de um músico. Passar um pouco desse sentimento de tocar na Índia, em Cingapura, nas Filipinas, encarando como uma batalha, no bom sentido.
REG: Você disse que de participações só tem o Tambours du Bronx. Eles gravaram a parte deles em enviaram para vocês?
Andreas: Eu mandei a música que escolhemos para fazermos juntos, ela já fazia parte do repertório do Sepultura. Escolhemos aquela que poderia combinar mais com o estilão dos caras.
REG: Qual o nome dessa música?
Andreas: Ela tá sem nome ainda, estamos fazendo ela agora nesses últimos estágios, e a idéia é misturar inglês, português e francês na letra, uma coisa que nunca fizemos antes. Eu mandei a música, eles fizeram um rascunho, mandaram para cá, nós curtimos pra caralho e mandamos de volta. Eles fizeram na França e mandaram de volta, tá ficando muito bom.
REG: E o show do Rock in Rio com eles, como vai ser?
Andreas: Vamos ensaiar muito, vai ser o primeiro show que vamos fazer juntos. A ideia era fazer os festivais na Europa já nesse ano, mas deixamos para fazer a estreia no Rock in Rio e fazer a Europa com eles em 2012, principalmente na França.
REG: Eles vão tocar no show todo ou em uma música ou outra?
Andreas: É uma parceria, vai ser um show atípico, porque vai ser uma mistura de duas bandas. Vamos fazer temas antigos do Sepultura e juntar algumas coisas deles. Estamos definindo algumas músicas. Eu sei que vamos fazer o “Roots” com eles e umas outras, mas vamos chegar um pouco mais cedo no Rio para definir, vamos ter que ensaiar bastante.
REG: Você ficou chateado por não ter sido chamado para tocar no palco principal do Rock In Rio?
Andreas: Não, pelo contrário, esse Palco Sunset vai ser muito mais legal que o principal.
REG: É que é mais cedo…
Andreas: Mas isso na Europa é a coisa mais tradicional do mundo. Público vai ter, esse é o estilo do festival. E o Rock in Rio tá fazendo isso justamente com o Sunset para dar esse valor, não ficar aquela coisa de palco b, palco c. É um palco importante, fantástico, que vai ter grandes nomes, acho que é até mais fodido que o palco principal. Tem Milton Nascimento com Esperanza Spalding… Vai ser o diferencial desse festival ou até em festival do mundo inteiro. E eu tô muito feliz de fazer parte disso, por ter essa chance de fazer um show diferente, especial e exclusivo, praticamente. E os outros shows têm o Korzus com os caras do Destruction, com o Gary Holt (guitarrista do Exodus). É legal esse desafio, e é mais um pioneirismo do Sepultura, participar de uma coisa nova como essa.
REG: Você participa de shows de muitos artistas que não têm nada a ver com o heavy metal, o que gera reclamações por parte dos fãs. Isso te incomoda? Você é cobrado pelos fãs?
Andreas: Ah, não importa o que você fizer vai ter sempre gente reclamando. Então vou fazer o que eu curto, e é um privilegio. Primeiro que eu tenho capacidade para fazer, não é só querer. Quem não quer tocar com o Jorge Benjor? Fora o currículo é uma puta honra, e mais do que isso é levar o heavy metal para isso. O heavy metal se coloca numa posição fechada, achando que é melhor do que tudo, uma posição meio arrogante. “Ah, não, não toco com isso porque não gosto, porque o heavy metal é mais foda”. Nada a ver. O heavy metal pode permear tudo quanto é coisa. Aliás, o heavy metal só sobrevive por causa das misturas, é um dos estilos mais camaleões.
Andreas e o produtor Roy Z. concentrados no CD
Andreas e o produtor Roy Z. concentrados no CD
REG: Vocês transmitiram diariamente, na internet, a gravação do disco. Foi bom? Atrapalhou ou ajudou?
Andreas: É a primeira vez que abrimos um canal assim, sem censura ou edição, com som e a imagem. Foi legal, para a galera que não tem a mínima noção de como se faz um disco. A maioria das pessoas estava esperando um videoclipe das músicas. É engraçado ver a galera sem paciência ou achando que aquilo tudo era uma palhaçada. Mas muita gente também aprendeu que o processo é lento, cheio de detalhes. No estúdio tudo aparece, defeitos, barulhinhos. Troca microfone, testa isso, testa aquilo, é demorado, mas foi uma experiência muito legal, tanto para nós quanto para quem estava assistindo.
REG: Vocês não ficaram intimidados?
Andreas: No começo, sim, mas depois você acaba acostumando. Na hora em que a câmera tá ligada você pensa mais naquilo que vai falar, porque no estúdio você conversa de tudo, fala mal de todo mundo, fala de futebol. A gente se autocensura, mas nada que mude o ritmo de gravação. Foi legal porque deu para mostrar todas as fases, a gravação da bateria, guitarra, baixo, vocal, agora os solos. Foi muito interessante, acho que o Sepultura foi a segunda banda a fazer isso, o Blur fez isso há um tempo. O Sepultura nunca teve medo de se expor, não tem nada para esconder. Os segredos a gente guardou. É a ponta do iceberg: quem pensa que tá vendo tudo não tá vendo nada.
