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BEM VINDOS AO BLOG DO SÃO ROCK


Nossa História

Em junho de 2005, seis amigos se reuniram para comemorar seus aniversários, que por coincidência dos deuses do rock, eram todos na mesma semana. Resolveram chamar a banda de um amigo de Crato (Michel Macêdo, da Glory Fate). Também chamaram duas bandas locais (SKP e ET Heads), e fizeram a trilha sonora desta festa, que a princípio era exclusiva a aniversariantes e seus amigos. Sem querer, nascia ali o festival SÃO ROCK – o dia em que o rock foi pro brejo!
O sucesso da primeira edição obrigou uma continuação. Dois anos depois, já em 2007, veio a segunda edição, agora com a participação de bandas de Fortaleza, e aberto ao público. O sucesso consolidou o evento, e perpetuou essa data no calendário do rock cearense.
Pelo festival já passaram nomes de peso no cenário cearense, como Artur Menezes, Felipe Cazaux, Caco de Vidro, banda One, Killer Queen, Glory Fate, Zeppelin Blues, Renegados, banda Void e tantos outros que abrilhantaram noites inesquecíveis, regadas à amizade, alegria e o bom e velho rock´n´roll.
Hoje, o que se iniciou com um simples aniversário, tomou enormes proporções, estendendo seus ramos, diversificando os estilos e abrindo espaço para mais e mais bandas que querem mostrar seu talento em nossa terra. Agora são duas noites de festival, além da Caldeira do Rock, que leva bandas alternativas para a praça pública, numa celebração maravilhosa, onde congregamos amigos de todas as cidades circunvizinhas e de outros estados, irmanados pelo amor ao rock.
Não para por aí. Queremos tornar o São Rock uma marca que não promova apenas um festival anual, mas que seja um verdadeiro tablado que promova eventos de rock durante todo o ano! Assim, poderemos desfrutar do convívio saudável e também marcar nossa presença, dizer que temos voz e vez, numa cultura tão massificada por músicas desprezíveis e por gêneros impostos ao povo! Fomos, somos e sempre seremos roqueiros!
Portanto, venha participar dessa irmandade, apóie, divulgue, patrocine essa idéia, e seja mais um que ajuda a construir esse espaço!

Esse é o BLOG oficial do festival SÃO ROCK, que ocorre todo ano em Brejo Santo - Ceará. Criado "acidentalmente" por aniversariantes que comemoram na mesma semana e que se uniram para fazer uma única celebração voltada ao nosso gosto músical o ROCK. Além disso o blog divulga noticias e eventos nacionais e internacionais, além de ajudar na promoção cultural da região. Sobre tudo é uma apologia a amizade.




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segunda-feira, 14 de maio de 2012

BANDA KILLER QUEEN - FORTALEZA, outra grande atrção do VI SÃO ROCK.

Mais uma grande banda fechada para o VI SÃO ROCK, a Killer Queen, sonho antigo de todos nós que fazemos o São Rock. Seria a atração principal de 2010, mas por motivos de trabalhos do vocalista Ítalo Arruda (Freddie Mercury), tivemos que cancelar naquela época. Agora de volta a Fortaleza, enfim realizaremos mais esse sonho.
A killer Queen será a atração principal da primeira noite de São Rock, dia 13 de julho, uma sexta feira que coincidentemente é o dia mundial do Rock.




Banda Killer Queen - Fortaleza:



A Killer Queen foi formada em 2008, com o propósito de fazer um cover fiel da maior banda de todos os tempos, a majestosa QUEEN! Considerado um dos melhores covers do grupo no Norte/Nordeste, a Killer Queen busca passar toda a emoção e o clima de espetáculo que Freddie Mercury levava em seu auge. Timbres, alta tecnologia de som, visual e indumentária similar aos integrantes originais e muita interatividade com o público fazem a apresentação ficar completa.
O nome é inspirado em música homônima da lendária banda do vocalista Freddie Mercury, morto em 1991. Além da interpretação fiel das músicas, os integrantes se caracterizam tal qual o grupo britânico, divertindo e emocionando a platéia.
O repertório abrange todas as épocas e hits da carreira do quarteto como “Love of My Life”, “Under Pressure”, “I Want to Break Free” e “Radio Ga Ga”, músicas da carreira solo de Freddie Mercury readaptada ao Queen, como “I Was Born to Love You”, assim como, futuras canções em parcerias, como será o caso de “How Can I Go On”, com Freddie Mercury e Montserrat Caballé e outras que nunca foram executadas ao vivo, como “Innuendo”.

A Killer Queen é formada pelo performático Ítalo Arruda (vocal), Eduardo Neves (guitarra, violão e voz), Marcos Ley (contra-baixo e voz), Sergio Costeleta (bateria e voz) e Alexandre Pinheiro (teclados e voz).

Um atrativo a mais na banda é o seu vocalista Ítalo Arruda, reconhecido como o melhor cover  do Freddie Mercury, sendo inclusive contratado da Rede Globo no Rock In Rio como tal.








quarta-feira, 20 de abril de 2011

Queen no Morumbi, 30 anos por Fabio Massari

Por Fabio Massari



Na festança de celebração dos 40 anos da banda inglesa Queen (que inclui dentre outras coisas novo contrato milionário e mais lançamentos e relançamentos vitaminados do catálogo discográfico), podemos contribuir levantando um brinde bem particular.
Há 30 anos (e alguns dias), em 20 de março de 1981, o Queen de Freddie Mercury, Brian May, Roger Taylor e John Deacon se apresentava pela primeira vez no Brasil, no Estádio do Morumbi em São Paulo em apresentação hoje considerada histórica; a ideia de Freddie para essa inédita visita brasileira, inviabilizada por dificuldades da produção, era a de promover, além da data paulista, um evento gratuito no Rio de Janeiro, de preferência no Maracanã, para fazer valer seu plano de transformar a visita num “Carnaval do Queen”.
Esse não foi obviamente o primeiro show de rock internacional a acontecer por aqui. Santana, Alice Cooper, Rick Wakeman, Genesis e Peter Frampton já haviam feito a cabeça de muita gente em suas visitas de sucesso – lotação esgotada em ginásios do país e alegria quase desesperada de gerações de rockers praticamente virgens nessa dimensão ao vivo. E o divisor de águas nesse sentido do circuito internacional de shows só se mostraria em toda sua evidência uns anos depois, em 1985, com o advento do primeiro Rock in Rio (que aliás testemunhou outro triunfo da banda de Freddie Mercury, no embalo das suas transcendentes apresentações pós-Live Aid). Mas o concerto do Morumbi, além de forjar o caminho para as apresentações em grandes estádios de futebol, acabou por se impor como seminal e transformador para as gerações que o testemunharam e para aqueles que foram absorvendo ao longo dos anos as histórias e os registros daquela sexta-feira de rock no nosso quintal.


