PATROCINADOR MASTER

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BEM VINDOS AO BLOG DO SÃO ROCK


Nossa História

Em junho de 2005, seis amigos se reuniram para comemorar seus aniversários, que por coincidência dos deuses do rock, eram todos na mesma semana. Resolveram chamar a banda de um amigo de Crato (Michel Macêdo, da Glory Fate). Também chamaram duas bandas locais (SKP e ET Heads), e fizeram a trilha sonora desta festa, que a princípio era exclusiva a aniversariantes e seus amigos. Sem querer, nascia ali o festival SÃO ROCK – o dia em que o rock foi pro brejo!
O sucesso da primeira edição obrigou uma continuação. Dois anos depois, já em 2007, veio a segunda edição, agora com a participação de bandas de Fortaleza, e aberto ao público. O sucesso consolidou o evento, e perpetuou essa data no calendário do rock cearense.
Pelo festival já passaram nomes de peso no cenário cearense, como Artur Menezes, Felipe Cazaux, Caco de Vidro, banda One, Killer Queen, Glory Fate, Zeppelin Blues, Renegados, banda Void e tantos outros que abrilhantaram noites inesquecíveis, regadas à amizade, alegria e o bom e velho rock´n´roll.
Hoje, o que se iniciou com um simples aniversário, tomou enormes proporções, estendendo seus ramos, diversificando os estilos e abrindo espaço para mais e mais bandas que querem mostrar seu talento em nossa terra. Agora são duas noites de festival, além da Caldeira do Rock, que leva bandas alternativas para a praça pública, numa celebração maravilhosa, onde congregamos amigos de todas as cidades circunvizinhas e de outros estados, irmanados pelo amor ao rock.
Não para por aí. Queremos tornar o São Rock uma marca que não promova apenas um festival anual, mas que seja um verdadeiro tablado que promova eventos de rock durante todo o ano! Assim, poderemos desfrutar do convívio saudável e também marcar nossa presença, dizer que temos voz e vez, numa cultura tão massificada por músicas desprezíveis e por gêneros impostos ao povo! Fomos, somos e sempre seremos roqueiros!
Portanto, venha participar dessa irmandade, apóie, divulgue, patrocine essa idéia, e seja mais um que ajuda a construir esse espaço!

Esse é o BLOG oficial do festival SÃO ROCK, que ocorre todo ano em Brejo Santo - Ceará. Criado "acidentalmente" por aniversariantes que comemoram na mesma semana e que se uniram para fazer uma única celebração voltada ao nosso gosto músical o ROCK. Além disso o blog divulga noticias e eventos nacionais e internacionais, além de ajudar na promoção cultural da região. Sobre tudo é uma apologia a amizade.




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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Interseção entre rock comercial e alternativo faz 20 anos

ANDRÉ BARCINSKI
CRÍTICO DA FOLHA
http://www1.folha.uol.com.br/ 

Há 20 anos, uma série impressionante de lançamentos marcou uma das fases mais ricas do rock.
Em um intervalo de nove meses, pelo menos dez discos importantes chegaram às lojas: "Out of Time" (REM), "Metallica" (Metallica), "Ten" (Pearl Jam), "Use Your Ilusion 1 e 2" (Guns N'Roses), "Nevermind" (Nirvana), "Screamadelica" (Primal Scream), "Blood Sugar Sex Magik" (Red Hot Chili Peppers), "Badmotorfinger" (Soundgarden), "Loveless" (My Bloody Valentine) e "Achtung Baby" (U2).
Claro que o meio/fim dos anos 1960, com Beatles, Stones, Beach Boys, Who, Kinks, Dylan e tantos outros, ainda é imbatível em termos de inventividade. Mas isso não tira a importância de 1991, ano marcado pelo surgimento de bandas hoje clássicas (Nirvana, Pearl Jam) e pela consagração comercial de nomes como REM, Metallica e Chili Peppers.
A variedade de bons discos de rock lançados em 91 impressiona. Além dos dez acima, houve "Bandwagonesque" (Teenage Fanclub), "Gish" (Smashing Pumpkins), "Trompe le Monde" (Pixies), "Every Good Boy Deserves Fudge" (Mudhoney) e "Leisure" (Blur).
Também foi um ano fantástico para o rock mais alternativo, com lançamentos importantes de Fugazi ("Steady Diet of Nothing"), Throwing Muses ("The Real Ramona"), Slint ("Spiderland"), Jesus Lizard ("Goat") e Dinosaur Jr. ("Green Mind").
O período marcou um momento raro de interseção entre a música comercial e a cena alternativa. Dois anos antes, o Sonic Youth, grupo respeitado no "underground", chocara ao assinar com uma grande gravadora, a Geffen.
O mercado, impulsionado pelo crescimento das rádios universitárias e dos selos independentes, passou a se interessar mais por bandas alternativas. Logo as grandes gravadoras brigariam para assinar com artistas promissores. Em 91, Nirvana, Pearl Jam e Soundgarden lançaram discos por "majors".
A MTV e as rádios começaram a se abrir para sons alternativos. Grupos já consagrados, como REM, Red Hot Chili Peppers e Metallica, tiveram espaço inédito na mídia. E veteranos como U2, talvez inspirados pela competição, fizeram os melhores álbuns.
A boa fase se estenderia até 1992, com LPs e compactos de Radiohead, Suede, Stone Temple Pilots, Rage Against the Machine, Pavement e PJ Harvey.

Editoria de Arte/Folhapress


 

ESSA VAI PROS AMIGOS COLECIONADORES DE CDS E VINIL: Minha Coleção – Regis Tadeu: 21 mil CDs e 14 mil LPs!

http://collectorsroom.blogspot.com/

Minha Coleção – Regis Tadeu: 21 mil CDs e 14 mil LPs!


Por Ricardo Seelig
Desde que criei a Collector´s Room, lá em setembro de 2005 ainda no Whiplash!, os leitores sempre me pediam para que entrevistasse o Regis.

Depois, quando a Collector´s ganhou o seu próprio site, em outubro de 2008, os pedidos se intensificaram, e cada vez mais, toda vez que perguntava que coleção as pessoas que queriam conhecer, o nome do Regis era citado inúmeras vezes.

Pois bem, chegou a hora! Hoje você vai conhecer uma das maiores e mais espetaculares coleções de discos do Brasil – e, porque não, do mundo. Um exemplo do que o amor pela música e a paixão pelos discos pode fazer na vida de uma pessoa. Uma prova de que qualidade e quantidade podem andar juntas!

Acomode-se na cadeira, levante o som e seja bem vindo a uma viagem fantástica pelo mundo dos discos, guiada pelo meu amigo e brother Regis Tadeu, um dos caras que mais entende de música no Brasil!

Ah, um último detalhe: entre todas as entrevistas que já fiz com colecionadores, a coleção do Regis é a maior que já encontrei!
Regis, em primeiro lugar, apresente-se aos nossos leitores: quem você é e o que você faz?

Bem, atualmente sou colunista e o responsável pelas críticas de CDs e DVDs do portal do Yahoo!. Além disto, tenho lá os programas "Na Galeria do Regis" – que podem ser assistidos neste endereço acima -, "Regis Visita" (http://colunistas.yahoo.net/posts/5113.html e http://colunistas.yahoo.net/posts/3120.html) e "Na Mira do Regis". Também tenho o meu próprio programa de rádio na USP FM, o "Rock Brazuca".

Durante muitos anos fui editor-chefe e diretor de redação das revistas Cover Guitarra, Cover Baixo, Batera, Teclado & Áudio e Mosh. Também fui jurado do Programa Raul Gil e tinha um quadro fixo no programa Superpop, no qual eu detonava CDs ruins. Bem, já está bom, né? (risos)

Qual foi o seu primeiro disco? Como você o conseguiu, e que idade você tinha? Você ainda tem esse álbum na sua coleção?
A primeira vez que entrei em uma loja para comprar um disco foi, se não me falha a memória, em 1971. Eu já era totalmente tarado por música por conta de alguns compactos que meu pai – um militar extremamente severo, “linha dura” -, tinha dos Beatles - sabe-se lá por quê – e, principalmente, pelo estímulo de minha mãe, uma dona de casa muito sábia em sua simplicidade. Desde que eu era um bebê ela sempre colocava o rádio ligado perto de mim, a fim de fazer com que eu comesse tudo o que estava no prato (risos). Ela adorava contar como naquela época eu ficava em transe quando ouvia “O Calhambeque”, do Roberto Carlos (risos).

