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BEM VINDOS AO BLOG DO SÃO ROCK


Nossa História

Em junho de 2005, seis amigos se reuniram para comemorar seus aniversários, que por coincidência dos deuses do rock, eram todos na mesma semana. Resolveram chamar a banda de um amigo de Crato (Michel Macêdo, da Glory Fate). Também chamaram duas bandas locais (SKP e ET Heads), e fizeram a trilha sonora desta festa, que a princípio era exclusiva a aniversariantes e seus amigos. Sem querer, nascia ali o festival SÃO ROCK – o dia em que o rock foi pro brejo!
O sucesso da primeira edição obrigou uma continuação. Dois anos depois, já em 2007, veio a segunda edição, agora com a participação de bandas de Fortaleza, e aberto ao público. O sucesso consolidou o evento, e perpetuou essa data no calendário do rock cearense.
Pelo festival já passaram nomes de peso no cenário cearense, como Artur Menezes, Felipe Cazaux, Caco de Vidro, banda One, Killer Queen, Glory Fate, Zeppelin Blues, Renegados, banda Void e tantos outros que abrilhantaram noites inesquecíveis, regadas à amizade, alegria e o bom e velho rock´n´roll.
Hoje, o que se iniciou com um simples aniversário, tomou enormes proporções, estendendo seus ramos, diversificando os estilos e abrindo espaço para mais e mais bandas que querem mostrar seu talento em nossa terra. Agora são duas noites de festival, além da Caldeira do Rock, que leva bandas alternativas para a praça pública, numa celebração maravilhosa, onde congregamos amigos de todas as cidades circunvizinhas e de outros estados, irmanados pelo amor ao rock.
Não para por aí. Queremos tornar o São Rock uma marca que não promova apenas um festival anual, mas que seja um verdadeiro tablado que promova eventos de rock durante todo o ano! Assim, poderemos desfrutar do convívio saudável e também marcar nossa presença, dizer que temos voz e vez, numa cultura tão massificada por músicas desprezíveis e por gêneros impostos ao povo! Fomos, somos e sempre seremos roqueiros!
Portanto, venha participar dessa irmandade, apóie, divulgue, patrocine essa idéia, e seja mais um que ajuda a construir esse espaço!

Esse é o BLOG oficial do festival SÃO ROCK, que ocorre todo ano em Brejo Santo - Ceará. Criado "acidentalmente" por aniversariantes que comemoram na mesma semana e que se uniram para fazer uma única celebração voltada ao nosso gosto músical o ROCK. Além disso o blog divulga noticias e eventos nacionais e internacionais, além de ajudar na promoção cultural da região. Sobre tudo é uma apologia a amizade.




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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Super Heavy: imagens do super-projeto de Mick Jagger

Abaixo as primeiras imagens divulgadas do super-grupo formado por Mick Jagger (ROLLING STONES), Joss Stone (cantora de Soul e R&B), Dave Stewart (EURYTHMICS), Damian Marley (cantor de reggae, filho de BOB MARLEY) e A. R. Rahman (produtor indiano). Jagger declarou à Rolling Stone que "o repertório é muito amplo, vai de reggae a baladas e canções indianas".
http://whiplash.net/materias
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terça-feira, 7 de junho de 2011

Pete Townshend anuncia box de Quadrophenia

Ele também fala sobre Roger Daltrey e Mick Jagger, mas não comenta o futuro do Who


Foto: Reprodução/Site oficial
Pete Townshend anunciou box de  Quadrophenia  para outubro
Pete Townshend anunciou box de Quadrophenia para outubro
Pete Townshend fez um raro post em seu blog para anunciar um novo box de Quadrophenia, que sai em outubro. Ele usava o blog bastante, mas ficou bravo com o fato que jornalistas tiravam aspas suas de contexto e praticamente abandonou a prática. Leia abaixo o texto inteiro de seu comunicado:

"1º de junho, 2011

O que estou fazendo todos os dias

Estou isolado em meu estúdio caseiro, no momento, trabalhando na restauração de demos de Quadrophenia. Bob Pridden está fazendo mixagens de faixas selecionadas com som surround. Jon Astley está remasterizando o mix original do vinil e reavaliando o remix que fez em 1996 (aquele no qual dá para ouvir direito os vocais espantosos de Roger). Estou com uma pilha de anotações, diários, fotos (tirei muitas minhas entre 1971 e 1973, quando Quadrophenia saiu), letras originais e escrevendo observações.

Estou gostando muito desse trabalho. Os mixes do Bob são estarrecedores. Minhas demos estão entre as melhores que já fiz e incluem algumas faixas excêntricas que não entraram para o álbum. Eu ainda acho o trabalho de estúdio estranho - preciso colocar as caixas de som com o volume bem baixo, o que é diferente do que estou acostumado. Esse pacote, que sai em outubro, se tudo der certo, é outro Live at Leeds e Hull - ou até outro Lifehouse Chronicles - em processo de fabricação. Vocês vão amar. Eu espero, porque estou perdendo todo o sol desse verão para que ele fique pronto a tempo.