O Queen chegou ao Brasil com discos lançados e consumidos pela rapaziada (que se preparou para o evento basicamente decorando o petardo Live Killers, disco duplo ao vivo lançado em 1979), e com algumas canções circulando pelas ondas do rádio. A cobertura da imprensa foi ampla e entusiasmada, com grandes matérias em jornais e revistas; houve transmissão radiofônica e considerável cobertura televisiva. No dia seguinte, já circulavam os cassetes com a gravação da apresentação; algumas semanas depois, lá estava a banda na capa da revista norte-americana Hit Parader, todos felizes da vida em cenário brasileiro; os vídeos do show do Morumbi começaram a surgir um tempinho depois. Sendo a banda inglesa uma das mais colecionáveis (e pirateadas) da praça – apontados em dezembro de 2009 pela revista Record Collector como número 4 dentre os mais procurados pelos colecionadores, atrás só de Beatles, Stones e Bowie – , foi questão de pouco tempo para que os “produtos” derivados do show de 20 de março de 1981 começassem a circular. Alguns desses discos e/ou DVDs figuram com destaque dentre as preferências dos entusistas desse mercado alternativo.
Naqueles tempos de absoluta carência de eventos do tipo, ficar espremido por horas nas não-filas quilométricas que circulavam o estádio era pura diversão; assim como ouvir o espetacular anfitrião arriscar frases em português e, claro, iluminar o estádio com isqueiros na hora das baladas – a pergunta que não calava era porque tanta gente tem isqueiros à mão?
Segundo um jornal da época, eram 110 mil pessoas naquele dia de março de 1981 – para vários otimistas, eram 200 mil. A sensação é a de que eram milhões e os (simplórios para os padrões de hoje) efeitos visuais e sonoros (cores básicas, gelo seco e barulho de nave espacial) eram fantásticos, puro Spielberg. Ou Flash Gordon.

Naquele dia muita gente saiu da escola para ir ao show e no fim das contas tudo terminou numa aula – em apresentação esplendorosa, vibrante, o Queen veio para mostrar como se fazia, como eram as coisas nesse tal de rock das grandes esferas. No embalo suingado e muitas vêzes pesadão do seu hard rock glamuroso, o frontman cabuloso Freddie Mercury e seus comparsas acabaram por nos revelar todo um mundão de sensações e possibilidades. De alguma maneira, parecia que agora estávamos prontos para o que desse e viesse.
O setlist.
“We Will Rock You”
“Let Me Entertain You”
“Play The Game”
“Somebody To Love”
“I’m In Love With My Car”
“Get Down, Make Love”
“Need Your Loving Tonight”
“Save Me”
“Now I’m Here”
“Dragon Attack”
“Now I’m Here (Reprise)”
“Fat Bottomed Girls”
“Love Of My Life”
“Keep Yourself Alive”
(solos)
“Flash’s Theme”
“The Hero”
“Crazy Little Thing Called Love”
“Bohemian Rhapsody”
“Tie Your Mother Down”
“Another One Bites The Dust”
“Sheer Heart Attack”
“We Will Rock You”
“We Are The Champions”
“God Save The Queen”

sexta-feira, 18 de março de 2011

A indústria dos relançamentos para 2011 - por KID VINIL

Por Kid Vinil 

http://colunistas.yahoo.net/posts/8920.html

Eu adoro comentar relançamentos de CDs de bandas que se tornaram clássicos do rock and roll. Passo boa parte do meu tempo pesquisando  os chamados “reissues” e hoje encontrei numa dessas lojas virtuais de CDs a notícia de que o Queen assinou um contrato milionário com a Universal Music Group da Inglaterra, depois de passarem quase 40 anos nas mãos da também britânica e poderosa gravadora EMI.
Para celebrar esse contrato, a Universal  Records colocará à disposição no mercado, a partir do dia 14 de março, os cinco primeiros álbuns do Queen remasterizados e dessa vez em edições duplas em CD. E lá vou eu mais uma vez comprar esses discos do Queen, que na verdade eu já tenho naquelas edições japonesas imitando a capa de um LP, lançadas no final dos anos 90. Como se não bastasse, na mesma época, adquiri uma caixa enorme com moldura, toda dourada contendo a coleção inteira do Queen em CDs também imitando discos de ouro. É muito requinte para um fã do Queen, mas acho que merecemos. E agora sem pestanejar acabo de fazer a minha pré-order dessas cinco edições duplas, que são:

QUEEN – 1973
O disco de estreia do Queen reaparece em sua nova edição dupla, no primeiro CD as 10 músicas originais e no segundo seus gravações inéditas, algumas delas retiradas de tapes de demonstração feitos em 1971 antes da gravação definitiva desse primeiro álbum.

Queen  II  – 1974
Nesses dois primeiros discos o Queen fazia uma mistura de glam rock do inicio dos anos 70 mixando com riffs pesados e os vocais intrigantes aliados ao visual do performático de  Freddie Mercury. A dose perfeita para uma banda que começava com um objetivo,  de acordo com o que seu vocalista dizia “Eu não serei  uma estrela,  serei  uma lenda”. A nova edição desse segundo disco do Queen traz cinco faixas bônus no segundo CD,  incluindo sessions para a radio BBC e gravações ao vivo inéditas de 1975.

SHEER HEART ATTACK – 1974
O Queen me foi apresentado no final de 1974 através desse disco que um amigo de escola  havia comprado e não parava de ouvi-lo. O álbum tornou-se o meu favorito de  toda carreira da banda. Nunca me esqueço da frase estampada na contra capa do disco No synthesizers, apenas pra deixar bem claro que tudo que foi executado no disco foi tocado de verdade pelos seus integrantes. No CD bônus mais sessions da BBC e gravações ao vivo de 1974/75.

A  NIGHT AT THE OPERA – 1975
Para muitos esse é considerado o grande clássico da carreira do Queen, muito disso pelo fato de trazer um dos singles mais vendidos de toda história do rock britânico. A música “Bohemian Raphsody “é um marco na história, permaneceu durante 9 semanas como a mais vendida em 1975. Além da estrutura musical que alia rock progressivo com heavy rock e pitadas clássicas, o vídeo também foi marcante e inovador para a linguagem do vídeo clip.E como se não bastasse esse hit, ainda teve uma das mais belas baladas de todos os tempos “Love Of My Life”.  No CD bônus mais seis faixas inéditas.