Bem, quando eu tinha 11 anos de idade ela me deu um presente de Natal maravilhoso: uma grana para comprar um disco importado, um artigo de extremo luxo naquela época! Lembro de ter entrado em êxtase de tanta alegria! Conversando com alguns vizinhos, ela soube que havia uma loja na Rua Dom José de Barros, no centro de São Paulo, que vendia discos de rock importados. Ela me levou até lá e disse que eu poderia escolher o disco que quisesse. Lembro nitidamente da cena: eu, ainda garoto, cercado de discos lacrados em plásticos transparentes que brilhavam de uma maneira inacreditável. Eu simplesmente não sabia o que fazer, o que escolher ...

Foi então que surgiu um vendedor bem cabeludo, com um longo cavanhaque, chamado Amauri – jamais vou esquecer daquele cara. Ele viu que eu estava parecendo uma barata dentro de um tonel de açúcar e perguntou o que eu queria.

Depois de dizer a ele que queria um “disco de rock importado”, mas que não sabia nem por onde começar, ele se abaixou e disse “Bicho, tenho um negócio aqui para você que vai mudar a sua vida”. Ele me levou até a prateleira dos LPs importados e puxou um disco que trazia uma paisagem rural meio nebulosa, com uma casa velha ao fundo e uma mulher esverdeada vestida de preto na frente, no meio da vegetação. Era o primeiro disco do Black Sabbath!!!

Sem saber muito bem o que fazer – eu estava acostumado a ver capas dos discos dos Beatles e de histórias infantis -, resolvi aceitar a sugestão do vendedor e levei o disco para casa. Quando coloquei a agulha da minha vitrolinha no disco já estranhei o fato de o ruído ser praticamente inexistente se comparado a de um disco nacional. Mas nada havia me preparado para o que senti quando comecei ouvir a chuva, o trovão, o sino e ... AQUELA GUITARRA!!! Cara, eu me caguei de medo na hora! (risos) Minha mãe, coitada, ouviu também e ficou pálida como uma vela (risos). Juro por Deus: mesmo apavorado, fiquei ouvindo a música “Black Sabbath” umas vinte vezes seguidas, tamanho o fascínio que aquela canção despertou em mim. Só fui ouvir a faixa seguinte, “The Wizard”, uns três dias depois (risos). E passei uma semana dormindo com a luz do meu quarto acesa (risos). Ainda nos dias de hoje sinto um estranho calafrio quando ouço a canção “Black Sabbath”. Chame isto de uma “apavorante e deliciosa memória afetiva” (risos).

Porque você começou a colecionar discos, e com que idade você iniciou a sua coleção? Teve algum momento, algum fato na sua vida, que marcou essa mudança de ouvinte normal de música para um colecionador?

Na verdade, eu mesmo não me considero um “colecionador”, já que este tipo de pessoa compra tudo a respeito de determinados artistas e bandas, mesmo os discos ruins. Pelo contrário, eu só compro os discos que gosto. Por isto, creio que a minha “discoteca” começou imediatamente após esta experiência extraterrestre com o primeiro disco do Black Sabbath. Senti uma necessidade quase fisiológica de ouvir outros sons, conhecer novas bandas que pudessem me proporcionar uma sensação tão forte quanto aquela.

Alguém da sua família, ou um amigo, o influenciou para que você se transformasse em um colecionador?

Minha mãe, mesmo não tendo qualquer conhecimento musical, sempre me estimulou a ouvir música e, principalmente, a ler. Por isto, ela sempre que podia me dava uma graninha para comprar pelo menos um LP por mês, e toda semana comprava livros da espetacular série “Grandes Clássicos da Literatura Juvenil”. Então, ao mesmo tempo em que eu descobria Led Zeppelin, Deep Purple e Slade, lia obras de Julio Verne, Mark Twain, Miguel de Cervantes, Lewis Carroll, Victor Hugo. Não tenho a menor dúvida de que a união rock + literatura me transformou no cara que sou hoje - para o bem e para o mal (risos).

Tive alguns amigos na rua em que morava que foram muito importantes pra ampliar o meu conhecimento musical na época. Meu melhor amigo naqueles tempos, Luis Antonio Zordan, me apresentou Pink Floyd, Rolling Stones e Genesis; outro, Paulo, me mostrou pela primeira vez discos do Focus e do Emerson, Lake & Palmer. A partir daí, foi uma bola de neve montanha abaixo (risos).

Inicialmente, qual era o seu interesse pela música? De que gêneros você curtia? O que o atraía na música?

Meu interesse era total e absoluto. Eu simplesmente queria ouvir tudo o que caía em minhas mãos e ouvidos. Comecei obviamente pelo hard rock, mas logo ampliei o meu raio de ação para as bandas progressivas que citei anteriormente, incluindo aí o Yes, claro. Depois, entrei para os maravilhosos
universos do Slade e do Status Quo, e daí “fui embora” ...

Sinceramente, eu não conseguiria definir em palavras a atração que sentia – e ainda sinto – pela música. É muito mais que “ser transportado para outro universo”, “atingir um alto estado espiritual”, estas baboseiras que todo mundo cita para parecer profundo e sensível. Não dá para definir em palavras.

Você é considerado a “Imelda Marcos dos discos” (risos). Quantos discos você tem?

(Risos) É, a comparação faz sentido. Bem, para ser o mais sucinto possível, na minha última contagem, feita há seis meses, eu tinha aproximadamente 21 mil CDs e 14 mil LPs. Hoje em dia, devo ter um pouquinho mais que isto (risos).

Qual gênero musical domina a sua coleção? E, atualmente, que estilo é o seu preferido? Essa preferência variou ao longo dos anos, ou sempre permaneceu a mesma?

Sem dúvida, o gênero que predomina é o rock, em todas as vertentes possíveis e imagináveis, mas há generosas proporções de jazz, blues, soul music, rhythm n’ blues, funk – não estas merdas cariocas que insistem em embalar com este rótulo – MPB, trilhas sonoras e música erudita.

Vinil ou CD? Quais os pontos fortes de cada formato, para você?

Não sou nada radical neste sentido, embora reconheça a vantagem da sonoridade analógica de um sem número de LPs gravados anteriormente aos anos 80. Da mesma forma, existe uma quantidade imensa de álbuns que tiveram um inequívoco upgrade quando foram passados para a versão digital.
Cada caso tem que ser analisado individualmente neste sentido. Agora, não posso negar que me entristece muito a diferença que existe entre as artes gráficas dos LPs e dos CDs. Como sou um velhinho, ainda guardo comigo o prazer de manusear a capa de um LP, verificando os detalhes das imagens, as letras, os encartes, ...

Existe algum instrumento musical específico que o atrai quando você ouve música?

Como sou baterista, evidentemente a bateria é a primeira coisa que costumo “decodificar” em uma canção, seguida da guitarra e dos outros instrumentos na sequência. Na verdade, minha cabeça é como uma pequena mesa de mixagem (risos). Como consigo analisar cada instrumento envolvido em uma canção de uma maneira isolada, isto me ajuda bastante na hora de emitir a minha opinião a respeito de um disco e do trabalho geral de um artista ou de uma banda.

Qual foi o lugar mais estranho onde você comprou discos?

