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BEM VINDOS AO BLOG DO SÃO ROCK


Nossa História

Em junho de 2005, seis amigos se reuniram para comemorar seus aniversários, que por coincidência dos deuses do rock, eram todos na mesma semana. Resolveram chamar a banda de um amigo de Crato (Michel Macêdo, da Glory Fate). Também chamaram duas bandas locais (SKP e ET Heads), e fizeram a trilha sonora desta festa, que a princípio era exclusiva a aniversariantes e seus amigos. Sem querer, nascia ali o festival SÃO ROCK – o dia em que o rock foi pro brejo!
O sucesso da primeira edição obrigou uma continuação. Dois anos depois, já em 2007, veio a segunda edição, agora com a participação de bandas de Fortaleza, e aberto ao público. O sucesso consolidou o evento, e perpetuou essa data no calendário do rock cearense.
Pelo festival já passaram nomes de peso no cenário cearense, como Artur Menezes, Felipe Cazaux, Caco de Vidro, banda One, Killer Queen, Glory Fate, Zeppelin Blues, Renegados, banda Void e tantos outros que abrilhantaram noites inesquecíveis, regadas à amizade, alegria e o bom e velho rock´n´roll.
Hoje, o que se iniciou com um simples aniversário, tomou enormes proporções, estendendo seus ramos, diversificando os estilos e abrindo espaço para mais e mais bandas que querem mostrar seu talento em nossa terra. Agora são duas noites de festival, além da Caldeira do Rock, que leva bandas alternativas para a praça pública, numa celebração maravilhosa, onde congregamos amigos de todas as cidades circunvizinhas e de outros estados, irmanados pelo amor ao rock.
Não para por aí. Queremos tornar o São Rock uma marca que não promova apenas um festival anual, mas que seja um verdadeiro tablado que promova eventos de rock durante todo o ano! Assim, poderemos desfrutar do convívio saudável e também marcar nossa presença, dizer que temos voz e vez, numa cultura tão massificada por músicas desprezíveis e por gêneros impostos ao povo! Fomos, somos e sempre seremos roqueiros!
Portanto, venha participar dessa irmandade, apóie, divulgue, patrocine essa idéia, e seja mais um que ajuda a construir esse espaço!

Esse é o BLOG oficial do festival SÃO ROCK, que ocorre todo ano em Brejo Santo - Ceará. Criado "acidentalmente" por aniversariantes que comemoram na mesma semana e que se uniram para fazer uma única celebração voltada ao nosso gosto músical o ROCK. Além disso o blog divulga noticias e eventos nacionais e internacionais, além de ajudar na promoção cultural da região. Sobre tudo é uma apologia a amizade.




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sexta-feira, 18 de março de 2011

A indústria dos relançamentos para 2011 - por KID VINIL

Por Kid Vinil 

http://colunistas.yahoo.net/posts/8920.html

Eu adoro comentar relançamentos de CDs de bandas que se tornaram clássicos do rock and roll. Passo boa parte do meu tempo pesquisando  os chamados “reissues” e hoje encontrei numa dessas lojas virtuais de CDs a notícia de que o Queen assinou um contrato milionário com a Universal Music Group da Inglaterra, depois de passarem quase 40 anos nas mãos da também britânica e poderosa gravadora EMI.
Para celebrar esse contrato, a Universal  Records colocará à disposição no mercado, a partir do dia 14 de março, os cinco primeiros álbuns do Queen remasterizados e dessa vez em edições duplas em CD. E lá vou eu mais uma vez comprar esses discos do Queen, que na verdade eu já tenho naquelas edições japonesas imitando a capa de um LP, lançadas no final dos anos 90. Como se não bastasse, na mesma época, adquiri uma caixa enorme com moldura, toda dourada contendo a coleção inteira do Queen em CDs também imitando discos de ouro. É muito requinte para um fã do Queen, mas acho que merecemos. E agora sem pestanejar acabo de fazer a minha pré-order dessas cinco edições duplas, que são:

QUEEN – 1973
O disco de estreia do Queen reaparece em sua nova edição dupla, no primeiro CD as 10 músicas originais e no segundo seus gravações inéditas, algumas delas retiradas de tapes de demonstração feitos em 1971 antes da gravação definitiva desse primeiro álbum.

Queen  II  – 1974
Nesses dois primeiros discos o Queen fazia uma mistura de glam rock do inicio dos anos 70 mixando com riffs pesados e os vocais intrigantes aliados ao visual do performático de  Freddie Mercury. A dose perfeita para uma banda que começava com um objetivo,  de acordo com o que seu vocalista dizia “Eu não serei  uma estrela,  serei  uma lenda”. A nova edição desse segundo disco do Queen traz cinco faixas bônus no segundo CD,  incluindo sessions para a radio BBC e gravações ao vivo inéditas de 1975.

SHEER HEART ATTACK – 1974
O Queen me foi apresentado no final de 1974 através desse disco que um amigo de escola  havia comprado e não parava de ouvi-lo. O álbum tornou-se o meu favorito de  toda carreira da banda. Nunca me esqueço da frase estampada na contra capa do disco No synthesizers, apenas pra deixar bem claro que tudo que foi executado no disco foi tocado de verdade pelos seus integrantes. No CD bônus mais sessions da BBC e gravações ao vivo de 1974/75.

A  NIGHT AT THE OPERA – 1975
Para muitos esse é considerado o grande clássico da carreira do Queen, muito disso pelo fato de trazer um dos singles mais vendidos de toda história do rock britânico. A música “Bohemian Raphsody “é um marco na história, permaneceu durante 9 semanas como a mais vendida em 1975. Além da estrutura musical que alia rock progressivo com heavy rock e pitadas clássicas, o vídeo também foi marcante e inovador para a linguagem do vídeo clip.E como se não bastasse esse hit, ainda teve uma das mais belas baladas de todos os tempos “Love Of My Life”.  No CD bônus mais seis faixas inéditas.