A DAY AT THE RACES – 1976
O quinto álbum do Queen nessa série de relançamentos e que fecha digamos uma primeira fase dessa carreira vitoriosa. Considero esses cinco primeiros discos essenciais e foi uma ótima estratégia de marketing da Universal relançar esses álbum em luxuosas edições duplas para comemorar a assinatura de contrato com a banda.  Aqui também encontramos outro hit potencial que foi “Somebody To Love” e no CD bônus um versão alternativa para a fabulosa “Tie Your Mother Down”, que abre o disco.
Dois outros relançamentos que recomendo são da banda Rainbow, o grupo que o guitarrista Ritchie Blackmore (ex-Deep Purple) montou junto com o vocalista Ronnie James Dio em 1975.
Dois dos melhores discos  do Rainbow estão saindo também em edições duplas, são eles:

RISING – 1976
Esse é o segundo disco da carreira do Rainbow e um de seus melhores álbuns. Nele Ritchie Blackmore conseguiu chegar mais próximo dos clássicos lançados com o Deep Purple. Na edição, que chega às lojas britanicas na semana que vem, o álbum que originalmente tinha apenas seis músicas, agora se estende para 12 músicas no primeiro CD e mais outras 7 novas versões no segundo CD.

DOWN TO EARTH – 1979
Nesse disco, Ritchie Blackmore reinventou o Rainbow e mudou quase toda formação, saia o vocalista Dio e entrava Graham Bonnet, e também era recrutado Roger Glover o ex-baixista do Deep Purple. Da formação anterior  ficaram apenas o próprio Ritchie Blackmore e o baterista Cozy Powell. No primeiro CD duas faixas inéditas, além das oito músicas originais lançadas  em Down To Earth, em 1979. No segundo, remixes e sobras de estúdio recuperadas da gravação do álbum.
Ainda dentro dessa estratégia de transformar  discos simples em luxuosas edições duplas temos um dos grupos pioneiros da chamada British Invasion da década de 60. O Kinks, uma das minhas bandas favoritas dessa safra do rock inglês da década de 60 volta com seus três primeiros álbuns em edição dupla, são eles:
THE KINKS – 1964
Apesar de não representar um páreo para os primeiros discos dos Beatles e dos Stones, esse disco de estréia dos Kinks trazia aquela que foi considerada recentemente pela revista inglesa “Q”  como a 15a das canções que mudaram o mundo, com o título “A canção que inventou o heavy metal”. A prova disso está nos riffs  nervosos de guitarra distorcida e ainda na regravação do Van Halen em 1978. O bom dessa reedição é que nos dois CDs são 28 músicas cada um pra fazer valer o investimento.

KINDA KINKS – 1965
No segundo CD dos Kinks, além das composições de Ray Davies uma regravação da clássica “Dancing In The Street”. Nessa edição dupla temos as 12 faixas originais no primeiro disco e mais 23 faixas bônus no segundo.
THE KINK KONTROVERSY – 1965
A cada disco o Kinks tonava-se uma banda mais madura e encontrava seu próprio estilo, longe de comparações com Beatles e Stones. Um dos  hits desse disco  foi a cultuada “Where Have All The Good Times Gone” regravada nos anos setenta por David Bowie no álbum Pin Ups. O primeiro CD traz o álbum como foi concebido e no segundo 17 faixas bônus.
Essa é a terceira vez que esses discos dos Kinks são reeditados em CD, as remasterizações dos anos 90 também ofereciam faixas bônus, mas nesse caso o numero de musicas é bem maior e pode valer a pena ir atrás dessas  edições duplas. Existem porém casos recentes de reedições que não valem a pena, como por exemplo a Sony que acaba de comprar o catálogo do Emerson Lake & Palmer, uma das mais importantes bandas britânicas do rock progressivo. A Sony inglesa colocou novamente no mercado os sete primeiros discos da banda, que eu considero obras essenciais do rock progressivo, porém as remasterizações são as mesmas lançadas pelo selo Castle nos anos noventa. Então, se você tem aquelas reedições antigas, esqueça esses remasters da Sony. Se não tiver,  vale a pena pelo preço, cerca de 6 libras cada um (por volta de 15 reais).
E por falar em cds por volta de 15 reais, vamos mudar o cenário e cair pro nosso Brasil, onde encontraremos nas bancas de jornais a coleção do fabuloso Tim Maia. Esse é um projeto imperdível, fico sempre esperando chegar a sexta-feira para correr na banda e pegar uma nova edição. Estamos no volume 4 Tim Maia Racional Vol 1, nesta sexta sai o Racional volume 2. Serão 15 discos, daquele que eu considero um dos maiores interpretes da soul music brasileira. Se você aprecia a boa música feita nesse país, corra na banca mais próxima enquanto é tempo e adquira esses discos de Tim Maia. O preço de 15 reais é bem justo para uma embalagem caprichada trazendo um belíssimo livreto ilustrado e o CD encartado.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Queen prepara filme do musical “We Will Rock You”

Por Rock Way | http://www.rockway.com.br


Brian May e Roger Taylor, membros da banda britânica Queen, anunciaram em sua página oficial na internet a adaptação cinematográfica do musical “We Will Rock You”.
Este projeto, que ainda está em fase de desenvolvimento, contará com o roteiro do britânico Peter Morgan (“Frost/Nixon”, “A Outra”).
Morgan também é o roteirista de um filme dedicado à vida domúsico Freddie Mercury, longa-metragem que gera grande expectativa entre os seguidores do Queen e estreará no primeiro semestre de 2012.
Este último filme, que começará a ser gravado em poucos meses, será protagonizada pelo polêmico Sacha Baron Cohen (“Borat”, “Brüno”) que, segundo May, “está entrando no papel de uma maneira que encantaria Freddie”.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Há 26 anos, a Cidade do Rock abria as portas para o primeiro Rock in Rio