Uma butique em Ilhabela. Eu e minha namorada na época estávamos naquela cidade com um grupo de amigos e, fazendo um passeio pelo centro, ela resolveu entrar em uma loja para comprar biquínis e dar uma olhada em algumas bijouterias. Lá dentro, sem ter o que fazer, comecei a dar uma perambulada pelo ambiente e logo vi uma pilha de vinis no fundo da loja, colocados no chão. Perguntei à dona da loja se os discos estavam à venda e ela respondeu que sim, que o irmão havia se casado recentemente e não tinha espaço para “velhos LPs” no novo apartamento. Quando me abaixei para olhar o que havia ali, não pude acreditar: entre algumas porcarias, estavam ali versões nacionais novinhas de antigos álbuns do Wishbone Ash, Silverhead, Nektar, Jane, Guru Guru, Starz e mais uma porrada de bandas obscuras, tipo Coven, Bulldog, Ace e Osibisa. Cada disco custando o equivalente a uma coxinha de padaria!!! Nem preciso dizer que comprei tudo e saí da loja pulando como um babuíno adrenalizado. Minha namorada achou que eu tinha cheirado Detefon (risos).

Qual foi a melhor loja de discos que você já conheceu?

No Brasil, nenhuma loja chegou aos pés da saudosa Nuvem Nove. Além de ter discos inacreditáveis a preços justos, o atendimento ali era espetacular, principalmente do proprietário, o engraçadíssimo José Carlos Damiano, e sua esposa Júlia. Além disto, todos os vendedores que passaram por lá eram profundos conhecedores de música e uma figuraças, todos simpaticíssimos. Quer dizer, todos menos um. Tinha um panaca lá, fanático por Engenheiros do Hawaii, que certa vez me tratou muito mal por conta de uma crítica negativa que escrevi a respeito da banda favorita dele. Quando o José Carlos (Zé, para os íntimos) soube disto, passou uma descompostura tão elegante no tal funcionário que o mesmo passou a baixar a cabeça toda vez que eu entrava na loja.

Conte-me uma história triste na sua vida de colecionador.

A única tristeza foi a de ter me entusiasmado com o surgimento do CD e ter vendido uma boa quantidade de LPs para adquiri-los em sua versão digital. Por isto, arrependido, passei os anos seguintes recomprando estes discos. Graças a Deus, todos eles estão de volta às minhas estantes.

Como você organiza a sua coleção? Dê uma dica útil de como guardar a coleção para os nossos leitores.

Não tem segredo: ordem alfabética, seguida pela ordem de lançamento. Sem esse papo de “guardar por estilos”, “por décadas” ou o cacete a quatro. Isto acaba dando uma confusão dos diabos. A única dica que posso dar é que as pessoas devem manusear seus discos – sejam eles CDs ou LPs – com o
mesmo carinho que dedicam aos seus filhos. Só isso.

Além da música, que outros fatores o atraem em um disco?

A arte da capa, as pessoas envolvidas na produção – sou um fanático leitor de fichas técnicas – e o contexto histórico em que cada álbum foi concebido.

Quais são os itens mais raros da sua coleção?

Putz, pergunta difícil ... Hoje em dia, com o advento dos CDs e, principalmente, do download de MP3, o conceito de “raridade” caiu por terra. Até discos autografados por seus criadores deixaram de ter o devido valor. Creio que os mais raros sejam uma edição do Chega de Saudade, do João Gilberto, autografado pelo próprio e pelo Tom Jobim, que escreveu o texto da contracapa; as duas coletâneas dos Beatles – a vermelha e a azul – em vinis com as respectivas cores; o We’re na American Band, do Grand Funk, com a capa metalizada em dourado, vinil amarelo e os quatro adesivos originais lançados na época, que só existem 500 cópias no mundo; uma caixa de veludo de Chopin com 20 LPs que registram todas as obras que o compositor fez exclusivamente para piano; a edição em vinil original do Paebirú, do Zé Ramalho com o recentemente falecido Lula Cortês ...

Você tem ciúmes da sua coleção?

A palavra “ciúmes” talvez seja muito amena para definir o que sinto pelos meus discos. Não empresto nenhum deles para quem quer que seja. Quem é meu amigo e está a fim de ouvir algum disco que eu tenha, ganha um arquivo em MP3. Se for uma pessoa bem bacana, ganha uma cópia em CD-R, com capinha e tudo.

Quando você está em uma loja procurando discos, você tem algum método específico de pesquisa, alguma mania, na hora de comprar novos itens para a sua coleção?

Nenhum método. Vou olhando tudo, todos os gêneros, sem exceção. Pode ser um sebo sensacional ou uma lojinha humilde na periferia de qualquer cidade onde eu esteja. Tudo é olhado com calma e atenção. Afinal de contas, para quem já comprou discos raros em uma bijouteria em Ilhabela, nenhum local deve ser ignorado (risos).

O que significa ser um colecionador de discos?

Como escrevi anteriormente, o colecionador é aquele cara que compra tudo de um determinado artista ou banda, independente se o disco é bom ou ruim, se a edição é nacional, uruguaia, tailandesa ou marciana. Por isto, não sou um colecionador, já que eu jamais teria um disco que não gostasse. Já vi algumas vezes o raríssimo – e péssimo! - primeiro LP do Roberto Carlos, Louco por Você, que vale uma fábula, independente do seu estado. Porra, para quê vou comprar aquela merda? (risos)

Regis, o que mudou da época em que você começou a comprar discos para os dias de hoje, onde as lojas estão em extinção? Do que você sente saudade?

Mudou tudo. Literalmente. Salvo raríssimas exceções, não existem mais lojas de discos como no passado. O que você tem hoje em dia é um amontoado de discos em um determinado local, onde você é atendido por gente que está a fim de vender as suas tralhas o mais rápido possível e desencalhar o estoque. Sinto falta do atendimento personalizado feito por gente que entende do
assunto, que é capaz de chegar para você e dizer “Olha, este disco é muito ruim. Não o compre. Leve este outro, que é mais bacana”.

Você é um dos jornalistas musicais mais conhecidos e respeitados do Brasil. Como você vê o mercado brasileiro atualmente? O que há de melhor e o que há de pior na música hoje em dia?

Obrigado pelas palavras gentis. O mercado brasileiro de discos hoje em dia é uma piada. Os lançamentos se reduziram drasticamente – hoje, só os discos de medalhões, como U2, Iron Maiden e Coldplay, têm garantia de que receberão edições nacionais compatíveis com as versões importadas. Muitos artistas e bandas passaram a ser solenemente ignorados pelas poucas gravadoras que restaram no Brasil, incluindo aquelas especializadas em heavy metal, que sempre foram as mais profícuas em lançamentos.

O melhor dos dias atuais é a possibilidade de qualquer pessoa ouvir o que quiser dentro deste oceano de downloads e streamings. O pior é a quantidade de lixo que é lançado aqui e no mercado internacional com a única intenção de faturar milhares de dólares em cima da ignorância de uma juventude dominada por asnos adolescentes.

O que você acha desse papo de que música boa só existiu nos anos 1960 e 1970, e de que hoje não se faz música de qualidade?
A pessoa que diz uma asneira deste porte deve beber óleo de máquina de costura no café da manhã. Nunca houve uma época na história da humanidade em que se ouviu tanta música – boa e ruim, não importa aqui – quanto nos dias de hoje. Basta apenas que a preguiça e a má vontade sejam deixadas
de lado e que se tenha curiosidade em saber o que anda rolando em termos musicais no planeta. Esse papo de 'música boa era aquela do passado' serve apenas para alimentar o discurso de gente burra, preguiçosa e incompetente.

Qual é o melhor disco de 2011, até o momento?

Até agora, a melhor coisa que ouvi foi o mais recente disco do Dropkick Murphys, Going Out in Style.

Regis, muito obrigado pelo papo. Pra fechar, o que você está ouvindo e recomenda aos nossos leitores?