Em minha entrevista recente com meu amigo Simon Garfield para a Intelligent Life, mencionei alguma dificuldade na minha interação com fãs, conforme envelheço. O que é tão maravilhoso de trabalhar em Quadrophenia é que nos anos 70, até a gravação, em 1973, o principal desafio para mim era contar a histórias dos fãs do Who e, ao mesmo tempo, me ocupar nas necessidades criativas da banda como indivíduos e artistas. O Who e Jimmy, como uma espécie de modelo para mim e todos os nossos fãs, tinham desenvolvido uma simbiose poderosa que merecia um projeto como Quadrophenia, tanto para honrar o mecanismo, quanto para explicar o motivo de ele começar a dar errado quase que assim que começou.

Então, estou gostando de trabalhar com a música, mas estou gostando de escrever sobre ela também."

A nota de Pete não menciona nada sobre o futuro do Who. Eles não fazem turnê desde um breve giro pela Austrália, no início de 2009. Sua última performance em conjunto foi em janeiro, em um show beneficente, em Londres. O escritor Simon Garfield - que entrevistou Townshend no mês passado para a Intelligent Life, - falou ao guitarrista do Who que foi ao show achando que aquela poderia ser a última vez que eles estariam juntos no palco. "Sua intuição acertou na mosca", Townshend disse. "No começo do ano eu tinha decidido que no próximo aniversário, acho que vou simplesmente parar'. Nada a ver com a minha audição, porque acho que consigo lidar com isso no palco. Meu sentimento era de que simplesmente não tinha o entusiasmo para uma reinvenção."

Townshend pensou em aposentadoria muitas vezes no passado e sempre diz que o mesmo impulso que fez com que ele finalmente terminasse seu livro de memórias este ano fez com que ele reconsiderasse a ideia da aposentadoria. "Eu olho em volta e penso, 'por que não estou sofrendo da forma como as outras pessoas estão sofrendo?'", ele disse. "'É só porque não tenho que me preocupar em pagar dívidas escolares?' Eu acho que para mim é que se você pode tomar um posicionamento artístico e fazer algo útil, mesmo que seja negativo, então, a ação é a melhor resposta."

Nessa mesma entrevista, Townshend também sugeriu que ser o principal compositor na banda foi, com frequência, um peso. "A coisa toda com o Who, para mim, e isso é triste, de certa forma, é a quantidade de controle que tive que ter", ele disse. "Mantendo o processo criativo perto do meu peito, me assegurando de que os outros caras da banda estavam se sentindo como se fossem parte do processo, embora não fossem de verdade."

Ele também disse que Roger Daltrey - que está tocando Tommy em uma turnê solo, este ano - tinha dificuldade, às vezes, nas turnês mais recentes. "Se estou na estrada com Roger e ele está muito triste, eu sei que tenho um pouco de culpa, e eu sei que meu empresário Bill Curbishley concorda com isso. Pensamos 'por que estamos fazendo isso com ele?'", Townshend disse. "Ele parece estar tão infeliz e se sentindo insatisfeito. Mesmo assim, quando você fala com ele, ele exalta o Who e a mim como coisas divinas. Ele sempre diz que será fabuloso e que 'desta vez eu simplesmente vou me divertir' e sempre termina perturbado, choramingando em um canto de algum lugar, dizendo 'esse foi o pior show que já fiz, posso fazer muito melhor, não consigo pensar como vou conseguir fazer isso de novo'."

Como se todo isso não fosse suficiente, ele também comentou as alegações no livro de Keith Richards de que Mick Jagger tem um "pênis pequeno". "Para usar um termo apropriado, isso é bobagem", Townshend disse. "Eu já as vi e elas não são pequenas. E não são só as bolas que são grandes."
 http://www.rollingstone.com.br

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Mick Jagger forma banda com Joss Stone e Damian Marley

Grupo deve se chamar Super Heavy e conta com mais dois integrantes

Mick Jagger, dos Rolling Stones Enquanto os Stones dão um tempo em turnês, Mick Jagger se reúne com músicos famosos
Com quase 50 anos de estrada, Mick Jagger não é mais o mesmo. Enquanto o guitarrista Keith Richards chega nesta sexta-feira aos cinemas na pele do capitão Teague, pai de Jack Sparrow (Johnny Depp) no quarto filme da franquia Piratas do Caribe, o vocalista forma uma super banda às escondidas. Ele tem se reunido com o cantor Damian Marley (filho de Bob Marley), a cantora Joss Stone, o músico britânico Dave Stewart e o produtor indiano A.R. Rahman.

Ao jornal New York Post, uma fonte ligada ao novo grupo disse que "eles terminaram um álbum, mais o primeiro vídeo e começaram a conversar com grandes gravadoras para chegar a um acordo. O nome da banda até o momento é Super Heavy". De acordo com outra fonte, "cada membro da banda tem um estilo diferente, mas funciona. Mick tinha começado a gravar com Dave há algum tempo, e ambos já haviam trabalhado com Joss".