Por Izadora Pimenta - January 11, 2011 - 10:30 - | Categoria : Festival
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Já dizia a profecia de Nostradamus: em janeiro de 1985, uma tragédia mataria milhares de pessoas  durante um evento que reuniria muitos jovens naAmérica Latina. Logo, as suspeitas foram apontadas para o visionário Rock In Rio, o primeiro grande festival de rock do Brasil, sediado em uma das cidades mais famosas do mundo.
Alguns até caíram na história do mesmo que previu milhares de vezes o fim do mundo, deixando de conferir performances históricas, ou mesmo proibindo seus filhos de fazê-lo. Mas para a maioria, a paixão pela música falou mais alto. “Um coroa muito gente boa [entusiasta da profecia] fez de tudo para me convencer a não ir. Mas se eu tivesse que morrer, morreria assistindo o festival”, conta o advogado Haroldo Dantas, que frequentou quatro dos dez dias da edição e se gaba por ser uma das vozes que acompanhou o Queen no histórico coro registrado na Cidade do Rock.
Dantas e as milhares de pessoas, porém, mostraram mais uma vez que o profeta estava errado, saindo de lá propagando um dos slogans mais conhecidos do festival na ponta da língua: “Eu Fui”.
O primeiro grande festival do Brasil
Atualmente, não é difícil ir a um festival de música no Brasil. Existem muitos, com as mais variadas estruturas e gêneros musicais. Só em 2010, tivemos desde os grandes SWUPlaneta Terra e Natura Nós até os independentes que pipocam por todo o Brasil. Alguns, extintos, também já marcaram época, como o Tim Festival, responsável por trazer nomes como Julian Casablancase seu Strokes, e o Hollywood Rock, que deu palco a uma histórica e bizarra apresentação do Nirvana. Mas talvez nenhum deles teria se aventurado da mesma maneira se o Rock In Rio não tivesse dado o ar de sua graça.
“Foi o nosso primeiro grande festival. Só isso já bastaria para entrar na história”, como sintetiza Marcelo Costa, editor do Scream & Yell. Mas a situação em 1985 era bem diferente da qual nos encontramos hoje: o país estava acabando de se livrar do fantasma da ditadura militar, a realidade econômica era bem diferente e a América Latina inteira passava não era rota dos shows dos grandes artistas internacionais.
De repente, 14 atrações nacionais e 15 internacionais aportavam de uma vez só na Cidade do Rock, construída em um terreno de 250 mil metros quadrados na Barra da Tijuca. No espaço, além do palco, dois shopping centers com 50 lojas, dois centros de atendimento médico e uma loja do McDonald’s (que entrou para o Guiness Book, por vender 58 mil hambúrgueres em um único dia).
Na época, a expectativa criada em torno do Rock in Rio era enorme, o Brasil inteiro queria estar lá. “todo mundo queria estar lá, com aquele bocado de matérias toda hora aparecendo na TV, no jornal, aquilo criava uma expectativa imensa. Era um lance de querer participar – sentimento que carrego até hoje nos festivais que vou: quero participar. Aliás, todo mundo queria participar”, conta Fernando Lopes, 37 anos. “Foi incrível. A Cidade do Rock era uma arena gigantesca com um público o mais diverso que se pode imaginar, desde a “turma da pesada” até casais de namorados. Foi o encontro de tribos mais pacífico que já presensiei até hoje”, completa o jornalista Ney Motta, de 45 anos.
E tudo começou com um público de 380 mil pessoas, daquelas muitas que seguiam as tendências do momento, com seus mullets e ombreiras. Elas usavam luvas verdes fosforecentes às seis horas da tarde da sexta-feira, 11 de janeiro, quando o ator Kadu Moliterno, escolhido para ser o apresentador, deu início a tudo aquilo.  E quem teve a honra de batizar o palco foi o performático Ney Matogrosso, um brasileiro no meio de um cenário que, quase que de forma homogênea, ainda não acreditava na música nacional.  “Eu previa uma vaia estrondosa de todos os metaleiros que estavam ali para assistir ao Iron Maiden. Foi um reboliço geral, ao mesmo tempo que vaiavam ele, gritavam como vitoriosos. Quando o Ney subiu no palco, cantou a primeira música. Trocou de roupa lá mesmo no palco, cantou a segunda, a terceira e daí em diante e a galera respeitando ele, eu pensei ‘mas não é que nós metaleiros somos muito educados mesmo’”, conta o jornalista Ney Motta.
A ditadura acaba no Brasil, mas se mostra na música
Na quinta noite de Rock in Rio, o Brasil não era mais um país governado por militares: naquele dia acontecera a eleição indireta do civil Tancredo Nevespara o cargo de Presidente da República. Enquanto isso, o primeiro show daquela noite na cidade do Rock era um verdadeiro desafio para a nascente democracia brasileira. A plateia de metaleiros, que esperava os shows deAC/DC Scorpions, teve que assistir aos show de Kid Abelha e os Abobóras Selvagens e Eduardo Dusek (usando roupa de clown). Ambos foram ferozmente vaiados pelos camisas cinzas, que chegaram a jogar pedras no palco. Dusek revidava: “Eu estou com a maioria. As pessoas que estão jogando coisas no palco têm mais é que ser linchadas. Se você é negativo, porque vir a um festival de rock? Fique em casa e se suicide que é melhor!”.
A realidade de um cenário que, infelizmente, ainda guarda os seus resquícios até hoje. “O público brasileiro não está pronto para a diversidade artistica. O brasileiro não está pronto nem para se aceitar como um povo com várias faces”, aponta Costa. A democracia só foi verdadeiramente celebrada na voz de Cazuza, que celebrou dois shows mais tarde o fim da ditadura no encerramento do show do Barão Vermelho, com a canção Pro Dia Nascer Feliz.  “Que o dia nasça feliz amanhã pra todo mundo! Um Brasil novo, uma rapaziada esperta” (com o característico sotaque carioca), desejava Cazuza.
No dia seguinte, Hebert Vianna, que ainda era uma revelação com osParalamas do Sucesso, pediu: “Se não gostam de quem está tocando, fiquem em casa aprendendo a tocar. Quem sabe no próximo vocês não estão aqui em cima?”, em defesa do acontecido com Kid Abelha e Dusek. Na mesma noite,Lulu Santos reclamaria ainda do tratamento especial dispensado aos americanos. Sem cantar o clássico Como Uma Onda, ele termina seu show falando: “os americanos querem que eu acabe”.
Cheiro do ambiente
Tudo isso, por mais emocionante que pareça ser, aconteceu em um mar de lama.  Isso porque a partir do segundo dia choveu tanto que o gramado da Cidade do Rock se transformou num grande lamaçal. Com o passar dos dias, o cheiro de lama se misturou com urina e 1,6 milhão de litros de cerveja Malt 90(chamada na época de Malt Nojenta), a oficial do festival, formando um dos cheiros mais característicos da história.
Malt 90, ou Malt Nojenta. Só pelo apelido já dá para imaginar o porquê de não existir mais.