No exato momento em que respondo a estas perguntas, estou ouvindo uma ótima e obscura banda de rock and roll norueguesa, o Backstreet Girls. Os caras surgiram nos anos 80, estão na ativa até hoje e todos os seus discos são sensacionais!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

O negócio (ainda) é rocão antigo por Luiz Rebinski Junior

Luiz Rebinski Junior
http://www.digestivocultural.com/ 

Comecei a escutar música com doze anos. Até os vinte, não lembro de ter escutado nada que tivesse sido gravado depois de 1980. Dissequei o rock inglês dos anos 1960 e 70, era alucinado pelos caras que estiveram em Woodstock e pela psicodelia californiana de bandas como The Doors, Grateful Dead e Jefferson Airplane. Adorava a fase viajandona dos primeiros anos do Pink Floyd, com Syd Barrett à frente. Só depois percebi que Barrett era mais maluco do que gênio, mas por um bom período eu achei o contrário. O Pink Floyd pós-Barrett é muito melhor. Tudo o que importa na banda foi feito depois que eles saíram dos clubinhos de jazz e foram tocar para as massas, aí viram grandes. Havia as bandas menos conhecidas, como Blue Cheer, que sempre é lembrada como uma espécie de lado B dos anos 1960. O disco de estreia deles, Vincebus Eruptum, é pesado como o Led Zeppelin seria um ano depois, no debute de 1969. E ainda havia as duas bandas mais influentes do mundo ― Beatles e Stones ― que, sozinhas, monopolizam a atenção de qualquer piá pançudo que está começando a escutar música.

Mas o fato é que, depois de um longo período dedicado à velharia, fiquei meio cansado do rocão clássico. Então passei metade dos anos 1990 afinado com o que foi produzido pelos meus contemporâneos. Escutei tudo que pude dos 90, do grunge ao britpop. Me apaixonei por bandas como Smashing Pumpkins ― quase comi o disco duplo mais foda dos anos 1990, o imbatível Mellon collie and infinite sadness. Ainda hoje me penitencio por não ter encarado o Hollywood Rock de 1996, quando a banda tinha acabado de lançar seu melhor disco e tocou na mesma noite do The Cure.

Também me embrenhei na barulheira do Sonic Youth. Até hoje, meu álbum preferido da banda é dos 90: Washing Machine, aquele disco com dois carinhas com máquinas de lavar estampadas na camiseta, é a união perfeita do noise com o pop. Sim, sei que eles têm discos mais aclamados, que a crítica pegou Daydream Nation pra Cristo, e o elegeu a obra-prima da banda. Mas, para mim, Washing Machine continua insuperável.

No Brasil, a música viveu nos anos 1990 uma espécie de ressaca pós-80. Poucos vingaram, e um número menor ainda continua por aí. Ainda assim, confesso que tive boa vontade com as bandas do meu tempo de pós-adolescente, quando também fui mais a fundo na história musical brasileira, me embrenhando na fase áurea de Jorge Ben ― A tábua de esmeraldas, África Brasil e Samba esquema novo ―, descobrindo Cartola, Chico, Nelson Cavaquinho, Zé Ramalho, Raul Seixas, Walter Franco, etc.

Sempre lutei contra certo sentimento de nostalgia que, vez ou outra, se apoderava de mim. E nostalgia de um tempo que não se viveu, é uma coisa bem idiota. Cultuar um passado que não se conhece é uma forma de desprezar a própria existência. Então nunca quis me tornar aquele chato que em um churrasco solta frases como "hoje não tem mais música que preste", "antigamente é que se fazia música de verdade" e coisas do gênero, que denunciam não a preferência por uma música diferente, mas, na maioria dos casos, apenas a ignorância cega daquilo que é feito embaixo do seu nariz.

Então foi com um pouco de receio que dei o título para este texto. Há sempre a possibilidade de um leitor mais preguiçoso associar meu nome a um tipo de fã anacrônico de música. Bem, mas ser mal compreendido é um risco corriqueiro para quem está disposto a revelar suas limitadas preferências artísticas. Mas, ainda que meio enganoso, o título não é de todo mentiroso. Depois desse nariz-de-cera que cometi para dizer que sou uma pessoa aberta a novas experiências musicais, me sinto mais à vontade para admitir que depois do final dos anos 1970 a música nunca mais tocou a mesma nota.

Os dez anos que separam 1965 de 1975, provavelmente foram os mais férteis da história do rock (mas não só). Os artistas daquele período que hoje estão canonizados, gravaram a parte mais substancial de seu repertório nesses dez anos. Claro que esses artistas não pararam de fazer bons discos depois de 1975, mas talvez não fossem o que são se não houvesse esse período mágico em suas carreiras.

Bob Dylan, que em 2011 completa 70 anos, poderia desmentir minha tese de araque com dois ou três discos sensacionais gravados em 1989 (Oh Mercy) e 1997 (Time out of mind), longe o bastante dos anos 1970. O judeu fanhoso, apesar de ter passado por períodos de ostracismo, nunca esqueceu como se faz uma boa canção. Suas pérolas musicas e poéticas residem até mesmo em discos mais fracos. Mas, ainda assim, mesmo tendo um repertório fantástico, com quase mil músicas, Dylan, ainda que seja um artista genioso, que só toca o que quer, nunca poderá escapar do conteúdo que produziu em Highway 61 revisited, Blonde on Blonde, Bringing all it back home, Planet Waves e Blood on the tracks, álbuns gravados em sua juventude, a fase mais brilhante de sua carreira. Se o violão de Woody Guthrie era uma máquina de matar fascistas, o de Dylan não parou de produzir clássicos durante uma década.

Os anos de glória dos Stones também estão entre os anos 1960 e 70. Ainda que os anos de Londres ― quando a banda gravou bons discos e seu som se baseava mais no blues americano ― tenham rendido alguns clássicos que sobreviveriam a muitas décadas ― "Satisfaction", "Stoned", "Paint in Black", "Play with fire" e "Under my Thumb" são dessa leva ―, foi entre 1968 e 1974 que a banda concebeu seus clássicos. Uma sequência arrebatadora que começou no final dos anos 1960 com Beggars Banquet (1968) e Let it bleed (1969) e terminou na primeira metade dos anos 1970 com Sticky Fingers (1971), Exile on Main Street (1972), Goats head soup (1973) e It's only rock'n'roll (1974). Depois disso, bons álbuns vieram (Tattoo you e Black and blue são os meus preferidos), mas a fase genial tinha ficado para trás.

É claro que os Stones e Bob Dylan, sozinhos, não provam nada. Não podem, com suas carreiras, certificar uma década como a mais brilhante da história do rock. Mas os discos lançados entre 1960 e 1970 podem. Nesse período Jimi Hendrix lançou todos os seus álbuns, incluindo a estreia com Are you experienced (1967) e o magistral Electric Ladyland (1968), o Cream nasceu e morreu, os Doors e o Velvet Underground viraram imortais com suas estreias (1967), o Jefferson Airplane lançou Surrealistic Pillow (1967), os Kinks fizeram seus melhores álbuns, a The Band gravou Music from the big Pink (a mesma casa rosa em que gravaram os Basement Tapes com Dylan) , Van Morrison pirou com Astral Weeks (1968) e Neil Young dava início a uma carreira-solo espetacular ― Harvest veio na esteira de Everybody knows this is nowhere, tá bom assim?). O começo dos anos 1970 também deu o norte para dois estilos que se tornariam febre entre jovens décadas depois: o punk com os Stooges e o metal com o Black Sabbath. Mas há muito mais. O que falar dos discos que Bowie fez antes e depois de sua androginia? Joni Mitchell, Nick Drake, Lynyrd Skynyrd, Marvin Gaye, Pink Floyd, All Green, Yes, Rush, os anos 70 são uma mina de ouro musical que se mostra inesgotável a quem se propõe a escavá-la.

Mas, o mais incrível não é apenas a profusão de grandes artistas que tiveram seus momentos mais criativos nos anos 1970, mas o que essas bandas fizeram com as gerações que lhe sucederam. De certa forma, esses artistas eclipsaram as gerações seguintes, que não conseguiram criar uma música tão idiossincrática e poderosa quanto a de seus ídolos. E hoje, o que se valoriza e se espera não é mais um tipo de música que se pareça única, singular, mas um tipo de música que consiga se relacionar com o que foi feito no passado, que dialogue com a matriz. É como se a música de hoje estivesse em um patamar artístico inferior. E, o que é pior, parece que tanto o público quanto a crítica já se conformaram com isso.