Um assessor de Mick Jagger confirmou a existência do grupo, mas negou que estejam prestes a se lançar no mercado. "Eles pensaram que seria interessante e divertido se reunir no estúdio. Nenhum vídeo foi gravado e não há conversas com gravadoras. Tudo ainda é muito prematuro", disse. Se a banda for um sucesso, poderá desvituar a atenção de Jagger para uma nova turnê dos Stones, especulada na imprensa americana.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Em nota, Rolling Stones descarta turnê em 2011

Em um comunicado oficial, o Rolling Stones negou que uma turnê da banda esteja sendo planejada para este ano. A notícia veio à tona depois que uma disputa judicial entre a empresa promotora de shows Live Nation e um ex-funconário citou a participação deste numa possível excursão dos Stones em 2011. Antes disso, no ano passado, o guitarrista do grupo, Keith Richards, disse que uma turnê do grupo poderia acontecer em 2011.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Turnê mundial dos Rolling Stones deve acontecer em 2011, diz site

Informação sobre shows foi encontrada em documentos de ação judicial.
Guitarrista Keith Richards já havia comentado sobre retorno do grupo.




Os Rolling Stones estão mesmo planejando uma turnê mundial para 2011, de acordo com documentos em uma ação judicial entre a promotora de concertos Live Nation e seu ex-presidente Michael Cohl. A informação está em nota do site britânico NME.
Cohl é processado pela produtora por um contrato que assinou com a empresa quando saiu dela em 2008. Ele agora alega que a Live Nation tenta "interferir" em sua tentativa de obter direitos de promoção para a próxima turnê.
Em novembro do ano passado, o guitarrista Keith Richards disse que a banda voltaria com uma turnê mundial provavelmente em 2011.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Novo livro sobre Lennon traz depoimentos de Bono, Mick Jagger e outros

Os aniversários de morte e nascimento de John Lennon fizeram com que uma avalanche de livros sobre o músico e sua banda fosse publicada. Com diferentes abordagens, todos reúnem informações e histórias sobre o grupo inglês que marcou o rock e a história da música para sempre.
Agora, a Rolling Stone publicaMemórias de John Lennon. Os textos foram editados pela viúva, Yoko Ono, e escritos por outros grandes nomes da música. Bono (U2), Iggy Pop, Chuck Berry, Elton John, Alicia Keys, entre outros, colaboraram com depoimentos, poemas, fotos, entrevistas e desenhos.
Outro não tão famosos também participam da edição. O tecladista Billy Preston e o documentarista Albert Maysles, que trabalharam com John na época dos Beatles, narram as experiências que viveram ao seu lado. Até Mick Jagger contribui contando um pouco sobre a amizade entre os dois vocalistas e brincando com a rivalidade entre as bandas.
Escritores renomados, como Tariq Ali e Norman Mailer, dão sua visão da importância do músico, especialmente o impacto político do ativismo de John e Yoko pela paz no final dos anos 60.
Complementam a edição fotos tiradas para a última participação de Lennon para a revista “Rolling Stone”. Annie Leibovitz fotografou o casal em uma sessão que se tornou histórica.
Detalhes
Título: Memórias de John Lennon
Edição: 1
Apresentação: Yoko Ono
Editora: Rolling Stones
Ano: 2010
Idioma: Português
Especificações: Brochura | 320 páginas
Fonte: Folha.com

sábado, 18 de dezembro de 2010

PARABÉNS KEITH RICHARDS, HOJE 18/12/2010 - 67 ANOS DE MUITO ROCK´N ROLL

Keith Richards (Dartford, Inglaterra, 18 de dezembro de 1943) é um músico, compositor britânico, considerado um dos grandes nomes do rock do século XX como integrante e fundador dos Rolling Stones.