A lama, não tão aproveitada quanto a do clássico Woodstock de ‘69, era tanta que o livro escrito pelo publicitário Cid Castro sobre esse primeiro Rock in Rio recebeu o título de Metendo o Pé na Lama.
O maior show e cachê do Rock in Rio
O show mais visto do Rock in Rio I no mundo foi o do Queen de Freddie Mercury. Enquanto 250 mil pessoas cantaram Love of My Life em coro, 250 milhões assistiram ao show pela televisão, em todo mundo, até a MTV americana transmitiu o show.
Pode-se dizer que o Queen foi um dos responsáveis pelo sucesso do Rock in Rio. A banda foi a primeira grande atração a confirmar presença na Cidade do Rock, e só depois deles os demais artistas internacionais passaram a confirmar presença no festival. Não à toa, eles ganharam o maior cachê, que foi de 600 mil dólares.
“Foi só depois dali que a gente virou profissional”
A partir do Rock in Rio, o rock brasileiro começa a se profissionalizar, tentar fugir um pouco dos padrões gringos e se adaptar a uma realidade. A maioria das bandas ainda era muito inexperiente, não acostumada aos eventos e grandes estruturas profissionais. E não só as bandas:  os técnicos de som também passaram a entender melhor como funcionava a estrutura musical e profissional necessária para a operar em grandes shows.
Em entrevista à Revista Bizz na época, Guto Goffi, do Barão Vermelho, lançou a seguinte declaração: “Os artistas da MPB eram relapsos em relação à qualidade dos equipamentos. O Rock in Rio ajudou a mudar isso”. Paula Toller(Kid Abelha), também à Bizz, confessou: “Foi só depois dali que a gente virou profissional”.
Ingresso
Um ingresso para um dia do Rock in Rio I custou de 16 a 28 barões. Quem comprou em outubro de 1984, quando começaram as vendas, pagou 16 barões, em novembro, pagou 18 barões, em dezembro 20. Em janeiro custou 28. Um barão era o equivalente a mil cruzeiros. Eles eram vendidos no extintoBanco Nacional.
1985
E 1985 estava apenas começando. Naquele mesmo ano, morreria Tancredo NevesMikhail Gorbatchev assumiria a URSS, Ultraje a Rigor Legião Urbana lançariam seus primeiros álbuns, Ayrton Senna ganharia sua primeira corrida, o clássico We Are The World chegaria às lojas, seria realizado o Live Aid e estrearia a série Armação Ilimitada na TV Globo, que tornaria Kadu Moliterno ainda mais famoso. Mas, no entanto, gente como Queen, Iron Maiden, Whitesnake, Nina Hagen, Rod Stewart, Scorpions, Ozzy, AC/DC, Yes, Go Go’s e B52’s já havia matado a imensa sede de atrações internacionais, pelas quais o Brasil clama cada vez mais – e hoje é atendido com precisão.
“Se tivesse que morrer, morreria assistindo o festival”
Haroldo Dantas, 47 anos, advogado
Eu tinha vinte e poucos anos e era fissurado em Surf e em Rock’n’Roll. Naquela época eram raros os shows bons aqui na terra brasilis, então, quando pintava um, não dava para perder. Quando ouvi as primeiras notícias da realização do Rock in Rio, a adrenalina subiu. Em seguida vieram as notícias acerca das bandas que iriam tocar… Aí, meu, comecei a reservar grana para a compra do ingresso e acho que fui um dos primeiros a comprar.
Mas a grana era curta, então só deu para comprar cinco dias. Escolhi os cinco primeiros porque eram os que iriam ter os shows que eu mais gostaria de assistir (Iron Maiden, AC/DC, Queen, Scorpions, Whitesnake, Nina Hagen, B52’s… os shows brasileiros eram lambuja). Estadia não era problema, tenho uma tia no Rio e costumava ir sempre para lá surfar com uns amigos.
Depois da compra do ingresso veio aquele período tenso da espera. Meu, o tempo não passava. No banco onde trabalhava, esquematizei tudo para tirar férias em janeiro. Tudo certo… as férias chegaram. Arrumei as minhas tralhas, barraca, prancha de surf e despenquei com um amigo surfista para Saquarema. Lá fiquei do dia 1º. até o dia 9 de janeiro, acampado na Praia de Itaúna.
Nessa passagem tem uma história legal. No terceiro dia chegou na praia um coroa muito gente boa e acampou com o neto. O cara era daqueles que tem de tudo para acampamento dentro do carro uma TL*, vai vendo. Só que numa noite a gente tava lá jogando baralho e conversa fora, e aí falei que iria embora no dia 9, para o Rock in Rio. Meu, daí o Tiozinho fez de tudo para me convencer a não ir no festival… foi no carro e pegou um livro de profecias, acho que de Nostradamus, onde estava escrito que na primeira metade da década de oitenta, quando os homens pássaros sobrevoassem a cabeça do gigante, haveria, numa cidade da América do Sul, um grande festival que reuniria centenas de jovens, e que aconteceria uma grande tragédia com a morte de milhares.
Putz, meu, o negócio era punk, as explicações, mais punk ainda. Ele disse que a cidade era o Rio de Janeiro, o festival era o Rock in Rio, que os homens pássaros sobrevoando a cabeça do gigante seriam os pilotos de asa delta sobrevoando a montanha que, vista da Barra da Tijuca, parece com a cabeça de um gigante adormecido (tava tudo certo… tudo batia…). Mas, mesmo diante das “evidências”, eu falei para ele que não tinha como. Se tivesse que morrer, eu morreria assistindo o festival. E no dia agendado voltei para o Rio e me instalei na casa da minha tia, na Penha.
Estudei o itinerário, ônibus etc… tracei a estratégia e logística para agüentar os cinco dias e… lá estava eu aguardando a abertura dos portões. Fui um dos primeiros a entrar, mas na entrada me fizeram jogar fora todos os meus lanches e bebidas preparados com carinho pela minha tia. Não podia entrar com nada, tinha que consumir lá dentro… Mas como consumir sem dinheiro? Naquela altura eu só tinha dinheiro para o busão. Passei um perrengue do caralho no primeiro dia.
Acho que o primeiro show começou umas quatro horas. Ney Matogrosso. Em um dia em que ainda iriam tocar Iron Maiden, Scorpions e AC/DC. A paulistada invadiu o Rio de Janeiro, era paulista para todo lado, até dormindo em cima de árvore do lado de fora da arena. Penso que 80% do público do primeiro dia era formado por paulistas rockeiros. E quando o Ney entrou, fantasiado de pavão, rolaram vaias, pedras etc (parecido com o que aconteceu com o Carlinhos Brown no Rock’n’Rio II). Mas o cara foi foda, não se abalou, segurou a bronca, começou com aquela música que diz “Deus Salve a América do Sul…”
Foi engraçado… eu vi roqueirão inflexível olhar para o lado e dizer “caralho meu… olha a banda do cara!”. De fato, foi foda. O cara estava com uma banda pesadíssima, tanto que mandou o resto do show sem nenhuma objeção e no final eu vi neguinho pedindo bis (que ele não deu)
Nesse mesmo dia, entre os brasileiros, tocou também o Erasmo Carlos. [Ele] entrou todo de preto, cheio de correntes. Quando começou a primeira música “preciso acabar logo com isso…” [Sentado à Beira do Caminho], putz… acho que ele não acabou o show, foi feia a coisa… deu pena do cara.