O Led Zeppelin é uma das minhas bandas preferidas, apesar de não ser a número um em minha galeria. Mas, com certeza, foi a banda de rock mais perfeita de todos os tempos. Todos os seus integrantes eram fantásticos e a banda tinha uma sinergia que, depois da morte de Bonhan, nunca mais foi alcançada e o grupo se desfez. O Led foi uma coisa tão mágica, que até o mais cético dos céticos é levado a acreditar naquelas bobagens de astrologia e zodíaco que a banda fazia questão de disseminar, com aqueles símbolos que eles mesmos não sabiam direito o que representavam. Em menos de dez anos, o Led Zeppelin construiu um discografia comparável a dos Beatles. Não há um disco falho em sua trajetória. Presence e Coda, os discos menos comentados do grupo, são petardos bem acima da média, de qualquer média. Os seis primeiros discos do Led convertem qualquer piá, de qualquer parte do mundo, em um fã fervoroso de rock. Não há como escapar. Se o destino realmente ronda a vida, ele se materializou no Led Zeppelin. Depois do fim da banda, nenhum integrante conseguiu fazer algo que se aproximasse da relevância do Led, ainda que a carreira-solo de Robert Plant tenha bons momentos. A impressão que se tem é que rolou algo como "as pessoas certas no momento certo". Cada integrante tinha a mesma importância (Page&Plant tinham mais holofote, mas Jones&Bonhan estavam longe de serem apenas coadjuvantes), o que é bastante difícil de acontecer em uma banda de rock, onde a disputa por espaço quase sempre é selvagem.

Mas e depois dessa onda criativa, o que aconteceu com a música? Por que não há uma banda contemporânea com a força e a magia do Led Zeppelin? E essa situação não se restringe ao rock. Não sou grande conhecedor de jazz, mas sei que todos os mitos do gênero estão no passado. Até onde sei, não há um Charlei Parker no cenário. É claro que há boa música sendo feita, o Radiohead é um clássico contemporâneo, mas não me parece que vai conseguir alcançar a relevância de bandas de outrora. Os mais céticos costumam dizer que, na música, tudo já foi feito. Prefiro não acreditar nisso e achar que a criatividade está entre nós e um dia uma nova hecatombe musical vai ser deflagrada. Assim espero.

Luiz Rebinski Junior
Curitiba, 20/4/2011

sexta-feira, 18 de março de 2011

Meus “trios elétricos” são outros… por REGÍS TADEU

Por Regis Tadeu

http://colunistas.yahoo.net/posts/9216.html

É segunda-feira de Carnaval, que beleza! Estamos todos animados, pulamos muito na avenida, nos salões, distribuímos alegria a todos ao nosso redor, bebemos bastante, paqueramos, nos demos bem ou mal, todos com bracinhos pra cima, entoando canções memoráveis… Certo? Não, errado.
O quadro que você acabou de ler não tem nada a ver comigo e pode apostar, não tem a ver com uma infinidade de pessoas. Para mim, esse negócio de “só não vai atrás do trio elétrico quem já morreu” é uma babaquice inventada para tentar convencer aqueles que não se deixam enganar pelo Carnaval que é feito hoje no Brasil, um evento que nada mais é que a proliferação de uma alegria tão natural quando uma lona de barraca de pastel de feira. Mas não estou a fim de escrever sobre isto hoje para não estragar o meu bom humor, este sim um artigo genuinamente comprovado por todos que me conhecem…
O que desejo mostrar aqui é a possibilidade de irmos atrás de outros “trios elétricos”, estes sim verdadeiramente “trios” e genuinamente “elétricos”. É claro que não vou dar dicas a respeito de como curtir aberrações musicais como Chiclete com Banana, Asa de Águia e outras atrocidades. O negócio aqui é outro. Se você for esperto, curioso e inimigo da acomodação musical/cultural, certamente irá atrás dos trios elétricos que vou postar abaixo.
Rush
Cream
Jimi Hendrix Experience
Motörhead
Não dá para falar neste tipo de formação musical sem citar alguns ícones, mas coloquei algumas composições que pouca gente conhece a respeito destas bandas. Se você não está familiarizado com o som destes caras, é uma ótima oportunidade de ver e ouvir canções que não sejam as “clássicas”.
É o caso do Rush, por exemplo, que tem uma infinidade de canções antológicas, dentre as quais a pouco e belíssima conhecida balada – se é que podemos chamá-la assim “Different Strings” .

Da mesma forma, o Cream também tinha uma sensacional pérola escondida em seu repertório, que era “Desert Cities of the Heart”.

Até mesmo Jimi Hendrix teve ótimas canções que pouca gente deu bola, como “Long Hot Summer Night”.

O mesmo vale para o inigualável Motörhead na impagável “Dead Men Tell No Tales”.

Emerson, Lake & Palmer
Com uma formação diferente da tradicional guitarra/baixo/bateria, certos grupos nos anos 70 elevaram o conceito de “power trio” para um outro patamar, como foi o caso do Emerson, Lake & Palmer, que tanto popularizou a música de compositores eruditos – como Aaron Copeland, que teve a sua “Hoedown” transformada de maneira espetacular pelo trio

– como também compôs coisas maravilhosas e pouco conhecidas, como a portentosa “The Endless Enigma”.

De uma forma derivativa, mas não menos brilhante, o trio Triumvirat sabia eletrificar as coisas em “The Capital of Power”

e também tinha a habilidade de suavizar seu som, como na ótima “The Sweetest Sound of Liberty”,

ambas extraídas de seu mais lendário disco, Spartacus, de 1975.
James Gang
Dust (o atual Marky Ramone está à direita)
Mas tanto no passado quanto no presente existem trios elétricos fazendo um trabalho de ótima qualidade. Se antigamente tínhamos preciosidades como  o inacreditável Budgie e seu ‘arrasa-quarteirão’ “Breadfan”,

a James Gang – grupo que o guitarrista Joe Walsh capitaneava antes de ingressar no Eagles – arrasando com “Funk #49”,

o Mountain, liderado pelo carismático Leslie West e seu “cartão de visitas”, “Mississipi Queen”,

o pioneiro Blue Cheer – lembra da incrível versão que os caras fizeram em 1967 de “Summertime Blues”, de Eddie Cochran (relembre)?

– e o Dust, grupo de onde veio Marky Ramone, antes conhecido como Mark Bell, e sua maravilhosa “Learning to Die”.


Hoje em dia temos trios para todos os bons gostos, como o King’s X e sua excelente “Pray”

e o The Brew.

Patrulha do Espaço
Se você pensa que o próprio Brasil nunca produziu “trios elétricos”, está enganado. Como esquecer a lendária Patrulha do Espaço em “Columbia

e do novo Pata de Elefante?


É lógico que eu poderia escrever até a quarta-feira de Cinzas ininterruptamente para colocar aqui a infinidade de “trios elétricos” maravilhosos que toda a pessoa que despreza o Carnaval poderia seguir, mas isto seria uma tarefa hercúlea, da qual eu abro mão nestes dias de descanso. Por isto, recomendo que você aproveite as “folgas de Momo” e pesquise seus próprios trios. E não deixe de colocar as suas recomendações aí embaixo, no espaço destinado aos comentários. Afinal de contas, “só não vai atrás do trio elétrico quem já morreu”, certo?