Biografia

Keith nasceu em 18 de dezembro de 1943 e viveu seus primeiros anos sob o ataque dos foguetes V-1 nazistas sobre sua cidade. Filho de trabalhadores de fábrica e neto de socialistas e líderes de lutas pelos direitos civis, seu contato com a música veio desde criança, através do avô, integrante de uma big-band de jazz, que fazia shows pela Inglaterra.
Admirador do tipo de música do guitarrista negro americano Chuck Berry, um dos precursores do rock’n'roll, Keith foi o principal responsável pela introdução do rhythm and blues no repertório da banda, que ele desenvolveu com o outro fundador, Brian Jones, introduzindo um som de duas guitarras na linha rítmica dos Stones, fazendo a diferença com o grupo que explodia no mundo todo na época do começo de sua carreira, os Beatlese criando um som mais pesado.
Considerado um dos maiores criadores de riffs – refrões musicais – da história do rock e autor de (I Can't Get No) Satisfaction, o grande hino da carreira dos Stones até hoje – criada durante uma noite insone num quarto de hotel de Los Angeles em 1965 - Richards e seus companheiros de banda Brian Jones, Mick Jagger, Charlie Watts e Bill Wyman, os originais Rolling Stones, estouraram no Reino Unido e em todo o planeta a partir da segunda metade dos anos 60, fazendo uma música crua e de letras provocativas, misturando rock, folk,pop, soul e gospel, vendendo milhões de discos e arrebatando platéias e fãs em todos os cantos do mundo, quando eram considerados a maior banda rhythm and blues e a segunda maior banda da história, depois de seus eternos rivais-amigos, Os Beatles, a quem faziam o contraponto de “meninos maus”, diferente da imagem de bonzinhos do grupo de Liverpool.
Além de seu trabalho com os Stones, Keith também manteve uma carreira solo paralela, além de gravar com outros artistas como Steve Jordan, Tom Waits, John Phillips, Aretha Franklin, Bono, The Edge e outros.
Keith em Hannover 2006
A ligação com as drogas colocou sua vida particular em evidência na mídia internacional, tendo sido preso várias vezes e internado para tratamentos químicos e sua dependência da heroína quase lhe causa a morte e acaba com sua carreira ainda nos anos 80. Desta parte mais depressiva de sua vida, Richardsemergiu curado do vício e casado com a modelo nova-iorquina Patti Hansen, uma das mais famosas e bonitas do mundo na época, com quem tem duas filhas: Theodora Dupree (18 de março de 1985) e Alexandra Nicole (28 de junho de 1986).
Keith tem mais dois filhos, de sua ligação com a atriz e mulher de diversas atividades culturais Anita Pallenberg, sua companheira nos primeiros anos de drogas e loucuras com os Rolling Stones. Reza a lenda que Keith trocou todo o seu sangue numa clinica suíça, para ajudá-lo a se livrar da dependência daheroína que pontuou sua vida durante os anos 60 e 70.
Aos 66 anos e mantendo a mesma postura de guitarrista rebelde, o velho pirata punk do rock Keith Richards ainda roda o mundo em grandes concertos com os Rolling Stones, tendo feito o maior show da história, segundo o Livro Guiness de Recordes, nas areias da praia de Copacabana, Rio de Janeiro, no começo de 2006, para um público estimado de um milhão e cem mil pessoas em um show gratuito, acompanhado por 40 milhões de espectadores ao vivo pela televisão.
Em 2007, Keith fez uma participação especial no filme Piratas do Caribe - No Fim do Mundo, como "Captain Teague Sparrow, pai de Jack Sparrow, interpretado por Johnny Depp.

Principais trabalhos

Álbuns com os Rolling Stones:
  • Aftermath
  • Out of Our Heads
  • Their Satanic Majesties Request
  • Beggars Banquet
  • Let It Bleed
  • Sticky Fingers
  • Exile on Main Street
  • Goats Head Soup
  • It's Only Rock'n Roll
  • Tattoo You
  • Voodoo Lounge
Álbum Solo
  • Talk is Cheap
Singles (em parceria com Mick Jagger)
  • Satisfaction (I Can't Get No)
  • Street Fighting Men
  • Simpathy for the Devil
  • Angie
  • Ruby Tuesday
  • It's Only Rock'n Roll
  • Jumping Jack Flash


Discografia solo

  • Talk is Cheap (1988)
  • Live At the Hollywood Palladium (1991)
  • Main Offender (1992)
  • Vintage Vinos (2010)


Contribuições significativas

  • Pirates of the Caribbean - On stranger tides
  • Piratas do Caribe - No Fim do Mundo (2007) - Como Captain Teague Sparrow: Pai de Jack Sparrow.
  • Pay, Pack & Follow (Gravado durante 1973-1979, lançado em 2001) John Phillips - Co-produtor
  • Timeless: Tribute to Hank Williams (2001) - "You Win Again"
  • Wingless Angels (1993) - Produtor
  • Bradley Barn Sessions (1993) George Jones - Dueto em "Say It Isn't You"
  • Hail! Hail! Rock'n'Roll (1987) Trilha sonora
  • Jumpin' Jack Flash (1986) Trilha sonora
  • Sun City, Artists United Against Apartheid (1985) - Tocou em "Silver and Gold" com Bono e The Edge do U2
  • "Run Rudolph Run" (1979) Compacto de Natal


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Revista Rolling Stone: Relembrando John Lennon


Há 30 anos, em 8 dezembro de 1980, o mundo perdia John Lennon, mas as lembranças que o Beatle deixou na humanidade continuam vivas entre as pessoas que tiveram, de alguma forma, sua vida tocada pelo músico

Foto: LENONO PHOTO ARCHIVE/DIVULGAÇA
Relembrando John Lennon
Lennon e Yoko em uma das muitas ações pacifistas que promoveram nos anos 70
 Total de fotos: 4
 Veja a Galeria Completa
Mick Jagger
O vocalista dos Rolling Stones lembra os momentos de sua amizade com Lennon

Meu primeiro encontro com John Lennon me deu um forte senso de humildade, o que, de certo modo, foi divertido. Eu não sabia o que dizer a ele. Os Beatles eram muito importantes na época - foi em 1963, antes de gravarmos - e nós realmente não éramos nada. Estávamos a um passo do sucesso quando eles vieram nos ver tocar. Quer dizer, eles eram tão grandes! Não eram só músicos, eram ídolos da juventude e maiores do que a vida. E usavam roupas de couro, o que ainda não podíamos comprar.