A DAY AT THE RACES – 1976
O quinto álbum do Queen nessa série de relançamentos e que fecha digamos uma primeira fase dessa carreira vitoriosa. Considero esses cinco primeiros discos essenciais e foi uma ótima estratégia de marketing da Universal relançar esses álbum em luxuosas edições duplas para comemorar a assinatura de contrato com a banda.  Aqui também encontramos outro hit potencial que foi “Somebody To Love” e no CD bônus um versão alternativa para a fabulosa “Tie Your Mother Down”, que abre o disco.
Dois outros relançamentos que recomendo são da banda Rainbow, o grupo que o guitarrista Ritchie Blackmore (ex-Deep Purple) montou junto com o vocalista Ronnie James Dio em 1975.
Dois dos melhores discos  do Rainbow estão saindo também em edições duplas, são eles:

RISING – 1976
Esse é o segundo disco da carreira do Rainbow e um de seus melhores álbuns. Nele Ritchie Blackmore conseguiu chegar mais próximo dos clássicos lançados com o Deep Purple. Na edição, que chega às lojas britanicas na semana que vem, o álbum que originalmente tinha apenas seis músicas, agora se estende para 12 músicas no primeiro CD e mais outras 7 novas versões no segundo CD.

DOWN TO EARTH – 1979
Nesse disco, Ritchie Blackmore reinventou o Rainbow e mudou quase toda formação, saia o vocalista Dio e entrava Graham Bonnet, e também era recrutado Roger Glover o ex-baixista do Deep Purple. Da formação anterior  ficaram apenas o próprio Ritchie Blackmore e o baterista Cozy Powell. No primeiro CD duas faixas inéditas, além das oito músicas originais lançadas  em Down To Earth, em 1979. No segundo, remixes e sobras de estúdio recuperadas da gravação do álbum.
Ainda dentro dessa estratégia de transformar  discos simples em luxuosas edições duplas temos um dos grupos pioneiros da chamada British Invasion da década de 60. O Kinks, uma das minhas bandas favoritas dessa safra do rock inglês da década de 60 volta com seus três primeiros álbuns em edição dupla, são eles:
THE KINKS – 1964
Apesar de não representar um páreo para os primeiros discos dos Beatles e dos Stones, esse disco de estréia dos Kinks trazia aquela que foi considerada recentemente pela revista inglesa “Q”  como a 15a das canções que mudaram o mundo, com o título “A canção que inventou o heavy metal”. A prova disso está nos riffs  nervosos de guitarra distorcida e ainda na regravação do Van Halen em 1978. O bom dessa reedição é que nos dois CDs são 28 músicas cada um pra fazer valer o investimento.

KINDA KINKS – 1965
No segundo CD dos Kinks, além das composições de Ray Davies uma regravação da clássica “Dancing In The Street”. Nessa edição dupla temos as 12 faixas originais no primeiro disco e mais 23 faixas bônus no segundo.
THE KINK KONTROVERSY – 1965
A cada disco o Kinks tonava-se uma banda mais madura e encontrava seu próprio estilo, longe de comparações com Beatles e Stones. Um dos  hits desse disco  foi a cultuada “Where Have All The Good Times Gone” regravada nos anos setenta por David Bowie no álbum Pin Ups. O primeiro CD traz o álbum como foi concebido e no segundo 17 faixas bônus.
Essa é a terceira vez que esses discos dos Kinks são reeditados em CD, as remasterizações dos anos 90 também ofereciam faixas bônus, mas nesse caso o numero de musicas é bem maior e pode valer a pena ir atrás dessas  edições duplas. Existem porém casos recentes de reedições que não valem a pena, como por exemplo a Sony que acaba de comprar o catálogo do Emerson Lake & Palmer, uma das mais importantes bandas britânicas do rock progressivo. A Sony inglesa colocou novamente no mercado os sete primeiros discos da banda, que eu considero obras essenciais do rock progressivo, porém as remasterizações são as mesmas lançadas pelo selo Castle nos anos noventa. Então, se você tem aquelas reedições antigas, esqueça esses remasters da Sony. Se não tiver,  vale a pena pelo preço, cerca de 6 libras cada um (por volta de 15 reais).
E por falar em cds por volta de 15 reais, vamos mudar o cenário e cair pro nosso Brasil, onde encontraremos nas bancas de jornais a coleção do fabuloso Tim Maia. Esse é um projeto imperdível, fico sempre esperando chegar a sexta-feira para correr na banda e pegar uma nova edição. Estamos no volume 4 Tim Maia Racional Vol 1, nesta sexta sai o Racional volume 2. Serão 15 discos, daquele que eu considero um dos maiores interpretes da soul music brasileira. Se você aprecia a boa música feita nesse país, corra na banca mais próxima enquanto é tempo e adquira esses discos de Tim Maia. O preço de 15 reais é bem justo para uma embalagem caprichada trazendo um belíssimo livreto ilustrado e o CD encartado.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