REG: Vocês estão com uma agenda de 40 datas nos Estados Unidos e em vários festivais na Europa. Faz tempo que não havia uma turnê do Sepultura grande assim no exterior…
Andreas: Não, no ano passado nós ficamos quatro meses direto, mais pela Europa. Faz tempo que não vamos para os Estados Unidos, essa é a primeira tour em quatro anos, eu acho. E é uma turnê com uma nova gravadora, estamos com a Nuclear Blast e também tem a promoção desse disco novo. Voltamos para o Canadá, tem umas datas lá nessa turnê, então tá legal, vai ser um começo, e depois vamos para a Europa de novo, para os festivais. Vamos tocar no Wacken pela primeira vez, estamos chegando numa boa hora lá.
REG: Gravadora nova, disco novo e essa turnê… É como se fosse uma retomada de carreira, né?
Andreas: Para quem está de fora eu acho que sim, mas nós nunca paramos. É lógico que saímos do eixo principal de Estados Unidos e Europa, mas o mundo é muito maior que isso. As pessoas ficam muito fechadas nesse circuito e acham que o mundo é isso. Mas a gente foi para Índia, Filipinas, Ilhas Reunião, Cuba, Emirados Árabes, Turquia. E o público ama, o público é fantástico, muito melhor do que lugares na Europa em que o público é totalmente mimado com as coisas, acha que já sabe tudo de tudo. Isso mantém a banda viva e com ideias novas, conhecendo culturas diferentes. Todo ano o Sepultura visita um país que nunca foi antes, isso é muito importante. Mesmo agora, estamos indo para shows no Canadá em lugares em nunca fomos, na carreira inteira. O ritmo é o mesmo, ritmo pesado, muita viagem, muito show. Mas é bom voltar para esse circuito, com a estrutura da Nuclear Blast, com o disco novo e com uma formação super estabilizada e afinada no palco. O momento é muito positivo.
REG: O que houve de conversas entre você e o Max para fazer uma turnê de reunião que tanto o Max fica falando que vocês não quiseram? O Max tá louco?
Andreas: Ah, eu não sei, parece que sim, né? Ele tá batendo na mesma tecla, mas não houve nada de específico. Foi legal que abriu uma porta que estava fechada. O Sepultura tocou com o Soulfly, acho que há dois anos, na Alemanha (Devilside Festival, em junho de 2009, na Alemanha), e acabei encontrando a Glória (Cavalera, esposa de Max e um dois pivôs da separação, em 1996), a empresária…
REG: Vocês conversaram normalmente…
Andreas: Eu conversei com a Glória um pouquinho e depois começamos a abrir um contato e tudo…
REG: Você e a Glória…
Andreas: E o Max também, até, mas muito pouco. Conversei com ele no telefone, sobre futebol, mais nada, uns dois minutos. Mas essas viagens dele eu nem sei como falar porque eu tô aqui fazendo outras coisas e é meio triste ver a situação em que o cara tá… enfim, não tem nada rolando, estamos fazendo o nosso projeto. Essa coisa de reunião desde que ele saiu da banda rola, principalmente por parte dele, mas cada um com sua doideira.
REG: Mas chegou a ter uma conversa de reunião ou não teve nada?
Andreas: Não.
REG: Você e o Paulo estiveram lá no SWU e assistiram ao Cavalera Conspiracy. O que você achou?
Andreas: Achei legal, vi o Iggor tocando com vontade, coisa que eu não via há muito tempo. Mas foi legal, eu já tinha assistido ao Soulfly umas duas vezes, nos Estados Unidos. É legal, eu curto, não tem nada a ver essa coisa de “ah, não vou lá ver”. É palhaçada isso, música é música, os caras tão fazendo o som deles.
REG: Com o Iggor não tem nenhum problema, não, né?
Andreas: Acho que não tem nenhum problema com ninguém, eles escolheram sair da banda e escolheram o caminho que tinham que seguir. O Iggor parece bem mais tranquilo e feliz fazendo o Mix Hell (projeto de música eletrônica de Iggor Cavalera), tá curtindo outra fase. Inclusive eu vi o Iggor no Rock in Rio Madri no ano passado com o Mix Hell, é classe A, super positivo.
REG: E o Musica Diablo (banda paralela do vocalista Derrik Green), você curte?
Andreas: Acho legal, thrashão. É legal ele ter uma banda, o lance é organizar datas, esses negócios. Mas é válido todo mundo com alguma coisa. Eu tenho o trabalho solo, o Jean tem as coisas deles, o Paulo tem um lance em BH. A prioridade todo mundo sabe qual é, que é o que fez possível todos esses projetos. É até saudável musicalmente, tentar coisas que não entram no Sepultura em outros lados. O cara volta com ideias novas para o Sepultura.
REG: Está gostando de ter uma coluna no Yahoo?
Andreas: Eu curto, é um canal legal de opinião em que você chega a várias pessoas e dá para falar de música de tudo o que é jeito, não fico preso no heavy metal. Mas tem também essa experiência de viajar o mundo, tocar com outros músicos e gravar com outras pessoas. É um canal legal para tirar um pouco essa coisa do preconceito, do radicalismo. É legal trocar uma ideia com a galera e ver a posição de cada um.
Visão geral da banda gravando no estúdio; fãs puderam assistir a duas horas diárias de todo o processo
Visão geral da banda gravando no estúdio; fãs puderam assistir a duas horas diárias de todo o processo

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