Coisas que marcaram foram várias: o tamanho do palco… A qualidade do som (inimaginável para aquela época)… Os palcos em si (muito louco o que eles fizeram. Acabava um show, fechavam as cortinas, dava um tempo e quando abriam as cortinas era outro palco totalmente diferente do anterior… Até hoje não entendo como eles faziam aquilo).
Quando começou o primeiro show, aliás, a galera levantou para não sentar mais. Meu, das 16 às 02/03 horas da manhã em pé, no empurra empurra… foi foda. Chega uma hora que tu não aguenta. Fui lá para trás na hora do show do Queen… E foi a melhor coisa que eu fiz. A qualidade do som, lá de trás, era muito melhor do que ali no gargarejo… Mas eu só fui saber disso na hora que desisti de ficar lá na frente. [Estava] quebradaço. Não tive como ir no outro dia, estava totalmente sem condições. Dei o ingresso do segundo dia para um primo.
Os Shows que marcaram em mim, o do Ney Matogrosso (pela volta por cima que o cara deu), O do Paralamas, da Blitz, do Iron Maiden, do AC/DC, do Whitesnake, a abertura do Scorpions e do Maiden; os tiros de canhão do AC&DC; o Queen e o coro que entrou para a história: minha voz está lá gravada. É uma daquelas.
*TL é um dos modelos do Wolksvagen 1600, carro que recebe o apelido de “Zé do Caixão”
Com 12 anos, “queria ver mesmo só o B-52’s e ia embora”
Fernando Lopes, 37 anos, escreve no Rock ‘n’ Beats e também no Floga-se
Em janeiro de 1985, eu estava prestes a fazer 13 anos. Meu aniversário é em fevereiro. Seria impossível eu ir pro RIR com essa idade. Mas a minha sorte é que eu tenho um irmão dois anos mais velho, que ia fazer 15 anos em março. Nenhum dos dois poderia ir ao show desacompanhado – e nessa época nossa família tinha acabado de se mudar para São Paulo, depois uma década no RJ – portanto a gente passava quase todo final de semana na capital fluminense: ou meu pai pegava a Brasília zero dele e tomava a Dutra com todos no banco de trás (tinha outro irmão, mais novo, mas esse não pôde ir ao show, porque só tinha 9 anos à época), ou a gente subia num Electra (sim, sou velho) e parava lá no Santos Dumont.
Como meu pai ia pra rever amigos e jogar bola e encher a cara com os parças, precisava de alguém pra cuidar da gente. E foi nessa que a gente se deu bem: a gente sempre ficava na casa de um tio meu, em Ipanema, e ele ficou de nos levar. Mas o cara era um dos mais cachaceiros da turma e acabou que todos os amigos do meu pai resolveram ir com ele pra ver se ele não ia esquecer a gente por lá ou coisa que o valha.
Lembro vagamente dessas armações, porque era muito novo. A velharada é que me contou tudo em detalhes depois, quando eu já tinha vinte e tantos – e era sempre a mesma história, em cada RIR que fui, eles relembravam isso.
Enfim, a sorte nossa foi que esse tio cachaceiro queria nos levar – e por preocupação, meu pai foi junto e mais uns amigos dele. É preciso lembrar que Jacarepaguá é longe pra diabo de Ipanema – e naquela época era mais ermo ainda, embora a estrutura da cidade já tivesse chegado lá – ou seja, tínhamos que ir de carro com alguém. O fato é que todos foram, deixaram a gente na entrada, se responsabilizaram, e VAZARAM: foram beber num bar ali perto, na Barra, é mole? As crianças ficaram sozinhas – o que pra gente foi lindo, maravilhoso!
Foi sorte porque em 1984 foi uma tragédia em termos escolares lá em casa. Eu e meu irmão, ao mesmo tempo, repetimos de ano. Bomba geral. E não contamos nada pro meu pai até ele comprar os ingressos pro RIR. A gente sabia que ele não ia deixar a gente ir, que ia rolar um castigo e tals. Quando contamos, ele ficou puto, é claro. Não queria deixar a gente ir.
Mas com esse lance do meu tio, acabamos indo. Mas só um dia. Nos outros que a gente até iria, não rolou. Até que tudo bem, porque eu e meu irmão queríamos muito ver B-52’s e Nina Hagen (não ria). O resto era lixo pra gente (na verdade, ainda é hehehe), inclusive o Queen, mesmo depois de ter “feito história” no primeiro dia – até porque a gente não imaginava que viraria história. Tanto que a gente falou que queria ver mesmo só o B-52’s e ia embora.
Teve um monte de lixo aquele dia. Se não me engano, Lulu Santos, Kid Abelha, sei lá o quê. Com meu pai puto com o lance da escola, combinou um horário e veio pegar a gente. Vimos o B-52’s (e nem foi inteiro) e vazamos. Ficamos de castigo o resto das férias. Mas já tinha valido a pena. Acho que meu pai ficou mais puto por a gente ter escondido o fato só pra ele comprar o ingresso.
Pra mim, com 12 anos, aquela estrutura toda era gigantesca. Tanto que até hoje eu acho que as coisas eram maiores do que eram realmente. O lance da Cidade do Rock, com aquele bocado de matérias toda hora aparecendo na TV, no jornal, aquilo criava uma expectativa imensa. Era um lance de querer participar – sentimento que carrego até hoje nos festivais que vou: quero participar, mesmo que seja uma merda o line-up ou a organização (leia SWU, por exemplo). Aliás, todo mundo queria participar. E meus pais sempre foram muito liberais, então da nossa turma fomos os únicos autorizados a ir. Nossos amigos todos ficaram só na vontade. Que eu me lembre, da minha idade, fui só eu e meu irmão mesmo.
A sensação boa foi essa: uma sucessão de travessuras (do meu tio; nossa, ao repetir de ano e não contar; a do meu pai de deixar a gente sozinho no show; etc.) que fez com que tenha sido inesquecível, porque do show mesmo não lembro quase nada. Aliás, temo que, pela pouca idade, minha memória confunda o que eu realmente vi com o que eu vi em vídeos anos depois, na TV e tals (aliás, de castigo, vimos o do RIR todo pela TV).
“Eu nunca quis voltar nas edições seguintes, queria reservar a memória do Rock in Rio original”
Ney Motta, jornalista, autor do blog Veia Cultural
Estava com 19 anos. Eu e um grupo de amigos (de infância) curtíamos Deep Purple, Led Zepellin, Black Sabbath, AC/DC, Ozzy, Kiss, Iron Maiden, etc. Foi um momento muito especial para todos nós. Uma oportunidade de conferir ao vivo o som de algumas das bandas que estávamos acostumados a ouvir apenas no toca discos. Lembro-me até hoje da ovação do público quando um técnico para testar o som tocou alguns acordes de Smoke on the Water do Deep Purple. Foi incrível. A Cidade do Rock era uma arena gigantesca com um público o mais diverso que se pode imaginar. Havia desde a “turma da pesada” até casais de namorados. Foi o encontro de tribos mais pacífico que já presensiei até hoje.