As apostas do indie rock para 2011 - por KID VINIL

http://colunistas.yahoo.net/posts/7954.html





Com uma indústria do disco quase falindo e rede lojas como a HMV inglesa fechando as portas, só restaram as lojinhas independentes, nos grandes mercados como Europa e Estados Unidos. Essa discussão sobre o fim dos formatos físicos, principalmente o CD e a tentativa de resgatar o vinil já não é novidade alguma. O importante é saber, como as bandas e os artistas sobreviverão daqui para a frente. Muitas dessas respostas estão na Internet, pois a maioria das bandas da última década apareceram para o grande público pela rede. Exemplos práticos desse procedimento na cena indie rock foram nomes como Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, Lilly Allen, The Killers, Phoenix e Hot Chip.
A última década revelou muita gente da cena indie rock  que acabou de certa forma até se aproximando do mainstream e desfrutando de um certo estrelato. Tudo começou em 2000, com o aparecimento dos Strokes, a banda que pavimentou o caminho de tudo o que veio depois. Até hoje a banda do vocalista Julian Casablancas e do baterista brasileiro Fabrizio Moretti serve de referência para os novatos que surgem.
Uma boa notícia para os fãs é que em março deste ano finalmente sairá o tão aguardado quarto álbum dos Strokes. Se no ano passado pouca coisa aconteceu no terreno mais pop do indie rock, este ano promete com lançamentos de novos discos do Arctic Monkeys, Kasabian, Glasvegas, The Ting Tings, The Horrors,  Kaiser Chiefs e  Elbow. Essas são algumas bandas da cena indie rock que se destacaram nessa década e que criaram uma expectativa.
Nesse cenário indie rock, muitos acabam decepcionando quando lançam seu segundo trabalho. Principalmente quando o primeiro disco é repleto de hits, fica uma responsabilidade de um segundo trabalho com o mesmo potencial.  Bandas  recentes como Kaiser Chiefs e Bloc Party não conseguiram até hoje repetir o mesmo sucesso de seus álbuns de estreia.
Poucos sobrevivem a esse teste do segundo álbum. Na última década, bons exemplos de sobrevivência foram os americanos do  Kings of Leon e The Killers. O Kings of Leon chegou ao seu quinto álbum em 2010, talvez o mais fraco de todos, mas mesmo assim sobreviveu e acabou se tornando banda de grandes festivais. Da mesma forma, os garotos de Las Vegas, The Killers, abraçaram os  festivais com três bem sucedidos  álbuns de estúdio e uma coletânea de singles. Das bandas que sobreviveram a todas tempestades, teremos ainda neste ano discos de:  REM, Foo Fighters, Coldplay, Beastie Boys e Radiohead.
Resta saber quais serão as novidades para 2011, em quem o mercado vai apostar suas fichas. O ano passado foi muito fraco para as bandas do indie rock mais radiofônico e as pistas ficaram com poucos hits. A maioria das bandas resolveram mergulhar em discos mais conceituais e menos agitados. Em 2011, a cena indie aposta nas bandas com maior potencial de criarem hits grudentos. Seguem alguns nomes bem  cotados nesse gênero:
The Vaccines
Banda inglesa e um dos maiores hypes para 2011. Com apenas um compacto independente de vinil lançado em edição limitada no final de 2010, o grupo chamou a atenção da crítica, criou o barulho pela internet e acabou se apresentando ao vivo no programa de Jools Holland na BBC, antes mesmo de gravar seu álbum de estreia, que sai sómente em março deste ano. Já foi capa de várias publicações, incluindo o semanário New Musical Express, e assinou com a Sony Music para o lançamento desse primeiro disco. Os garotos são de Londres e o guitarrista Freddie Cowan é irmão de um dos dos integrantes da banda The Horrors. A sonoridade do Vaccines é simples demais, as referências básicas são Ramones, Strokes e Jesus & Mary Chain.
Mona
O nome é bem simples para esse quarteto de Ohio que atualmente reside em Nashville. Muitos os anunciam como um novo Kings Of Leon, mas só o tempo poderá dizer se os garotos conseguirão sobreviver até o lançamento de seu álbum de estreia, em maio deste ano. Por enquanto, o Mona lançou apenas dois compactos de vinil independentes e assinou recentemente com o selo Island, uma grande gravadora inglesa que os distribuirá mundialmente.
Funeral Party
O nome não é nada atraente, mas a banda é uma promessa de que teremos um pouco de hardcore californiano para agitar 2011. Semana que vem sai nos Estados Unidos o álbum de estreia do Funeral Party, chamado “Golden Age of Nowhere”. O quarteto de Los Angeles chega apadrinhado por um dos integrantes do Mars Volta, que ajudou na produção do disco e faz o que poderíamos chamar de uma versão mais pop do extinto  At The Drive-In.
Beady Eye
Para os órfãos do Oasis  e Smiths, os ingleses estão apostando numa série de grupos novatos como Brothers, Chapel Club e Frankie & The Heartstrings. Porém, o mais cotado é o Beady Eye, a banda que o vocalista Liam Gallagher montou logo após o final do Oasis, resgatando seu baixista e o guitarrista para nova formação, que agora inclui um teclado mais atuante para a sonoridade não ficar tão parecida com a do Oasis. Dia 28 de fevereiro sai o álbum de estreia, que leva o título “Different Gear, Still Speeding”. A influência Beatles continua presente, tem até uma música no disco chamada “The Roller”, que parece com “Instant Karma” de John Lennon.
Anna Calvi
Depois de Florence & The Machine em 2009, agora é a vez de uma garota londrina, que toca guitarra e canta de forma sensual como PJ Harvey e sofre fortes influências de Tom Waits e Nick Cave. Seu álbum de estreia  acaba de sair lá fora e foi cercado  de elogios de toda criítica. Assista a esse vídeo de Anna Calvi e depois me diga se a garota não  tem futuro?

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Lemmy e o Motörhead - por KID VINIL