 

A indústria dos relançamentos para 2011 - por KID VINIL

Por Kid Vinil 

http://colunistas.yahoo.net/posts/8920.html

Eu adoro comentar relançamentos de CDs de bandas que se tornaram clássicos do rock and roll. Passo boa parte do meu tempo pesquisando  os chamados “reissues” e hoje encontrei numa dessas lojas virtuais de CDs a notícia de que o Queen assinou um contrato milionário com a Universal Music Group da Inglaterra, depois de passarem quase 40 anos nas mãos da também britânica e poderosa gravadora EMI.
Para celebrar esse contrato, a Universal  Records colocará à disposição no mercado, a partir do dia 14 de março, os cinco primeiros álbuns do Queen remasterizados e dessa vez em edições duplas em CD. E lá vou eu mais uma vez comprar esses discos do Queen, que na verdade eu já tenho naquelas edições japonesas imitando a capa de um LP, lançadas no final dos anos 90. Como se não bastasse, na mesma época, adquiri uma caixa enorme com moldura, toda dourada contendo a coleção inteira do Queen em CDs também imitando discos de ouro. É muito requinte para um fã do Queen, mas acho que merecemos. E agora sem pestanejar acabo de fazer a minha pré-order dessas cinco edições duplas, que são:

QUEEN – 1973
O disco de estreia do Queen reaparece em sua nova edição dupla, no primeiro CD as 10 músicas originais e no segundo seus gravações inéditas, algumas delas retiradas de tapes de demonstração feitos em 1971 antes da gravação definitiva desse primeiro álbum.

Queen  II  – 1974
Nesses dois primeiros discos o Queen fazia uma mistura de glam rock do inicio dos anos 70 mixando com riffs pesados e os vocais intrigantes aliados ao visual do performático de  Freddie Mercury. A dose perfeita para uma banda que começava com um objetivo,  de acordo com o que seu vocalista dizia “Eu não serei  uma estrela,  serei  uma lenda”. A nova edição desse segundo disco do Queen traz cinco faixas bônus no segundo CD,  incluindo sessions para a radio BBC e gravações ao vivo inéditas de 1975.

SHEER HEART ATTACK – 1974
O Queen me foi apresentado no final de 1974 através desse disco que um amigo de escola  havia comprado e não parava de ouvi-lo. O álbum tornou-se o meu favorito de  toda carreira da banda. Nunca me esqueço da frase estampada na contra capa do disco No synthesizers, apenas pra deixar bem claro que tudo que foi executado no disco foi tocado de verdade pelos seus integrantes. No CD bônus mais sessions da BBC e gravações ao vivo de 1974/75.

A  NIGHT AT THE OPERA – 1975
Para muitos esse é considerado o grande clássico da carreira do Queen, muito disso pelo fato de trazer um dos singles mais vendidos de toda história do rock britânico. A música “Bohemian Raphsody “é um marco na história, permaneceu durante 9 semanas como a mais vendida em 1975. Além da estrutura musical que alia rock progressivo com heavy rock e pitadas clássicas, o vídeo também foi marcante e inovador para a linguagem do vídeo clip.E como se não bastasse esse hit, ainda teve uma das mais belas baladas de todos os tempos “Love Of My Life”.  No CD bônus mais seis faixas inéditas.

A DAY AT THE RACES – 1976
O quinto álbum do Queen nessa série de relançamentos e que fecha digamos uma primeira fase dessa carreira vitoriosa. Considero esses cinco primeiros discos essenciais e foi uma ótima estratégia de marketing da Universal relançar esses álbum em luxuosas edições duplas para comemorar a assinatura de contrato com a banda.  Aqui também encontramos outro hit potencial que foi “Somebody To Love” e no CD bônus um versão alternativa para a fabulosa “Tie Your Mother Down”, que abre o disco.
Dois outros relançamentos que recomendo são da banda Rainbow, o grupo que o guitarrista Ritchie Blackmore (ex-Deep Purple) montou junto com o vocalista Ronnie James Dio em 1975.
Dois dos melhores discos  do Rainbow estão saindo também em edições duplas, são eles:

RISING – 1976
Esse é o segundo disco da carreira do Rainbow e um de seus melhores álbuns. Nele Ritchie Blackmore conseguiu chegar mais próximo dos clássicos lançados com o Deep Purple. Na edição, que chega às lojas britanicas na semana que vem, o álbum que originalmente tinha apenas seis músicas, agora se estende para 12 músicas no primeiro CD e mais outras 7 novas versões no segundo CD.

DOWN TO EARTH – 1979
Nesse disco, Ritchie Blackmore reinventou o Rainbow e mudou quase toda formação, saia o vocalista Dio e entrava Graham Bonnet, e também era recrutado Roger Glover o ex-baixista do Deep Purple. Da formação anterior  ficaram apenas o próprio Ritchie Blackmore e o baterista Cozy Powell. No primeiro CD duas faixas inéditas, além das oito músicas originais lançadas  em Down To Earth, em 1979. No segundo, remixes e sobras de estúdio recuperadas da gravação do álbum.
Ainda dentro dessa estratégia de transformar  discos simples em luxuosas edições duplas temos um dos grupos pioneiros da chamada British Invasion da década de 60. O Kinks, uma das minhas bandas favoritas dessa safra do rock inglês da década de 60 volta com seus três primeiros álbuns em edição dupla, são eles:
THE KINKS – 1964
Apesar de não representar um páreo para os primeiros discos dos Beatles e dos Stones, esse disco de estréia dos Kinks trazia aquela que foi considerada recentemente pela revista inglesa “Q”  como a 15a das canções que mudaram o mundo, com o título “A canção que inventou o heavy metal”. A prova disso está nos riffs  nervosos de guitarra distorcida e ainda na regravação do Van Halen em 1978. O bom dessa reedição é que nos dois CDs são 28 músicas cada um pra fazer valer o investimento.

KINDA KINKS – 1965
No segundo CD dos Kinks, além das composições de Ray Davies uma regravação da clássica “Dancing In The Street”. Nessa edição dupla temos as 12 faixas originais no primeiro disco e mais 23 faixas bônus no segundo.
THE KINK KONTROVERSY – 1965
A cada disco o Kinks tonava-se uma banda mais madura e encontrava seu próprio estilo, longe de comparações com Beatles e Stones. Um dos  hits desse disco  foi a cultuada “Where Have All The Good Times Gone” regravada nos anos setenta por David Bowie no álbum Pin Ups. O primeiro CD traz o álbum como foi concebido e no segundo 17 faixas bônus.
Essa é a terceira vez que esses discos dos Kinks são reeditados em CD, as remasterizações dos anos 90 também ofereciam faixas bônus, mas nesse caso o numero de musicas é bem maior e pode valer a pena ir atrás dessas  edições duplas. Existem porém casos recentes de reedições que não valem a pena, como por exemplo a Sony que acaba de comprar o catálogo do Emerson Lake & Palmer, uma das mais importantes bandas britânicas do rock progressivo. A Sony inglesa colocou novamente no mercado os sete primeiros discos da banda, que eu considero obras essenciais do rock progressivo, porém as remasterizações são as mesmas lançadas pelo selo Castle nos anos noventa. Então, se você tem aquelas reedições antigas, esqueça esses remasters da Sony. Se não tiver,  vale a pena pelo preço, cerca de 6 libras cada um (por volta de 15 reais).
E por falar em cds por volta de 15 reais, vamos mudar o cenário e cair pro nosso Brasil, onde encontraremos nas bancas de jornais a coleção do fabuloso Tim Maia. Esse é um projeto imperdível, fico sempre esperando chegar a sexta-feira para correr na banda e pegar uma nova edição. Estamos no volume 4 Tim Maia Racional Vol 1, nesta sexta sai o Racional volume 2. Serão 15 discos, daquele que eu considero um dos maiores interpretes da soul music brasileira. Se você aprecia a boa música feita nesse país, corra na banca mais próxima enquanto é tempo e adquira esses discos de Tim Maia. O preço de 15 reais é bem justo para uma embalagem caprichada trazendo um belíssimo livreto ilustrado e o CD encartado.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O processo de gravação de um álbum Por Andreas Kisser