Uma noite, quando estávamos tocando em uma casa de Richmond - naquela fase só tocávanis rhythm & blues e algumas coisas músicas do Chuck Berry -, eles vieram e ficaram na lateral da plateia (usando capas de chuva de couro!) e eu nem quis olhar para eles. Eu estava com vergonha. Mas depois o John foi superlegal. Eu disse: "Você sabe tocar gaita, não é?" - ele tinha tocado gaita em "Love Me Do". Ele então disse: "Mas na verdade eu não sei tocar como vocês". Eu sopro e aspiro, só. Nós não sabemos tocar blues".

Era a primeira vez que eu os via. Eles vieram várias vezes nos ouvir tocar no Crawdaddy no West End, e John veio mais vezes que os outros. Eles costumavam circular por discotecas como a Ad-Lib - isso foi mais ou menos um ano depois (John gostava de casas noturnas) - e lembro que uma vez, quando todos nós estávamos marcando ponto em uma das boates, George ficou discursando para mim sobre quantos discos os Beatles tinham vendido a mais que nós. O que não estava em discussão! Ele estava superansioso para chamar atenção. John, depois de ouvir tudo, disse: "Bom... não se preocupe com George. Ele ainda não superou o fato de que consegue vender discos". Ele foi muito legal naquela hora. Nem sempre ele era a pessoa cáustica que podia ser.

Eu gostava muito dele. Não éramos amigos íntimos, mas sempre fomos simpáticos um ao outro. Mas, depois que os Beatles e os Stones pararam de tocar em casas noturnas, já não nos víamos tanto. De certo modo, naquela época estávamos competindo, sim. Brian Jones, mais do que qualquer um de nós, sentiu que estávamos competindo - cada um estava em uma competição terrível - e, se eles estivessem na América, explorávamos o fato de eles não estarem tocando na Inglaterra, coisas assim. Mas éramos amigáveis com eles, devo dizer.

Depois disso, eu já não via tanto o John, até que ele se separou de Yoko, por volta de 1974. Voltamos àquele convívio amigável, na verdade mais amigável do que nunca. Nós nos vimos um pouco em L.A., mas na maioria das vezes em Nova York e também em Montauk, Long Island, onde veio ficar comigo. Foi um tempo muito divertido. Armávamos uns bons porres, saíamos de veleiro, e ficávamos à toa com as guitarras, tocando. Isso foi quando John estava se preparando para gravar seu álbum de rock and roll, e ele estava claramente tentando pegar umas dicas minhas para decidir o que gravar. Passeamos por todos os rocks antigos, e ele separava os que gostava.

Quando ele voltou para a Yoko, entrou em hibernação. Ele morava perto de mim em Nova York, mas eu provavelmente fui considerado uma das "más influências", então nunca mais me deixaram vê-lo depois disso. Em uma ou duas ocasiões, quando eu fui visitar alguém no Dakota, deixei um recado dizendo: "Eu moro pertinho. Sei que você não quer ver ninguém, mas, se quiser, me liga". Ele nunca ligou.

No meu passaporte, há uma nota afirmando que a inelegibilidade do meu visto foi retirada "devido ao precedente Lennon". Ele enfrentou um processo judicial realtivo a seus problemas de visto, por causa de uma condenação por posse de Inglaterra - na verdade, nós fomos presos mais ou menos ao mesmo tempo - e ele venceu o processo após cinco anos e US$ 250 mil de despesas legais. Por isso, ele me ve à memória toda vez que entro nos Estados Unidos.

Este texto faz parte do livro Memórias de John Lennon (Spring, 310 páginas). Editado pela viúva Yoko Ono, o trabalho tem colaborações de astros da música, como Bono (U2), Chuck Berry, Alicia Keys, Elton John e muitos outros, que cederam depoimentos, poemas, fotos, entrevistas e desenhos para o volume. Amigos próximos também ajudaram: colaboradores da época dos Beatles e parceiros como o tecladista Billy Preston (que tocou no álbum Let it Be, de 1970) e o lendário documentarista Albert Maysles (First US Visit) relatam seus relatos pessoais com esse gênio da música popular. Intelectuais como Tariq Ali e Norman Mailer também dão suas versões sobre o mito, abordando o impacto político da luta de John Lennon e Yoko Ono pela paz mundial, que começou no fim dos anos 60 e seguiu até o assassinato do músico. Memórias de John Lennon traz também imagens da histórica sessão fotográfica de Annie Leibovitz para a Rolling Stone, a última do cantor de "Imagine". As imagens mostram John Lennon nu, abraçado a Yoko Ono, que está completamente vestida. Mais do que uma biografia, Memórias de John Lennon é a prova de que o músico afetou - de diferentes formas - a vida de muita gente, de anônimos a famosos, de amigos a figuras essenciais da cultura mundia do século XX. 

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A entrevista que o Zeca Camargo fez com o grande Keith Richards


Keith Richards já se sentiu traído por Mick Jagger

Durante quase meio século, os Rolling Stones foram uma verdadeira fábrica de histórias, polêmicas e sucessos.