O novo álbum do Motörhead, The World Is Yours, vazou na rede em dezembro do ano passado e foi encartado como brinde na edição da revista inglesa Classic Rock no dia 15 de dezembro. Semana que vem, ele sai oficialmente em CD na Europa em em breve aqui no Brasil.
A essa altura, todos os fãs da banda já ouviram e certamente vão concordar comigo: 35 anos depois, o Motörhead continua o mesmo, igualzinho ao AC/DC, mantendo aquele ditado “em time que está ganhando não se mexe”.
Esse é o 20° disco da carreira do Motörhead, e mesmo assim, dignos do reconhecimento até das revistas de indie rock inglesas, como a Artrocker, que deu ao disco cinco estrelas. A crítica começa assim: “A única razão pra se juntar a uma banda de rock and roll é:  pegar mulheres, encher a cara, ficar chapado e nunca ter que trabalhar sentado numa cadeira. Se alguém te disser algo diferente, estará mentindo. A lenda viva desse mais decadente estilo de vida chama-se Ian Fraser Kilmister, também conhecido como Lemmy, líder da maior banda de rock and roll do mundo. Fazer uma crítica desse disco é como tentar reinventar a roda. Todo mundo sabe como eles soam e que nunca vão mudar. A pergunta é “será que eles conseguem se reinventar?”. Da música que abre o disco Born To Lose até a que encerra Bye Bye Bitch Bye Bye, a resposta é: sim!”
A guitarra de Phil Campbell, seus riffs e seus solos são um elemento chave na sonoridade do Motörhead desde 1984, quando ele se juntou a banda. Igualmente importante é a sessão rítmica da bateria de Mikkey Dee. Não se trata de uma banda antiga tentando reviver o passado. O Motörhead é um grupo bem sucedido e como um bom vinho, fica melhor com o passar dos tempos.
Lemmy tem uma das carreiras mais festejadas e cultuadas do rock and roll, e isso tudo está documentado no DVD “Lemmy – The Movie”, que sai na Europa no dia 24 de janeiro. Um documentário de quase duas horas contando sua trajetória desde os tempos que ele assistia aos shows dos Beatles no Cavern Club, depois se tornou roadie de Jimi Hendrix e foi até mentor de Sid Vicious.
Suas primeiras experiências com banda ficaram como clássicos do rock do final dos anos 60 e início dos anos 70. Um dos exemplos é o disco mais cultuados do final da década de 60, do instrumentista Sam Gopal, um dos pioneiros na arte de inserir a tabla no rock and roll. Até então os Beatles e a banda The Moody Blues, por exemplo,  também usavam esse tipo de percussão. Sam Gopal nasceu na Malásia e na década de 60 mudou pra Londres. Em 1968, montou sua banda com Lemmy na epoca ex-Rockin’Vickers, uma de suas primeiras bandas. No ano seguinte, lançaram o álbum Escalator, uma mistura de blues psicodélico com pitadas de melodias folk, nada demais além de um disco razoável, mas que com o passar dos tempos acabou ganhando um status e um certo culto por parte dos fãs de Lemmy.
Antes de montar o Motörhead, Lemmy experimentou uma das fases mais ácidas e criativas de sua carreira como baixista da clássica banda Hawkwind. Lá ele permaneceu de 1971 a 1975, na minha opinião a fase áurea e mais criativa do grupo. Quatro discos são essênciais dessa fase: In Search Of Space, de 1971,Doremi Fasol Latido, 1972, Space Ritual, 1972, e Hall Of The Mountain Grill, de 1974. Um dos hits dessa fase é a música “Silver Machine”, confira o vocal do jovem Lemmy e sua banda hiponga espacial performática no melhor estilo prog-psicodélico, o Hawkwind.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O dia em que a música morreu - por Kid Vinil

Kid Vinil

Por Kid Vinil 




O dia em que a música morreu

Abro a coluna de hoje com a mais recente capa do jornal New Musical Express, que traz John Lennon e a frase estampada: “The Day The Music Died”. Hoje completam exatamente 30 anos da morte de John Lennon e mais uma vez se repete a frase “O dia em que a música morreu”. Na verdade, essa mesma frase foi usada por Don McLean em seu sucesso “American Pie”, de 1971, em homenagem aos pioneiros do rock and roll, Buddy Holly, Ritchie Vallens e J.P. “The Big Bopper” Richardson. Num trágico acidente de avião em Clear Lake, Iowa, nos Estados Unidos, no dia 3 de fevereiro de 1959, o rock perdeu três de seus maiores representantes. O mesmo Buddy Holly que tanto influenciou a carreira de John Lennon e dos Beatles. Em 1964, os Beatles gravaram “Words Of Love”, de Buddy Holly, e incluíram no álbum Beatles for Sale. Além da capa do NME, a edição de fim de ano da revista Rolling Stone americana também é dedicada ao ex-Beatle e publica a entrevista exclusiva feita pelo repórter Jonathan Cott  três dias antes de seu assassinato.
Aproveitando a deixa dessa edição especial da Rolling Stone, outra chamada de capa é a lista dos melhores álbuns de 2010, então lá vão os dez melhores segundo a revista:
1- Kanye West – My Beautiful Dark Twisted Fantasy
Novo disco do rapper americano da cidade de Atlanta, Kanye West estreou em 2004 com o aclamado álbum The College Dropout influenciado pela escola “roots” do rap americano (Run DMC, Boogie Down Productions,Dr Dre, A Tribe Called Quest e Kurtis Blow). Esse seu sétimo álbum Knaye West  também pegou primeiro lugar na lista de revista americana Spin.
Musicalmente o álbum é repleto de arranjos de cordas,solos de piano de Elton John e samples do prog-rock do King Crimson e o funk de Rick James. Vale a pena conhecer esse disco, mesmo que você não seja fã de rap e hip-hop.
2-The Black Keys – Brothers
O duo americano The Black Keys chega ao seu sexto e melhor álbum, fazendo um punk blues, influenciados por Link Wray e Robert Johnson.Uma nova leitura do blues como fez Jon Spencer Blues Explosion na década de 90.
3- Elton John and Leon Russell – The Union
Conforme já comentei por aqui essa união acabou dando seus frutos musicais, um belo disco unindo o lirismo de Elton John ao estilo honky tonky/ boogie-woogie piano inspiradíssimo de Leon Russell.
4-  Arcade Fire –  The  Suburb
Depois de “Funeral” em 2004 e “Neon Bible” em 2007, os canadenses reaparecem com “The Suburbs” um disco mais bem cuidado nos arranjos, talvez com menos apelo pop que o anterior, porém mais eclético.
5- Jamey Johnson – The Guitar Song
É interessante que toda lista anual da Rolling Stone sempre privilegia outros estilos musicais além do rock, é o caso desse álbum duplo de country music do novato cantor e compositor Jamey Johnson. Uma revelação da nova safra da tradicional country music americana. O talentoso garotão do Alabama chega ao seu terceiro disco inspirado em clássicos da música country como, Hank Willians e Merle Haggard.Que pena que nossa pobre country music( leia-se “sertanejo universitário” arghhhhh!) não segue o exemplo dos americanos.
6- Vampire Weekend – Contra
A juventude universitária do Brooklyn, NY dominou a cena do novo rock americano nos últimos 3 anos. Esse é o segundo disco do Vampire Weekend e não perde muito pro disco de estréia.
7- Drake – Thank me Later
Um ator canadense que virou rapper e pode se tornar a nova estrela do hip hop, vindo na esteira de  Kanye West.
8-  Robert Plant – Band Of Joy
O novo projeto de Robert Plant foi muito bem recebido em todas as listas dos melhores de 2010. Isso prova que mesmo sem o Led Zeppelin ele ainda continua produzindo ótimos discos.
9-  Eminem – Recovery
Alguém o chamou de Elvis do hip hop e assim como Madonna o cara se renova a cada disco e continua no topo dos rappers americanos.
10-  LCD Soundsystem – This is Happening
Terceiro e provavelmente ultimo disco da carreira da banda Americana LCD Soundsystem liderada pelo sensacional James Murphy. Uma das boas bandas dessa década que soube misturar as tendências da música eletrônica com o rock, criando um som dançante e inteligente.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Deep Purple comemora 35 anos do álbum “Come Taste The Band“ - por Kid Vidil


Por Kid Vinil .