http://colunistas.yahoo.net/posts/8429.html



Desde o final do mês passado o Sepultura esta em estúdio em São Paulo gravando o novo disco. Este será o primeiro trabalho a ser lançado pelo selo Nuclear Blast, gravadora de grande tradição no metal mundial. Uma novidade nesta gravação é que estamos transmitindo parte deste processo ao vivo, pela TV Trama, de segunda a sexta, das 16h às 18h. Abrimos o canal, em live streaming, e durante estas duas horas, todos podem acompanhar o que esta acontecendo dentro do estúdio, sem cortes, ao vivo.
Está sendo uma experiência nova para todos e é muito interessante. De acordo com uma pesquisa que a própria TV Trama fez, esta é a segunda vez que uma banda abre o estúdio desta maneira, somente o Blur tinha feito isto há alguns anos.
Durante as duas horas em que o canal fica aberto, existe também um chat, onde as pessoas acompanham com seus comentários, sugestões e críticas. É engraçado notar que a grande maioria não tem a mínima noção do que é uma gravação de um disco, não sabe o porquê de certas coisas e já querem ver o material pronto, como se estivessem vendo um videoclipe. É claro que existem mil maneiras de se gravar um disco, desde a banda tocando ao vivo e tudo sendo gravando simultaneamente, até tudo ser gravado separadamente, inclusive utilizando vários estúdios diferentes.
Nos primórdios das gravações fonográficas, as bandas ficavam no estúdio tocando a mesma música dezenas de vezes até acharem o “take” perfeito. Elvis Presley, por exemplo, em suas primeiras gravações no lendário Sun Studios, fazia o registro desta maneira, tocando 50, 60 vezes a mesma canção, na procura desta performance perfeita. Era tudo muito orgânico, real e vivo, não haviam muitos truques, os músicos tinham que ser músicos mesmo, não havia enganação.
Eric Clapton gravou um disco ao vivo no estúdio, como nos velhos tempos, num disco com repertório de clássicos do blues, From the cradle é uma homenagem de Clapton ao estilo que “coletou” sua alma desde cedo.
Os Beatles, por outro lado, revolucionaram a maneira de se gravar, fazendo verdadeiros milagres numa época em que a tecnologia estava atrasada em relação à genialidade do produtor Sir George Martin. As ideias malucas de John Lennon e Paul McCarntey foram realizadas pela mente brilhante de Martin, um gênio dos estúdios. Acho também que a opção dos Beatles, de abandonarem prematuramente os palcos, deu uma certa liberdade de extrapolar dentro do estúdio, não se preocupando se daria para reproduzir ao vivo, no palco. No estúdio, tudo era possível. Os Beatles enriqueceram suas músicas com técnicas audaciosas, que deram a eles a possibilidade de gravar instrumetos extras, até orquestras, em relação ao número de canais disponíveis na mesa de gravação. Veja aqui.
O Metallica é uma banda que não tem medo de abrir as portas e mostrar o que acontece dentro de uma mega banda reconhecida mundialmente. Eu recomendo os dois filmes que eles fizeram e que mostraram o processo de gravação de dois álbums. O primeiro é o “A year and a half in the life of…”, que mostra as gravações do Black Album, o disco de metal de maior sucesso na história da música. Ali você sente os prazeres e desprazeres de fazer parte de um processo tão grandioso. O outro é o “Some kind of monster”, que mostra as gravações do péssimo St. Anger. Aqui fica exposto os problemas de relacionamento que podem afetar, e muito, a produção de um disco.
Hoje em dia é muito mais fácil fazer um disco, com a chegada do computador e seus “plug-ins” que podem repoduzir e imitar qualquer som de qualquer instrumento ou amplificador, o que , se não for bem utilizado, pode ser muito perigoso para o projeto, podendo deixar o trabalho muito mecânico, sem emoção.
No estúdio é onde você se conhece como músico, ouve os seus defeitos, os corrige e cresce. Os detalhes são discutidos à exaustão, arranjos, tipos de microfones, posição da bateria, afinação dos instrumentos; a ordem de tudo tem que ser muito bem planejada. Tudo isso não pode tirar o prazer de tocar, afinal é isso que uma gravação tem que captar, a energia do músico se expressando no seu momento mais mágico, um registro que vai ficar pra sempre, é uma grande responsabilidade mas é um grande prazer também. Este equilibrio é que faz de um disco um grande disco!
Acompanhe a gravação do novo disco do Sepultura na TV Trama.
Play it loud!
Andreas Kisser

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Os maiores arranjos de guitarra no rock – parte II - por ANDREAS KISSER

http://colunistas.yahoo.net/posts/8262.html








A minha coluna da semana passada foi bem polêmica, como já era de se esperar, afinal qualquer lista de qualquer coisa nunca vai ser unânime. Muita gente reclamou de falta de critério na elaboração da minha lista e várias pessoas confundiram os “riffs” de guitarra e os solos com os arranjos. Mas é isso que é positivo e saudável, abre uma discussão e, no final, o que vale é aquilo que você realmente gosta, aquilo que você curte, que te pira a cabeça e a alma.
Deixa eu explicar o que eu entendo como “arranjo”. Arranjo é o que faz a música ser interessante, ser rica, é o que dá conteúdo, abrilhanta e destaca uma melodia que, sozinha, seria ignorada. Arranjo é aquilo que dá à música uma característica única, uma assinatura, não importando se a melodia é simples ou complicada. Um exemplo: a melodia da nona sinfonia de Beethoven, a “Ode to Joy”, que é muito simples – mas que talvez seja a melodia mais conhecida no mundo, junto com “ Uma Pequena Seresta Noturna”, de Mozart – já foi arranjada de várias maneiras diferentes.
Beethoven nos apresentou esta melodia na forma de uma sinfonia com grande coral, magestosa, grandiosa, monumental. Outro arranjo da mesma melodia é o de Richie Blackmore – lendário guitarrista do Deep Purple e do Rainbow -  que fazia este tema com a sua banda ao vivo, neste caso a Rainbow, que registrou esta versão em estúdio no disco “Difficult to Cure”. Ele preservou a melodia tão conhecida mas “vestiu-a” com outra “roupa”, ou seja, arranjou de forma diferente, e ela ficou mais moderna, com instrumentos elétricos juntados ao peso da bateria. Ficou fantástica, acho que até o Ludwig Van ficaria orgulhoso:
Além de Richie Blackmore, é claro que ficaram faltando grandes nomes e grandes arranjos na minha lista da semana passada, por isso eu resolvi dar uma sequência nesta lista para deixá-la um pouquinho mais justa, se é que isso é possível. No fim das contas, escutar os mestres acaba sendo um estudo mais específico da genialidade e da criatividade destes grandes guitarristas. A gente sempre aprende algo novo com eles. Segue a lista:
Mr. Gilmour poderia ser comparado com algum mestre da pintura mundial, Salvador Dali ou Monet por exemplo, seus solos são inconfundíveis e seus arranjos te levam a lugares maravilhosos. Esta música é uma das mais conhecidas do Pink Floyd e umas das preferidas pelos músicos para se tocar. Ela mostra toda a suavidade do violão, solos memoráveis e muito bom gosto.
“A” obra prima do rock and roll, um monstro criado pelo gigante britânico Queen. Brian May toca guitarra como ninguém e neste opus ele mostra toda sua genialidade.
Um arranjo magistral, onde a guitarra substitui os sons de cellos, violinos, trompas ou clarinetes. No auge deste épico, quando a guitarra toma conta, soando como uma guitarra mesmo, entra o riff de que ainda agita qualquer cabeça que estiver escutando (é o riff da célebre cena do filme “Quanto Mais Idiota Melhor”, quando todos estão no carro, ouvindo esta parte da música, agitando em uníssono) energia pura, guitarra pura!
O mago da guitarra, Randy Rhoads, primeiro e mais importante guitarrista da carreira solo de Ozzy, fez um clássico já em seu primeiro trabalho, o disco “Blizzard of Ozz”. Além do solo imortal de “Mr. Crowley” e a lindíssima acústica “Dee”, o disco traz a faixa “Revelation”, que mostra todas as melhores qualidades de Randy. Ela é tensa desde o início, apesar do começo acústico e aos poucos  a intensidade aumenta, passando por um solo de piano até o ápice do solo de guitarra. Randy Rhoads at is best!
O guitarrista do Rush é um músico excepcional, apesar disto é raramente lembrado nas listas de melhores guitarristas no rock. Esta música é um marco na carreira do Rush, é uma mistura única de rock progressivo e pesado, com música erudita, jazz, reagge e música regional de várias partes do mundo. Alex é mestre em todos estes ritmos e aqui ele mostra o seu melhor. O solo é de chorar, dinâmica suave no início até o extremo quase esquizofrênico do final.
Esta música do Metallica é uma consequência de temas mais antigos como “Fade to Black”, “Sanatarium” e “One”. Uma maneira de misturar temas dedilhados e limpos com guitarras distorcidas e pesadas, um estilo que abriu muitas portas para a banda na mídia, não só a especializada em metal. Ela é tão emblemática que o Metallica fez mais duas “Unforgivens”, a I e a II, em diferentes álbums. Uma aula de sutileza e rara beleza dentro do peso do metal.
Falar de algum arranjo específico de Zappa é impossível, ele é um dos guitarristas mais originais da história, o mais audacioso e que estava sempre quebrando as regras musicais do “establishment”. Influenciado por tudo, inclusive Igor Stravinski, que virou a cabeça dele ao avesso, isso nota-se na maneira que ele compõe. Nas letras, ele conta histórias cheias de reviravoltas e muito humor, a música acompanha o enredo quase como se fosse uma rádio novela, com sons, ruídos e vários efeitos sonoros que enriquecem a história.
Os Mutantes é um grupo que tem uma história riquíssima e muito variada musicalmente. Desde a influência dos Beatles, no final da década de 60, passando pelos acordes progressivos do Yes na década de 70 e sempre misturando ritmos brasileiros, Sérgio Dias se destacou como um guitarrista de mente aberta e profundo conhecimento musical. Nesta música, de 1972, mesmo ano que o Deep Purple lança o disco “Machine Head” com a música “Smoke on the Water”, já se sente a influência dos rock mais pesado, de guitarras mais ousadas e distorcidas. Sérgio estava muito à frente do nosso tempo.
Bom, as listas podem ser intermináveis, aqui coloquei aquelas músicas, e principalmente os guitarristas,  que mais me guiaram, me mostraram muitos novos caminhos e maneiras de tocar guitarra. Serão meus eternos mestres.
Bons sons, play it loud!
Abraço,
Andreas Kisser