Quando o guitarrista mais famoso da maior banda de rock de todos os tempos lança uma autobiografia, não são apenas os fãs que fazem filas para comprar.

Durante quase meio século, os Rolling Stones foram uma verdadeira fábrica de histórias, polêmicas e sucessos. E Keith Richards esteve sempre no olho do furacão Stones.

Em "Life", "Vida", seu livro de memórias, ele não deixa nada de fora. Muitas mulheres, todas as drogas, diversas polêmicas e, claro, doses maciças de rock´n´roll.

A gente lê a biografia do Keith Richards e não sabe nem por onde começar a conversa. Mas é quase irresistível não começar falando da sua relação com as drogas. Até porque, o livro parece ter sido escrito para mostrar que ele não é mais um roqueiro drogado.

Keith Richards: Não era o objetivo principal, mas era uma fama que eu não queria mais. Porém, tenho que admitir: eu dei todos os motivos para isso. Mas eu não quero ser lembrado unicamente por isso. Afinal por trás desse roqueiro existe um pai de família. Eu sempre fui assim. Eu tenho sido um pai de família dedicado desde que eu tinha 26 anos.

Zeca Camargo: Mas a gente sabe que foram muitas mulheres na sua vida, na estrada. E você conta no livro que nunca precisou dar cantadas.

Keith Richards: É o meu truque. Eu nunca usei aquelas cantadas cafonas do tipo ‘oi, tudo bem?’. Você tem que ser original. Eu preferia apenas usar o olhar.

Zeca: Mas você podia fazer isso. Afinal, é um Stone.

Keith Richards: Claro. Mas isso seria óbvio demais. Esse não é o meu estilo. Eu sou muito elegante.

Zeca: E as fãs faziam mesmo qualquer coisa para ficar com um Stone?

Keith Richards: O sexo era fácil, claro, mas havia um lado humano, carinhoso. Quando eu descia do palco, eu estava moído, com dores nas costas. E elas serviam mais como enfermeiras. Eram a Cruz Vermelha do rock.

Mick Jagger está por todo o livro. É verdade que a amizade desandou, que vocês nem se falam mais?

Keith Richards: Existe um desejo muito forte de separar Mick e eu. Houve sim um momento em que eu achei que o Mick estava se aproveitando da fama dos Stones para se autopromover. E para mim, isso é traição. É deslealdade.

Zeca: Você se sentiu traído não apenas como membro dos Stones, mas como amigo?

Keith Richards: Sim. Ele não me disse nada na época. Eu tive que descobrir tudo a partir de terceiros. E ele não foi o amigo que eu acreditava que ele era.

Zeca: No livro você fala como seus amigos são importantes na sua vida e faz uma lista deles. O nome dele não está nela. Você diria que hoje ele é seu amigo?

Keith Richards: Nós somos mais do que irmãos. E irmãos têm que ser amigos. Mas irmãos brigam. Eu acho que o pessoal sempre transformou pequenos comentários em turbilhões de fofocas. É o caso da distância entre Mick e eu, que realmente nunca existiu. Eu sei que ele não ficou feliz com algumas coisas que estão no livro. Mas nós conversamos. Eu falei que essa era a história do meu ponto de vista. E disse a ele: você sempre poderá escrever a sua.

Zeca: Você foi super sincero no livro sobre uso de drogas.

Keith Richards: Elas me ajudavam a lidar com fama, tentar manter minha vida privada. Era como uma proteção. Era um experimento, eu admito que durou um pouco demais. Mas eu consegui colocar um ponto final nele.

Keith se orgulha de ser um ótimo pai de família. Mas como um cara como ele criou os filhos?

Keith Richards: Meus filhos foram educados para serem muito centrados. Até mesmo caretas. Acho que não me puxaram. Eles sabiam o pai que tinham. Mas acho que você não precisa estar lá todos os dias. Eles só precisam saber que eles têm um pai que ama eles.

Zeca: No livro, você conta uma história familiar pouco conhecida: a morte de um filho com apenas dois meses de idade, do seu primeiro casamento. E você estava numa turnê quando ele morreu, longe de casa.

Keith Richards: Soube da notícia um pouco antes do show, e decidi subir no palco assim mesmo. Teria sido mais fácil cancelar o show, claro, mas achei necessário seguir em frente. Eu não tenho o poder de trazer as pessoas de volta. Eu precisava fazer isso por mim, pelo meu filho.

O palco é tudo para Keith. Por isso, a resposta para a pergunta "por que continuar tocando?", vem rápida.

Keith Richards: Por que não? Eu amo isso. É isso que eu sei fazer. E eu tenho uma grande banda que ainda quer trabalhar. Com sorte, eu espero, no ano que vem nós vamos estar na estrada de novo.

Zeca: Você ainda lembra do show dos Stones em Copacabana, em 2006?

Keith Richards: Claro. Eu ainda estou me recuperando daquela noite.

Mas a melhor história de Keith no Brasil é do final dos anos 60, quando ele veio ao Rio de Janeiro de férias.