Deep Purple comemora 35 anos do álbum “Come Taste The Band“



No início desse ano estava em Brasília e um empresário local me convidou para ver o show de Joe Lynn Turner dizendo: “Tá a fim de ver o show do vocalista do Deep Purple?”, e eu imediatamente respondi: “Para mim vocalista do Deep Purple é o Ian Gillan”. Mas pensado bem, a banda foi uma das que mais trocou de vocalistas durante sua trajetória, sem perder a identidade.
Eles começaram em 1968 com Rod Evans, em 1970 Ian Gillan assume os vocais  e a banda tem sua formação clássica com Ritchie Blackmore na guitarra, Ian Paice na bateria, Jon Lord nos teclados e Roger Glover no baixo. Com essa formação, o grupo gravou os clássicos Deep Purple In Rock (1970), Fireball (1971),Machine Head (1972) e Made In Japan (1972), outro da lista dos melhores álbuns ao vivo de todos os tempos.
Em 1973 veio Who Do We Think We Are, considerado por muitos como o mais fraco dessa fase, mas na minha opinião, ainda é um grande disco, talvez injustiçado. Em 1974, com a saída do vocalista Ian Gillan e do baixista Roger Glover, uma nova etapa é inaugurada na carreira do Deep Purple com a entrada de David Coverdale no vocal e Glenn Hughes (ex-Trapeze) no baixo e vocal. O álbum Burn revigorou o Deep Purple. Para muitos fãs essa mudança drástica de vocalista e baixista demorou para ser assimilada, eu fui um deles naquela época, pois considerava Ian Gillan único e insubstituível. Anos mais tarde, ouvindo melhor Burn e o álbum posterior, Stormbringer, acabei dando um crédito para essa nova formação.
Em 1975 mais um susto com a saída do guitarrista Ritchie Blackmore, que formou o Rainbow ao lado do vocalista Ronnie James Dio. Seu substituto foi o jovem guitarrista Tommy Bolin, um americano que havia tocado em duas bandas que eu curtia muito no início dos anos 70, o Zephyr e o James Gang. Quando parecia que tudo estava perdido, o Deep Purple reaparece com o álbum Come Taste The Band, aclamado por alguns e odiado por outros. Certos fãs, referindo-se ao título, diziam que esse era o gosto mais amargo da banda. A mudança foi radical, os que deixaram a banda não concordavam com esse direcionamento com influências de funk e soul. Por outro lado, os teclados de Jon Lord ficaram mais evidentes nesse disco, a faixa “You Keep on Moving” é um dos pontos altos de Come Taste The Band. Pena que essa formação não durou muito tempo, um ano depois a banda se dissolveu e seu jovem e talentoso guitarrista Tommy Bolin acabou morrendo de overdose aos 25 anos de idade, em dezembro de 1976.
Hoje, 35 anos depois do lançamento de Come Taste The Band, toda aquela má impressão inicial foi apagada e o disco acabou virando mais um clássico da carreira do Deep Purple. Eu mesmo aprendi a gostar desse disco graças a dois caras que trabalharam em rádio comigo, Leopoldo Rey e Vitão Bonesso. Na década de 90, quando trabalhei na 97FM, em São Paulo, o Leopoldo sempre incluía “Keep On Moving” na programação. Vitão Bonesso apresentava na mesma rádio seu “Backstage” e tivemos a oportunidade de entrevistar o baixista Glenn Hughes, em uma de suas vindas para o Brasil. Foi ali que eu passei a compreender melhor as influências da música negra em seu trabalho e reconhecer mais ainda  seu talento de baixista e vocalista. Recomendo aos fãs não perderem essa recém-lançada  edição de aniversário de 35 anos de Come Taste The Band, são dois CDs contendo dois remasters diferentes e ainda algumas faixas bônus.
Aproveito ainda para fazer mais uma recomendação, dessa vez para os fãs de Jimi Hendrix. Acaba de sair uma caixa com quatro CDs chamada West Coast Seattle Boy – The Jimi Hendrix Anthology, que também aparece nas versões CD e DVD, CD simples e caixa em vinil contendo oito LPs. Esse é um artefato especial para os fãs de Jimi Hendrix, pois traz  gravações anteriores ao seu sucesso em carreira solo. Antes do sucesso, Jimi Hendrix atuava como músico de apoio para artistas como  Isley Brothers, Don Covey e Little Richard. Por essa razão, o título faz referência ao “Seattle Boy”. O primeiro CD traz  Hendrix ainda jovem tocando com artistas de rhythm & blues, nos outros três volumes algumas gravações inéditas de estúdio de vários capítulos de sua carreira. Gravações ao vivo com o Jimi Hendrix Experience e com o Band Of Gypsys de 1967 a 1970. Versões alternativas de clássicos como “Are You Experienced” e “Fire” aparecem oficialmente em disco pela primeira vez, assim como a gravação “Everlasting First” uma celebrada colaboração de Jimi Hendrix com Artur Lee e o grupo Love. Quatro horas de material raro e gravações inéditas. O DVD é um documentário sobre a carreira de Jimi Hendrix com duração de 90 minutos. Um presentão para os fãs!