Os maiores arranjos de guitarra no rock! - por ANDREAS KISSER

Como disse na minha última coluna, estava nos Estados Unidos visitando a NAMM e fiz também dois shows com o Sepultura, na Califórnia. No carro, escutando a rádio a satélite Sirius, com mais de 150 estações de do mundo, parei numa emissora de rock clássico, e na hora estava tocando a “Sultans of Swing”, do Dire Straits. Fiquei mais uma vez impressionado com o arranjo da guitarra feita pelo Mark Knoplfer, um assombro.
Fiquei pensando em outros grandes arranjos, não nos riffs ou nos solos, mas nos arranjos, a harmonia e o bom gosto dos guitarristas que enriquecem o tema, exlporando o instumento ao máximo, tirando o seu melhor. Então, ai vai mais uma listinha – polêmica – a dos maiores arranjos de guitarra no rock:
1- Mark Knopfler – “Sultans of swing” (ouça aqui)
O lendário guitarrista do Dire Straits… esta música foi a que colocou a banda no mapa mundial. Uma música muito original com uma guitarra fantástica, timbres únicos e virtousismo na medida certa. Nada até hoje se compara a este trabalho magistral, uma aula de bom gosto.
2 -Jimi Hendrix – “Little wing” (ouça aqui)
Uma das músicas mais tocadas do mestre Jimi Hendrix, uma harmonia simples mas que tocada à maneira “Hendrixiana” vira uma obra de arte. Ele preenche os “buracos” com incrível habilidade e mostra que ele não é só feito de barulhos e microfonias. Elle tinha também muita melodia e sentimento para tocar os acordes. De tão brilhante o arranjo da base que o solo ficou em sugundo plano na música. Aliás, nem precisava mesmo. O Stevie Ray Vaughn regravou este clássico e a sua versão respeita demais a original, afinal, impossível fazer melhor.
3- Jimmy Page – The Song Remains the Same” (ouça aqui)
O Led Zeppelin tem muitos arranjos maravilhosos de guitarra, difícil escolher um, mas acho que esta música representa muito bem o que Jimmy Page tem de melhor. Ela começa com toda força, mostrando a guitarra mais agressiva, mesclando com momentos de dedilhados que mostram a delicadeza de Mr. Page, um verdadeiro maestro da guitarra. Aqui você sente o brilhantismo e o gigantismo das guitarras do mestre.
4 – Tony Iommi – “Sabbath Bloody Sabbath” (ouça aqui)
O peso dos riffs de Tony Iommi são incomparáveis e ele representa o que de mais pesado foi feito, sem perder a beleza, a sutileza e a sensibilidade do instrumento. Nesta música Tony mostra todo o seu arsenal, aqui, mais uma vez, o solo é um detalhe, todo o trabalho do ritmo é o que de mais rico o tema possui. Ele mescla a brutal distorção com momentos de guitarra limpa, fazendo melodias com oitavas e dedilhados. Na segunda parte um dos riffs mais pesados e agressivos já compostos, fecha a música num clima que da medo.
5 – Van Halen – “Hot for Teacher” (ouça aqui)
Outro revolucionário da guitarra, depois de Jimi Hendrix, é o Eddie. Sem ele a guitarra estaria ultrapassada e nesta música, do álbum 1984 – na minha opinião o melhor deles -, ele dá um banho. Nunca antes alguém tinha tocado guitarra como ele. Aqui você ouve uma mão direita percussiva e precisa, a mão esquerda deslizando e tirando “gritos” espetaculares da guitarra. O solo é como se fosse parte do arranjo da base, de tão perfeito o encaixe. A guitarra mais livre e solta já tocada no rock.
6 – Glenn Tipton e K.K. Downing – “Victim of Changes” (ouça aqui)
Em se tratando de duas guitarras não há dupla melhor do que a do Judas Priest e aqui eles estão no auge. Este é um dos maiores clássicos do Judas, obrigatório em qualquer show. A introdução da música é feita com as duas tocando um tema, fazendo harmonias diferentes e praticamente criando um estilo de solar em duplas, técnica que eles utilizaram em várias músicas da banda. Riffs poderosos em uníssono, mesclando  efeitos e alavancadas. Perfeita combinação, uma parede sonora!
7 – Steve Vai – “For the Love of God” (ouça aqui)
Aqui o solo é o arranjo da música. E que solo! Tudo conspira para que o solo seja o “tudo”. Uma odisséia que somente este “wizard” poderia conceber. Aqui se ouve notas longas, bends, alavancadas, arpejos, palm mutingtapping, escalas longas e maravilhosas. De acordo com a lenda, o solo foi gravado em um take e acredito que foi mesmo, da pra sentir a conexão de uma nota para outra, sempre crescendo na dinâmica, potência e velocidade. Majestoso!
8 – Steve Howe – “Close to the Edge” (ouça aqui)
Esta música tem quase 20 minutos, não se fazem mais música como antigamente. Que desafios gigantescos os músicos do Yes sempre colocavam à sua frente. Este arranjo pra guitarra é magistral, complexo e maravilhoso. Steve Howe traz influências do erudito, do jazz e do rock, e mistura elas como ninguém. Melodias marcantes, escalas dificílimas e performance única. É realmente um marco na guitarra progressiva.
Bom, é claro que existem muitas outras obras-primas que foram feitas na guitarra mas não da pra mencionar aqui. Na minha opinião, estes arranjos se destacam por vários motivos e neles se englobam as mais influentes maneiras de se expressar através deste instrumento mágico. E pra você, qual o arranjo de guitarra que é o melhor de todos os tempos?
Abraço, play it loud!
Andreas Kisser

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