Keith Richards: Lembro-me que encontrei um músico de rua, um cara negro que era cego que tinha um violão lindo muito antigo e ele tocava maravilhosamente bem. E nós trocamos violões. No dele estava escrito: "Deus está presente".

Nosso tempo de conversa já estava no fim. Mas deu tempo de Keith mandar um recado para a próxima visita dos Stones por aqui.

Keith Richards: Preparem as praias! 

Keith Richards revela seu segredo para conquistar a mulherada

O guitarrista dos Stones disse ainda que nunca passou uma cantada e que não sabe se fazer de gostoso.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Ladies and Gentlemen: The Rolling Stones - por Kid Vinil


Por Kid Vinil . 02.12.10 

Ladies and Gentlemen: The Rolling Stones



Hoje vou comentar dois DVDs essenciais para os fãs dos Rolling Stones, lançados recentemente por aqui pela gravadora ST2. O primeiro deles é esse que leva o título de “Ladies and Gentlemen: The Rolling Stones”. São gravações feitas durante quatro noites no Texas, durante a turnê  de lançamento do álbum “Exile on Main Street”, em 1972. O filme original foi exibido nos cinemas durante um período limitado de tempo, em 1974, e depois desapareceu do mercado.  Agora, restaurado e remasterizado, reaparece em DVD incluindo um conteúdo extra como um  ensaio da banda na Suíça  para a turnê e entrevistas com Mick Jagger.
Assistindo ao DVD, dá para notar que o trabalho de restauração foi perfeito. Não espere uma qualidade de imagem perfeita como os blu-rays  de hoje, lembre-se que  a captação de imagem e áudio foi realizada em 1972 e os recursos  eram limitados. Enxergue isso como um documentário de época e, acima de tudo, como uma raridade dos Rolling Stones, que para a sorte dos fãs foi registrada em áudio e vídeo.
É uma pena que, por mais que tenham tentado restaurar o áudio para os sistemas Dolby Digital e DTS, ainda fica difícil de ouvir toda a parafernália de instrumentos extras e convidados que acompanharam os Stones nessa turnê. Quando as câmeras focalizam a sessão de metais liderada pelo saxofonista Bobby  Keys pouco se ouve, exceto quando Mick Jagger chama Bobby  Keys ao centro do palco para um solo numa das músicas. Outra sonoridade quase  imperceptível é o piano de Nicky Hopkins, que ao lado de Ian Stewart  foram os dois maiores tecladistas que participaram da carreira dos Rolling Stones. Tirando essas imperfeições de áudio o que resta é uma massa sonora, no bom sentido,  das guitarras de Keith Richards e Mick Taylor e a cozinha precisa de Charlie Watts e Bill Wyman.
Quem viu os Rolling Stones ao vivo em Copacabana não imagina a diferença entre as duas apresentações. Tá certo que a energia  de Mick Jagger ainda é a mesma, ele sempre foi um performer inquieto. A diferença é que em 1972 os Rolling Stones eram uma banda mais blueseira,  graças à guitarra de Mick Taylor, o ex-Bluesbreakers de John Mayall. Confesso que adoro Ron Wood, principalmente em sua fase com o Faces e Rod Stewart, no início dos anos 70, mas sua presença nos Stones é completamente diferente do estilo blues de Mick Taylor. Com a saída de Taylor dos Stones, depois do lançamento do álbum “It´s Only Rock and Roll”, e a entrada de Ron Wood, em 1976, a sonoridade da banda também mudou e as influências da Motown e da soul music ficaram mais presentes no som do grupo a partir de “Black & Blue”.
Nesses shows do Texas em 1972, os Stones mostravam um repertório de seus dois discos essenciais do início dos anos 70, “Exile on Main Street”(1972) e “Sticky Fingers”(1971). O show abre com “Brown Sugar”, “Bitch” e “Dead Flowers”, três clássicos do álbum de 1971. O que se pode constatar é o  Rolling Stones no momento mais empolgante de sua carreira. O jovem Mick Jagger explorava seu lado andrógino usando uma maquiagem com detalhes de purpurina e strass nos olhos, macacões colantes com lenços enormes e coloridos na cintura. Uma performance altamente sensual de botar no bolso os requebrados de quadris de Elvis Presley.
Keith Richards tinha o corte de cabelo mais transado daquela época, enquanto o guitarrista Mick Taylor parecia o mais jovem da banda, discretamente maquiado, um garotão prodígio que solava como ninguém sua Gibson Les Paul. A releitura do clássico “Love in Vain”de Robert Johnson  reaparece aqui, talvez com menos brilho  do que naquela apresentação ao vivo do  Madison Square Garden, registrada no álbum “Get Yer Ya-Ya´s Out” de 1970, mas os vocais de Mick é que fazem a diferença nessa gravação.
As músicas do álbum “Exile On Main Street” representam o ponto alto desse show, como “Tumbling Dice”, “Sweet Virginia” (feita de forma acústica nos violões de Keith Richards e Mick Taylor) e “All Down the Line”. Diante de um repertório tão forte, as clássicas “You Can’t Always Get What You Want” e “Midnight Rambler” parecem até meio apagadas. As quatro músicas finais são apoteóticas: “Bye Bye Johnny”, de Chuck Berry, onde o duo de guitarras debulha aqueles riffs grudentos e explosivos do mestre do rock and roll. Em seguida, “Rip This Joint” acende literalmente a chama de “Exile on Main Street”. Para terminar, dois clássicos do início de carreira, “Jumpin’ Jack Flash” e “Street Fighting Man”.
Se você é fã dos Rolling Stones, esse DVD é indispensável, e, para aqueles que ainda não conhecem essa fase áurea da banda em 1972, será uma grata surpresa.
Também recomendável para os fãs mais assíduos dos Rolling Stones – e que pegaram a edição especial do álbum “Exile on Main Street” lançada neste ano – é o documentário “Stones in Exile”, que foi exibido no início do ano pela BBC inglesa e agora vai para o formato DVD, com mais de uma hora de bônus, com cenas  não incluídas no documentário para TV.
Trata-se de um making of do álbum “Exile on Main Street” contando a história dos Stones saindo da Inglaterra pra fugirem dos altos impostos e se instalando no porão de uma mansão de Keith Richards na riviera francesa. Essas aventuras são contadas pelos integrantes da banda e pelas pessoas que direta e indiretamente participaram do projeto.
Cenas inéditas do estúdio improvisado em Nellcote retratam o processo de gravação de um dos clássicos da carreira dos Rolling Stones. Pena que essas sessões de gravações não foram registradas em sua totalidade e o que se vê é  uma pálida retrospectiva documentada muitas vezes somente por fotos e depoimentos.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Biografia de David Bowie disponível em português