Ladies and Gentlemen: The Rolling Stones - por Kid Vinil


Por Kid Vinil . 02.12.10 

Ladies and Gentlemen: The Rolling Stones



Hoje vou comentar dois DVDs essenciais para os fãs dos Rolling Stones, lançados recentemente por aqui pela gravadora ST2. O primeiro deles é esse que leva o título de “Ladies and Gentlemen: The Rolling Stones”. São gravações feitas durante quatro noites no Texas, durante a turnê  de lançamento do álbum “Exile on Main Street”, em 1972. O filme original foi exibido nos cinemas durante um período limitado de tempo, em 1974, e depois desapareceu do mercado.  Agora, restaurado e remasterizado, reaparece em DVD incluindo um conteúdo extra como um  ensaio da banda na Suíça  para a turnê e entrevistas com Mick Jagger.
Assistindo ao DVD, dá para notar que o trabalho de restauração foi perfeito. Não espere uma qualidade de imagem perfeita como os blu-rays  de hoje, lembre-se que  a captação de imagem e áudio foi realizada em 1972 e os recursos  eram limitados. Enxergue isso como um documentário de época e, acima de tudo, como uma raridade dos Rolling Stones, que para a sorte dos fãs foi registrada em áudio e vídeo.
É uma pena que, por mais que tenham tentado restaurar o áudio para os sistemas Dolby Digital e DTS, ainda fica difícil de ouvir toda a parafernália de instrumentos extras e convidados que acompanharam os Stones nessa turnê. Quando as câmeras focalizam a sessão de metais liderada pelo saxofonista Bobby  Keys pouco se ouve, exceto quando Mick Jagger chama Bobby  Keys ao centro do palco para um solo numa das músicas. Outra sonoridade quase  imperceptível é o piano de Nicky Hopkins, que ao lado de Ian Stewart  foram os dois maiores tecladistas que participaram da carreira dos Rolling Stones. Tirando essas imperfeições de áudio o que resta é uma massa sonora, no bom sentido,  das guitarras de Keith Richards e Mick Taylor e a cozinha precisa de Charlie Watts e Bill Wyman.
Quem viu os Rolling Stones ao vivo em Copacabana não imagina a diferença entre as duas apresentações. Tá certo que a energia  de Mick Jagger ainda é a mesma, ele sempre foi um performer inquieto. A diferença é que em 1972 os Rolling Stones eram uma banda mais blueseira,  graças à guitarra de Mick Taylor, o ex-Bluesbreakers de John Mayall. Confesso que adoro Ron Wood, principalmente em sua fase com o Faces e Rod Stewart, no início dos anos 70, mas sua presença nos Stones é completamente diferente do estilo blues de Mick Taylor. Com a saída de Taylor dos Stones, depois do lançamento do álbum “It´s Only Rock and Roll”, e a entrada de Ron Wood, em 1976, a sonoridade da banda também mudou e as influências da Motown e da soul music ficaram mais presentes no som do grupo a partir de “Black & Blue”.
Nesses shows do Texas em 1972, os Stones mostravam um repertório de seus dois discos essenciais do início dos anos 70, “Exile on Main Street”(1972) e “Sticky Fingers”(1971). O show abre com “Brown Sugar”, “Bitch” e “Dead Flowers”, três clássicos do álbum de 1971. O que se pode constatar é o  Rolling Stones no momento mais empolgante de sua carreira. O jovem Mick Jagger explorava seu lado andrógino usando uma maquiagem com detalhes de purpurina e strass nos olhos, macacões colantes com lenços enormes e coloridos na cintura. Uma performance altamente sensual de botar no bolso os requebrados de quadris de Elvis Presley.
Keith Richards tinha o corte de cabelo mais transado daquela época, enquanto o guitarrista Mick Taylor parecia o mais jovem da banda, discretamente maquiado, um garotão prodígio que solava como ninguém sua Gibson Les Paul. A releitura do clássico “Love in Vain”de Robert Johnson  reaparece aqui, talvez com menos brilho  do que naquela apresentação ao vivo do  Madison Square Garden, registrada no álbum “Get Yer Ya-Ya´s Out” de 1970, mas os vocais de Mick é que fazem a diferença nessa gravação.
As músicas do álbum “Exile On Main Street” representam o ponto alto desse show, como “Tumbling Dice”, “Sweet Virginia” (feita de forma acústica nos violões de Keith Richards e Mick Taylor) e “All Down the Line”. Diante de um repertório tão forte, as clássicas “You Can’t Always Get What You Want” e “Midnight Rambler” parecem até meio apagadas. As quatro músicas finais são apoteóticas: “Bye Bye Johnny”, de Chuck Berry, onde o duo de guitarras debulha aqueles riffs grudentos e explosivos do mestre do rock and roll. Em seguida, “Rip This Joint” acende literalmente a chama de “Exile on Main Street”. Para terminar, dois clássicos do início de carreira, “Jumpin’ Jack Flash” e “Street Fighting Man”.
Se você é fã dos Rolling Stones, esse DVD é indispensável, e, para aqueles que ainda não conhecem essa fase áurea da banda em 1972, será uma grata surpresa.
Também recomendável para os fãs mais assíduos dos Rolling Stones – e que pegaram a edição especial do álbum “Exile on Main Street” lançada neste ano – é o documentário “Stones in Exile”, que foi exibido no início do ano pela BBC inglesa e agora vai para o formato DVD, com mais de uma hora de bônus, com cenas  não incluídas no documentário para TV.
Trata-se de um making of do álbum “Exile on Main Street” contando a história dos Stones saindo da Inglaterra pra fugirem dos altos impostos e se instalando no porão de uma mansão de Keith Richards na riviera francesa. Essas aventuras são contadas pelos integrantes da banda e pelas pessoas que direta e indiretamente participaram do projeto.
Cenas inéditas do estúdio improvisado em Nellcote retratam o processo de gravação de um dos clássicos da carreira dos Rolling Stones. Pena que essas sessões de gravações não foram registradas em sua totalidade e o que se vê é  uma pálida retrospectiva documentada muitas vezes somente por fotos e depoimentos.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Rock Sinfônica, a união do Dr. Sin com a música erudita

Marcelo Moreira

Muito comum na Europa, a união entre música erudita e rock é evento raro em terras brasileiras. Conta-se nos dedos iniciativas semelhantes nesta década. Em 2004 tivemos em Campinas o espetáculo “Os Mitos e Lendas do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda”, com o Coral da Universidade Livre de Música, com
arranjos de Daniel Havens, Theophilo Augusto Pinto (Théo) nos sintetizadores e regência de Monica Giardini. Foi uma tentativa bem-sucedida de reeditar o espetáculo criado por Rick Wakeman.
Neste ano, em Sorocaba, o guitarrista e tecladista Billy Sherwood (ex-Yes) tocou com a Banda do Sol e a Orquestra Sinfônica da da cidade.
No dia 14 de novembro, o projeto será mais audacioso. O trio de hard rock Dr. Sin, uma das melhores bandas já surgidas no Brasil, se reúne com a Banda Sinfônica do Estado de São Paulo e o músico e radialista Kid Vinil em um evento que pretende repassar a história do rock misturando guitarras e música erudita.