Eu estava lá, no histórico 11 de janeiro de 1985. Cabelos compridos além dos ombros – um amigo dizia que eu parecia com ao Adrian Smith, guitarrista do Iron Maiden -, camisa preta, calça jeans com desenhos de nomes de bandas de heavy metal e um bracelete de couro com pirâmides de metal, feito especialmente para a ocasião, que logo foi apreendido por um segurança mais exigente. Depois que entrei vi dezenas de pessoas com braceletes bem maiores e no lugar das piramidezinhas inofensivas, enormes tachinhas, no melhor estilo Judas Priest. Estavam comigo os meus amigos de infância: Ricardo, Marcelo, Gilson, Eduardo, Gilberto, Maurício e… o seu Nelson, pai do Marcelo, que para não negar o ingresso ao filho, com a desculpa de querer assistir ao show do Ney Matogrosso, acompanhou a gente. Nós estávamos entre as 300 mil pessoas que acompanharam o primeiro dia de evento.
Pelo que lembro chegamos antes do almoço, muito cedo para uma programação que começaria ao anoitecer. Fomos uns dos primeiros a chegar e já tinha uma turma bem mal encarada por ali. Eu não me lembro de ter visto pessoas se drogando ou brigas.
Ney Matogrosso abriria o evento. Eu previa uma vaia estrondosa de todos os metaleiros que estavam ali para assistir ao Iron Maiden. Num determinado momento um técnico de som ao passar de um baixo brincou de tocar o signo de Smoke on the Water e quase que o chão se abriu, num urro de alegria dos metaleiros. Algumas horas antes do início do evento, o Erasmo Carlos desistiu de se apresentar, provavelmente porque viu um monte de gente com cara de tremendão, e os alto-falantes disseram que ele não se apresentaria naquela noite para homenagear não me lembro quem em um outro dia. Foi um reboliço geral, ao mesmo tempo que vaiavam ele, gritavam como vitoriosos. Quando o Ney subiu no palco, cantou a primeira música. Trocou de roupa lá mesmo no palco, cantou a segunda, a terceira e daí em diante e a galera respeitando ele, eu pensei mas não é que nós metaleiros somos muito educados mesmo. O Pepeu Gomes entrou para fazer um show pra lá de pesado, foi ao limite com a sua guitarra, tocada até aos dentes e a galera se amarrou. Logo após viria a incógnita da programação, o Whitesnake, que substituía o Def Leppard, que seria uma das grandes atrações do evento. Se não me engano foi nesta época que o baterista daquela banda perdeu um braço e desistiu de vir ao Brasil. Resultado, o Whitesnake de David Coverdale fez um show antológico. Depois deles o mais esperado, Iron Maiden.
Naquela época eu tinha todos os discos do Iron Maiden. No meu grupo de amigos a gente fez um pacto, cada um escolheria uma banda e teria tudo dela, assim a gente poderia curtir a discografia de muitas bandas. Foi uma ótima ideia para um grupo que não tinha lá muito dinheiro no bolso.
O palco do Rock in Rio era triplo e com um sistema giratório. Enquanto uma banda tocava, os equipamentos e cenário da seguinte eram montados e a anterior desmontada. Foi assim que a gente viu surgir diante de nós a capa do Powerslave, o disco recém lançado da banda. Foi incrível, mas confesso que o show não me empolgou, apenas estava emocionado de ver meus ídolos. E quando a gente já estava satisfeito e ficaria mais um pouco apenas para curtir um sonzinho do Queen, uma lua inacreditável clareou o céu que pouco antes estava com nuvem carregadas e iluminou 300 mil pessoas que se estasiavam com o show da banda do Fred Mercury. Foi o show mais incrível que eu assisti na minha vida e quem estava lá até hoje diz a mesma coisa.
Não preciso dizer que saímos da Cidade do Rock exaustos. Andamos pra caramba para pegar um ônibus que nos deixou na Praça Seca e de lá como não haveria ônibus para voltar, andamos até Vila Valqueire. Já era dia quando chegamos em casa, resmungamos alguma coisa pra dar um até amanhã e eu desabei na cama para acordar sei lá a que horas foi.
Bem, mas pra mim ainda não havia acabado. E nem para o meu grupo de amigos. Nós retornamos no dia 19 para assistir nada menos do que Ozzy, AC/DC, Scorpions e novamente o Whitesnake e o Pepeu Gomes. Mas nos dias anteriores choveu muito e quando chegamos ali parecei que a profecia ia se realizar. 250 mil pessoas, o segundo maior público, ficava ilhada aqui e ali por enormes piscinas d’água e lama. E a chovia muito. Me lembro de um fato engraçado, enquanto Ozzy cantava, derrepente eu olhei para um lado onde não havia niguém, apenas uma piscina d’água, pois bem, dali inacreditavelmente um corpo que estava deitado, submerso aos meus olhos pelo menos, se sentou, levantou e saiu andando. Neste momento eu cutuquei o Edurado que estava comigo e mostrei o cara dizendo War Pigs. Do outro lado, dois caras bêbados que rodeavam um casal até que depois de muito observar começaram a gritar “tá segurando o pau dele, tá segurando o pau dele”.
Mas voltando um pouquinho ao início deste dia. No primeiro dia a gente assistiu ao show muito atrás de onde queríamos, então desta vez a gente entrou na muvuca e ficou bem perto do corredor da técnica porque ali a gente pensou “aqui ninguém fica na frente da gente”. Isso durou até o show começar. Foi um empurra, empurra tão grande que a gente começou a ficar imprensado pelas centenas de pessoas que estavam atrás. E aí a gente resolveu que iria pular o cerco e passar para o outro lado. Pular foi fácil, mas o segurança que estava do outro lado não deixou a gente atravessar, daí a gente que achava que estava na frente fomos lá para trás. E o grupo ficou mais ou menos assim: Eduardo e eu, nos separamos do Gilson, Marcelo, Ricardo e Gilberto, e todos se separaram do Maurício que era o caçula da turma. Pior do que isso, ele estava com toda a nossa comida. Bem, ninguém sabia quem estava com quem e a nossa tranqüilidade era em pensar que se os outros não estavam conosco, só podiam estar juntos. No final da noite ficamos sabendo que quase todo mundo se perdeu um do outro. Agora imagem, numa época em que não existia celular, em uma área alagada pela chuva e no meio de 250 mil pessoas era possível nos reunirmos novamente? Claro que não, né?! Pois não é que no final daquela noite todos nós nos encontramos um a um. Até aparecer sozinho o Maurício, com todos os nossos sanduíches intactos.
Foi neste Rock in Rio que o Paralamas do Sucesso se consagrou, que a Paula Toller com uma voz pequenininha foi escurrassada pela platéia, que a Blitz incendiou a platéia e que James Taylor foi um dos nomes que animou os mais velhos e encantou os mais novos.
Eu nunca quis voltar nas edições seguintes porque queria reservar em mim a memória do Rock in Rio original. Na realidade NUNCA MAIS, NO BRASIL, HOUVE UM FESTIVAL COMO AQUELE, TALVEZ NUNCA MAIS AJA.
Infelizmente nas minhas mudanças eu terminei perdendo os ingressos, revistas, cartazes, fotos etc. Mas não preciso deles, pois está tudo registrado na minha memória.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Dia 8 de janeiro DAVID BOWIE completou 64 anos.