Já está disponível "Bowie - A Biografia", lançamento da editora Benvirá, sobre a trajetória do camaleão e ícone pop mundial David Bowie. São quase 500 páginas sobre a vida e a carreira do astro britânico de olho azul e castanho, com direito a 16 páginas apenas com fotografias histórias do músico de 63 anos.
O livro foi escrito por Marc Spitz, jornalista especializado em rock e cultura pop, que colabora com o jornal "The New York Times" e com as revistas "Spin", "Nylon", "Maxim" e "Uncut". Também publicou vários livros sobre o movimento punk e a cena inglesa dos anos 80, bem como a biografia sobre a banda Green Day.
Leia abaixo trecho da biografia:
Se Bowie fosse simplesmente declarado homossexual pelo jornalista em vez de ele mesmo afirmar "Sou gay e sempre fui, mesmo quando eu era David Jones", como fez, o artigo poderia não ter o mesmo impacto. E seu impacto, em termos relativos, foi sísmico; a história foi pega pelos tabloides muito além dos semanários musicais. Não é a homossexualidade, mas a bissexualidade sem reservas que torna a história tão irresistível. Watts fala sobre a esposa de Bowie e o bebê. De forma similar, se Bowie não tivesse um material tão forte atrás de si, ninguém teria se importado. "Não despreza David Bowie como músico sério só porque ele gosta de nos provocar", Watts fortuitamente declara no texto. O objetivo da entrevista parece saber que seu novo material vai torná-lo um grande astro. "Vou ser famoso e é bem assustador de certa forma", ele conta a Watts, e então, para mostrar a blindagem de seu destino, anuncia: "Sou gay e sempre fui, mesmo quando era David Jones". Aqueles que amavam rock'n'roll conheciam o nome David Bowie por causa da qualidade de suas novas músicas, mas aqueles que não gostavam também reconheceriam o nome David Bowie. Watts repara na "jovialidade" da declaração, mas também no seu poder. "Ele sabe que nestes tempos é permissível ser meio vulgar, chocar e ultrajar, que foi sempre o que o pop buscou fazer pela história, é um processo de demolição. E se não é um acinte, é, pelo menos, um espanto. A expressão de sua ambivalência sexual estabelece um jogo fascinante: ele é ou não? Num período de identidade sexual conflitante, ele astuciosamente explora a confusão em torno de masculino e feminino. Bowie conclui a entrevista com um esclarecimento: o vestido que ele usou na capa de "The man who sold the world" não era um vestido de mulher, mas de homem, e, mais genericamente: "Não sou ultrajante. Sou David Bowie".
Quarenta anos à frente, com a homossexualidade ainda como um jogo político, há uma força persistente no artifício de escondê-la. A coragem de assumi-la é levemente enfraquecida quando se sabe que Mick Ronson foi também encorajado a "sair do armário" e recusou. "Nessa ele ficou um pouco solitário", Suzi diz. "David falava para ele: 'Vamos, cara'. Quando saiu a "Melody Maker", a mãe de Mick ficou perplexa. 'Seu filho é uma bicha.' Ele recebeu muita bala por isso. Até minha mãe veio com o jornal, jogou-o longe e disse: 'O que é isso?'. Mas ele era um garoto humilde, do Norte. Foi pela música que Mick ficou. David queria ser uma dessas pessoas vanguardistas, acho que ele conseguiu. Mas suas músicas eram fabulosas."
Fonte: Folha.com

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