É o projeto “Rock Sinfônica”. A idéia do espetáculo é contar um pouco da história do rock através dos tempos numa adaptação para Banda Sinfônica feita por Alexandre Dalóia.
Kid Vinil será o narrador, fazendo a abertura sobre as origens do rock e terá a participação do trio Dr. Sin, formado por Ivan Busic na bateria, Andria Busic, baixo e voz e Eduardo Ardanuy na guitarra. No medley incial entram clássicos do rock como “Jailhouse Rock “(sucesso de Elvis Presley), “Tutti Frutti de Little Richard”, “Johnny B.Goode”, de Chuck Berry, e “Rock Around The Clock”, de Billl Halley , segundo site da banda paulistana.
A seguir entra Kid Vinil com uma narrativa sobre os Beatles e um medley de alguns sucessos dos Beatles, como “Twist and Shout”, “Help, Here There and Everywhere”, “Yellow Submarine”, “Eleanor Rigby” e “Let It Be”.
Na terceira parte aparece um panorama dos anos 60, com a orquestra juntamente com a banda Dr Sin fazendo alegorias sobre os temas “Light My Fire” do The Doors,”Purple Haze” de Jimi Hendrix, “Blowin´In The Wind” de Bob Dylan e “Satisfaction” dos Rolling Stones.
Partindo para a década de 70, o enfoque será nas bandas Led Zeppelin, The Who, Black Sabbath, Deep Purple e Pink Floyd. A banda executará os temas “Kashmir”, “Who Are You” ,”Changes”, “Smoke On The Water” e “Comfortably Numb”.
O final da década de 70 será respresentada por “Do You Remember Rock and Roll Radio”, dos Ramones. O concerto termina com arranjos diferenciados para “We Will Rock You”, do Queen, e “Roll Over Beethoven”, de Chuck Berry.
A Banda Sinfônica do Estado é uma das orquestras mais conceituadas do Brasil, tendo recebido elogios de críticos da Alemanha e da Áustria. Não poderia ser melhor a escolha para participar deste evento.
Serviço:
Dr.Sin + Banda Sinfônica do Estado
Data: 14/11/2010
Hora: 17h
Local: Sala São Paulo – APAA
Endereço: Praça Julio Prestes, 16 – Luz
Classificação: 12 anos.
Menores somente acompanhados dos responsáveis.

ROCK SINFÔNICA: A idéia do espetáculo é contar um pouco da história do rock através dos tempos numa adaptação para Banda Sinfônica feita por Alexandre Dalóia.
O concerto é permeado com comentários do narrador Kid Vinil, que fará inicialmente uma abertura sobre as origens do rock e terá a participação do trio Dr. Sin, formado por Ivan Busic na bateria, Andria Busic, baixo e voz e Eduardo Ardanuy na guitarra. No medley incial entram clássicos do rock como, Jailhouse Rock (sucesso de Elvis Presley), Tutti Frutti de Little Richard, Johnny B.Goode de Chuck Berry e Rock Around The Clock de Billl Halley & His Comets. A seguir entra Kid Vinil com uma narrativa sobre os Beatles e um medley de alguns sucessos dos Beatles, como Twist and Shout, Help, Here There and Everywhere,Yellow Submarine, Eleanor Rigby e Let It Be.

Na terceira intervenção narrativa Kid Vinil falará brevemente sobre a década de 60 e a orquestra juntamente com a banda Dr Sin entrarão em seguida com uma fantasia sobre os temas “Light My Fire” do The Doors,”Purple Haze” de Jimi Hendrix, “Blowin´In The Wind” de Bob Dylan e “Satisfaction” dos Rolling Stones.

Partindo para a década de 70 o narrador fará mais uma intervenção explicando as tendências do rock desse período, focando em bandas como, Led Zeppelin, The Who,Black Sabbath, Deep Purple e Pink Floyd. A banda executará os temas “Kashmir”, “Who Are You” ,”Changes”, “Smoke On The Water” e “Comfortably Numb”.

A idéia desse espetáculo é simplesmente uma pincelada por alguns momentos importantes da história do rock, pois seriam necessários uma série de concertos para se mostrar mais momentos importantes desse estilo.
Por essa razão o espetáculo vai para seu encerramento numa narrativa sobre a importância do punk rock nas novas gerações e a música que representa esse momento é “Do You Remember Rock and Roll Radio” dos Ramones.

Encerrando em grande estilo um arranjo especial de Alexandre Dalóia para “We Will Rock You” do Queen e por que não voltar ao começo da história com uma música de Chuck Berry que define de forma bem humorada essa união do rock e da música clássica “Roll Over Beethoven” inspirada num grandioso arranjo para orquestra feito na década de 70 pelo grupo Electric Light Orchestra.