David Bowie

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
David Bowie (nome artístico de David Robert Jones, Brixton, 8 de janeiro de 1947) é um músico, ator e produtor inglês. Por vezes referido como "Camaleão do Rock" pela capacidade de sempre renovar sua imagem, ele tem sido uma importante figura na música popular há cinco décadas e é considerado um dos músicos de rock mais inovadores e ainda influentes de todos os tempos, sobretudo por seu trabalho nos anos 70 e nos anos 80, além de ser distinguido por um vocal característico e pela profundidade intelectual de sua obra.
Embora tenha realizado um álbum, David Bowie, e diversas canções desde cedo, Bowie só chamou a atenção do público em 1969, quando a canção "Space Oddity" alcançou o quinto lugar no UK Singles Chart. Após um período de três anos de experimentação, que incluem a realização de dois significativos e influentes álbuns, The Man Who Sold the World (1970) e Hunky Dory (1971), ele retorna em 1972 durante a era glam rock com um alter ego extravagante e andrógino chamado Ziggy Stardust, sustentado pelo sucesso de "Starman" e do aclamado álbum The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars. Seu impacto na época foi um dos maiores cultos já criados na cultura popular.[1] Em 1973, o disco Aladdin Sane levou Ziggy aos EUA. A vida curta da persona Ziggy revelaria apenas uma das muitas facetas de uma carreira marcada pela reinvenção contínua, pela inovação musical e pela apresentação visual.
Em 1974, o álbum Diamond Dogs previa, com seu som e sua temática caótica, a revolução punk que surgiria anos depois. Em 1975, Bowie finalmente conseguiu seu primeiro grande sucesso em território americano com a canção "Fame", em co-autoria com John Lennon, do álbum Young Americans. O som constitui uma mudança radical no estilo que, inicialmente, alienou muitos de seus devotos do Reino Unido. Nessa etapa, a carreira musical de Bowie se renovou e seguiu novos rumos. Após a criação de uma nova persona, Thin White Duke, apresentada no aclamado Station to Station (1976), que traz um Bowie interessado em misticismo, Cabala e Nazismo, ele confundiu as expectativas de seu público americano e de sua gravadora com a produção do minimalista Low (1977)—a primeira das três colaborações com Brian Eno durante os próximos dois anos. A chamada "Trilogia de Berlim" (com "Heroes" e Lodger) trouxe álbuns introspectivos que lograram o topo nas paradas britânicas e que ganharam admiração crítica duradoura.
Seguindo o sucesso comercial irregular no final dos anos 70, a canção "Ashes to Ashes" do álbum de 1980 Scary Monsters (and Super Creeps)alcançou o número um no Reino Unido e lançou as bases para um novo movimento chamado New Romanticism. No ano seguinte, junto à banda Queen, escreveu e cantou a canção "Under Pressure" e em seguida atingiu novo pico comercial com o álbum de 1983 Let's Dance, que rendeu sucessos com a música homônima e o fez cativar novas audiências. Ao longo dos anos 1990 e 2000, Bowie continuou a experimentar novos estilos musicais, incluindo os gêneros música industrial, drum and bass, e adult contemporary. Seu último álbum realizado até agora foi Reality, uma mistura de melancolia e humor, suportado pela A Reality Tour de 2003–2004.
A influência de David Bowie é única, musical e socialmente. Como escreveu o biógrafo David Buckley, "ele penetrou e modificou mais vidas do que qualquer outra figura comparável." De fato, grande é sua influência no mundo da música entre artistas e bandas mais antigas e a nova geração (Ver Influência), e, além de ter auxiliado movimentos como a libertação gay e introduzido novos modos de se vestir, tem uma carreira prestigiada no cinema. Em 2002, ficou em 29º lugar na lista popular 100 Greatest Britons e já vendeu mais de 136 milhões de álbuns ao longo de sua carreira. Foi premiado no Reino Unido com 9 certificações de álbum de platina, 11 de ouro e 8 de prata, e, nos Estados Unidos, 5 de platina e 7 de ouro. Em 2004, a Rolling Stone colocou-o na 39ª posição em sua lista dos "100 Maiores Artistas do Rock de Todos os Tempos" e em 23º lugar na lista dos "Melhores Cantores de Todos os Tempos".

Discografia

Álbuns de estúdio

AnoSingleUKUS
1966David Bowie
1969Space Oddity#17#16
1970The Man Who Sold the World#26
1971Hunky Dory#3#93
1972The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars#5#75
1973Aladdin Sane#1#17
1973Pin Ups#1#23
1974Diamond Dogs#1#5
1975Young Americans#2#9
1976Station to Station#5#3
1977Low#2#11
1977"Heroes"#3#35
1979Lodger#4#20
1980Scary Monsters (and Super Creeps)#1#12
1983Let's Dance#1#4
1984Tonight#1#11
1987Never Let Me Down#6#34
1989Tin Machine (com a banda Tin Machine)#3#28
1991Tin Machine II (com a banda Tin Machine)#23#126
1993Black Tie White Noise#1#39
1995Outside#8#21
1997Earthling#6#39
1999'hours...'#5#47
2002Heathen#5#14
2003Reality#3#29
Álbuns ao Vivo
AnoÁlbum
1971David Live
1978Stage
1983Ziggy Stardust: The Motion Picture
1992Tin Machine Live: Oy Vey, Baby
1994Santa Monica '72
2008Glass Spider Live
2009VH1 Storytellers
2010A Reality Tour


Trilhas sonoras

AnoÁlbumCharts
1981Christiane F.US #3
1986Labyrinth (com Trevor Jones)UK #38
1993The Buddha of SuburbiaUK #87

Fotos


Vídeos












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