Kid Vinil




Segue vídeo da apresentação da  Dr. Sin em Juazeiro do Norte no dia 14/05/2010

sábado, 6 de novembro de 2010

O bom e velho Bob Dylan - por Kid Vinil

Este ano não teve disco novo de Bob Dylan com canções inéditas, mas, para compensar esta lacuna, sua gravadora – a Sony Music americana – resolveu colocar no mercado algumas preciosidades de seu catálogo em nova embalagem. A primeira delas é uma caixa chamada “The Mono Box”, contendo os oito  primeiros discos da carreira de Dylan em sua forma original de gravações monaurais.
Daí, muitos vão perguntar: “pra que lançar novamente em mono?”. É simples, no início dos anos 60, a gravação monaural era tudo que os artistas tinham de recurso sonoro. Os discos foram concebidos em mono e a intenção desses projetos e de artistas como Dylan eram que sua obra naquele momento  soasse dessa maneira, pois era o único recurso existente até então. Com o surgimento do sistema  estereofônico ainda na década de 60, muitos discos foram remixados para estéreo.
No caso de Bob Dylan, esses primeiros álbuns soavam muito estranho para quem estava acostumado com eles em mono. O álbum “Blonde On Blonde”,  de 1966, é um bom exemplo disso. A tentativa de transformá-lo em estéreo foi quase um desastre, segundo alguns fãs.  “Blonde On Blonde” tem uma certa mágica em  suas mixagens em mono e perdeu tudo isso quando transformado.
Há alguns anos, o selo americano Sundazed lançou esses primeiros álbuns de Bob Dylan em vinil no formato mono. Agora, finalmente a Sony lança essa versão em CD numa belíssima caixa, cujas capinhas de cada disco imitam a arte original dos LPs. Além  disso,  um livreto ilustrado e repleto de informações acompanha a caixa. Para muitos isso talvez não signifique nada, tanto faz ouvir Bob Dylan em mono ou estéreo, mas para aqueles fãs  mais exigentes como eu, isso acaba se tornando um item indispensável na minha coleção de Bob Dylan. Aos interessados, segue abaixo uma foto dessa  caixinha:

Além dessa caixa, Bob Dylan também remexeu em seus arquivos e colocou à disposição em um CD duplo “The Bootleg Series Volume 9 – The Witmark Demos”. Periodicamente, o músico busca em seus arquivos gravações inéditas e raridades, batizando-as de “The Bootleg Series”. A primeira delas foi em 1991, com os volumes de 1 a 3 reunidos em uma belíssima caixa, apresentada nos formatos vinil e CDs.  Esta edição de volume 9 traz gravações que aparecem para um lançamento comercial 50 anos após terem sido gravadas. São 47 músicas  em que Bob Dylan toca violão folk, gaita e, ocasionalmente, piano. O  nome Witmark vem de seus editores na época  M. Witmark & Sons, entre 1962 e 1964.
Um jovem e talentoso  Bob Dylan é o que encontramos nessas gravações, que foram feitas antes dele completar 24 anos de idade. Algumas permaneceram inéditas até hoje, outras viraram clássicos como “Blowin’ in -tThe Wind”, “Mr Tambourine Man” e “The Times They Are A Changin’”. A qualidade das gravações é discutível, pois na verdade não passam de rascunhos de canções de Bob Dylan, que posteriormente ganhariam gravações oficiais e se tornariam sucessos de sua carreira. Servem apenas para documentar a maneira pela qual elas foram concebidas e o processo criativo de Bob Dylan. Mais um item para fãs e completistas da coleção de Bob Dylan.

Por falar em fãs mais curiosos, um  outro item recém-lançado de Bob Dylan é “The Folksinger’s Choice”, um curioso documento lançado em CD. Trata-se de uma gravação ao vivo que Bob Dylan fez aos 20 anos para uma rádio de Nova York.  O programa apresentado pela cantora folk e locutora Cynthia Goodings, no dia 11 de março de 1962, é um achado precioso da carreira de Dylan. Essa gravação foi feita algumas semanas  antes do músico lançar seu primeiro disco.
Interessante é que Dylan canta músicas de seus heróis como Hank Willians, Woody Guthrie e Big Joe Willians, algum material inédito, mas nenhuma música que fez parte de seu primeiro disco. São 11 músicas que sobreviveram ao tempo, mais de 50 anos, e a qualidade do material é excelente. As performances ao vivo são interrompidas ao final de cada música por um bate-papo de Bob Dylan com a entrevistadora. Cynthia estava deslumbrada ao ver aquele garoto de 20 anos de idade e sentia nele algo extremamente promissor. Uma das perguntas, a mais divertida, é aquela que ela faz perguntando ao jovem sobre seu chapeuzinho de cantor folk. Ela diz: “Você pretende continuar usando esse seu  chapeuzinho quando você ficar rico e famosos?” – ele responde: “Oh!!  eu nunca serei  rico e famoso .”
Mais uma vez eu repito, para um fã de Dylan como eu, ouvir uma entrevista dessas é de arrancar lágrimas dos olhos ao sentir  aquele talentoso garoto de 20 anos de idade, com uma ingenuidade e simplicidade que impressionam a cada música. Todos que ouvirem esse CD vão sacar que aquele moleque tinha o mundo pela frente e, em breve, a seus pés. Se você gosta de Bob Dylan, não perca esse documento “The Folksinger’s Choice”. Abaixo, a foto da capa:Já que estou falando de relançamentos e raridades, gostaria de aproveitar para recomendar uma grande reedição deste final de ano. Trata-se do álbum “Stand Up”, da consagrada banda britânica Jethro Tull. Foi o segundo disco do grupo, lançado em setembro de  1969, e uma das minhas capas favoritas. Na edição original em vinil, era um LP com capa dupla e quando você abria aparecia um ‘pop up’ que se montava automaticamente com os integrantes da banda.
A mistura do blues e da música folk já vinha desde o primeiro disco, “This Was” (1968), mas nesse segundo a flauta mágica e clássica de Ian Anderson faz um dos instrumentais mais brilhantes de toda história com a música “Bourée”, um arranjo para uma peça clássica de Bach. Um disco que marca a transição do Jethro Tull usando elementos de hard rock, folk, blues, jazz, clássico e psicodelia.
A partir daí, a banda se tornaria um dos maiores expoentes do rock progressivo da década de 70, lançando clássicos como “Aqualung” (1971), “Thick as a Brick” (72), “A Passion Play” (72) e “Minstel In The Gallery” (75), dentre outros grandes álbuns. Nessa reedição de “Stand Up”, que saiu este mês na Europa, encontramos 2 CDs e um DVD. No primeiro CD são 11 faixas-bônus, além das músicas originais de “Stand Up”. No segundo, um concerto ao vivo em 1971 no Carnegie Hall. No DVD-audio, um mix especial do show do Carneggie Hall e uma entrevista exclusiva  com  Ian Anderson.  Quarenta e um  anos depois de seu  lançamento,  “Stand Up”  ainda soa como um disco atual e não perdeu sua validade e acredito que jamais perderá. É por essa razão que nos habituamos a chamá-lo de ” clássico do rock”.

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